A FOTO DO FATO
De João Batista do Lago
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Gustavo Miranda/Ag. Globo
Vergonha é um estádio de espírito que sugere ao Homem (homem/mulher) um tipo de sentimento que se nos reduz ao sujeito sem sentido, mesmo que o objeto de desejo seja pragmatizado como um meio concreto da vida real subentendida na micro ou na macro estrutura do Ser. Seja-a ser ou não-ser, a vergonha é, sempre, sujeito que visa fazer sentido desesperadamente no campo dos antagonismos. A foto [VEJA, Edição 2044, 23 de Janeiro de 2008] que vemos acima revela exatamente isso: antagonismos que se pretendem construir como sujeitos de um discurso político que tem na sua base a fleuma de uma tipologia de pragmaticidade fisiológica.Vemos, por um lado, a vergonha de ter vergonha; por outro, a não-vergonha de não ter nenhuma vergonha. Noutras palavras: de um lado um Presidente da República com vergonha de aceitar a sem-vergonhicidade de nomear um Senador que exibe no rosto a canicidade emoldurada pelo sorriso da incompetência e de denúncia de corrupção de membro da família; doutro lado, um Senador com sem-vergonhicidade de não ter nenhuma vergonha de se querer construir como um sujeito competente e íntegro diante de um Presidente envergonhado por se encontrar de joelhos frente ao pragmatismo político-fisiológico nacional.
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