REQUIÃO REVÊ ACERVO DA DOPS E RELEMBRA MOMENTOS DA DITADURA

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“Roberto Requião de Mello e Silva. Comunista. Tendência esquerdista. Apoio a manifesto da União Paranaense dos Estudantes. Apoio a greve.” Foram essas e outras descrições que o governador Roberto Requião encontrou em suas fichas, da época da ditadura, ao visitar na tarde desta quinta-feira (17) o Arquivo Público do Paraná e rever o acervo que fazia parte da antiga Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), um dos instrumentos de repressão do regime militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1984. “Àquela época, faziam fichas e prendiam a gente. Agora, querem calar a boca”, declarou o governador, referindo-se à decisão do desembargador federal Edgar Lippmann Júnior, que impôs censura prévia à TV Paraná Educativa.

Na visita ao Arquivo Público, Requião folheou e leu trechos dos documentos, assistiu ao vídeo “Memórias da Repressão” (de 1991) e lembrou que o Paraná, durante seu primeiro mandato (1991-1994), tornou-se o primeiro Estado a abrir os arquivos da ditadura militar. A Dops foi extinta no governo Requião e, por meio do decreto 577, de 11 de julho de 1991, todas as fichas e documentos (cerca de 62 mil) dos cidadãos que tiveram passagem pela delegacia, por motivos políticos e ideológicos, foram transferidos para o Arquivo (departamento vinculado à Secretaria da Administração e da Previdência) e colocados à disposição do público para consulta e fotocópia.

“Foi uma luta. Enfrentamos as opiniões dos acomodados, as ameaças, mas o Paraná se tornou o primeiro Estado do Brasil a abrir os arquivos da ditadura militar”, frisou o governador. Requião contou que, no processo de extinção da Dops, na ida à sede da delegacia (onde hoje está a Delegacia de Explosivos, Armas e Munições, na Rua Ermelino de Leão, 513, em Curitiba), descobriu celas que ficavam camufladas, escondidas por armários, locais totalmente insalubres onde permaneciam os presos e os perseguidos políticos. No vídeo ao qual Requião assistiu (“Memórias da Repressão”) aparecem imagens dessas celas.

Ao terminar a visita ao Arquivo Público, o governador declarou que é com muita tristeza que se depara, atualmente, com situação semelhante àquela a que reviu nas suas fichas da Dops, de quatro décadas atrás. “Com algum sofrimento li as fichas, os nomes das pessoas que me denunciaram [à época]. E hoje, com 66 anos de idade, dói ver que tentam me cercear, cercear o direito a emitir minha opinião, a dizer o que penso. O que tenho feito é denunciado a corrupção, é promover movimentos em defesa dos paranaenses.”

SERVIÇO – O acervo da Dops pode ser consultado no Arquivo Público do Paraná, no setor de atendimento ao público, de segunda a sexta-feira, das 9 às 12h e das 13h30 às 17h30. O interessado pode adiantar a pesquisa pela internet, no endereço www.pr.gov.br/arquivopublico, no item “pesquisa online”. O telefone de lá é o (41) 3352-2299.