Uma nova cadeia produtiva está se formando para reforçar a vocação do Brasil na produção de pescado. A criação de bijupirá, um nativo do mar brasileiro, tem a possibilidade de se tornar tão importante quanto o salmão (peixe cultivado em larga escala pelo vizinho Chile).
O ministro da Pesca, Altemir Gregolin, inaugura na próxima sexta-feira (15), em Ilha Comprida, litoral Norte de São Paulo, o Laboratório Nacional de Aqüicultura Marinha (Lanam) - estrutura que recebeu R$ 3 milhões em investimentos para dar suporte à pesquisa e fornecimento de peixes, ostras e mexilhões para a engorda no mar. A unidade, com capacidade para produzir um milhão de alevinos de peixe marinho por ano, já se encontra em operação e domina a reprodução do bijupirá (cóbia).
Pelo menos dois grupos empresariais já se habilitaram para a engorda do peixe e a produção esperada é de mais 100 mil toneladas ao ano ou um terço de tudo o que o País cria atualmente nos rios, lagos e mar. Inicialmente as áreas de criação serão implantadas em São Paulo, Pernambuco e Bahia. Na Bahia, numa parceria com a Bahia Pesca, laboratório implantado em Santo Amaro da Purificação terá papel semelhante ao que está sendo inaugurado em São Paulo.
O Lanam tem quatro tanques de 60 toneladas para maturação - 12 de 25 toneladas e 12 de 12 toneladas para larvicultura -, além de outros menores de fibra para cultivo de alimento vivo, microalgas e moluscos. Segundo os técnicos da fundação que administra o laboratório, ele servirá para nacionalizar a tecnologia de produção existente fora do País e suprir a demanda por peixes para engorda, atendendo as fazendas que serão implantadas na costa marítima, em sistema semelhante ao usado no cultivo do salmão. “O potencial produtivo, acima de um milhão de alevinos por ano, será capaz por si só de impulsionar a piscicultura marinha do sudeste do Brasil”, diz o ministro da pesca, Altemir Gregolin.
Com sua produção, o laboratório pode atender anualmente mais de 60 jaulas oceânicas como as utilizadas no salmão e/ou inúmeras jaulas de menor volume para cultivos mais simplificados ou artesanais (a exemplo do aplicado em Taiwan). Na área de moluscos, o laboratório produzirá três milhões de sementes de ostras e vieiras por ano, impulsionando a maricultura e solucionando o gargalo de disponibilidade de formas jovens para cultivo no Sudeste. O Lanam ainda será um centro de referência de tecnologia aplicada na aqüicultura marinha, já que todos os trabalhos científicos e pesquisas que serão desenvolvidas dentro de suas instalações estarão diretamente relacionadas à necessidade do mercado produtivo.
A aqüicultura (criação de organismos aquáticos) já é responsável por 43% do pescado consumido no mundo. No Brasil, cerca de 27% da produção nacional de pescado vêm da criação (a criação de peixe, camarão, moluscos e outros animais em águas interiores e no mar é de cerca de 270 mil toneladas/ano; a produção total de pescado do país, juntando pesca extrativa e aqüicultura, é de cerca de 1 milhão de toneladas ao ano). Temos grande potencial para aumentar nossa produção em aqüicultura, pelas condições naturais do país: 8 mil km de costa marinha, 13% da água doce disponível no planeta , 5 milhões de hectares de lâmina d’água e clima adequado ao cultivo.
Bijupirá - Em termos produtivos, são grandes as chances de o bijupirá se tornar tão importante para o Brasil quanto o salmão é para o Chile. Ele atinge seis quilos no primeiro ano e até 15 no segundo. Em comparação com o salmão, é um peixe com produtividade quatro vezes maior e com possibilidades de mercado muito maiores, já que hoje existe uma demanda mundial por peixes de carne branca de qualidade, principalmente para animais que produzem grandes filés (acima de 1 quilo de filé), como é o caso do bijupirá.
Os principais mercados para a comercialização do bijupirá são o norte-americano, já que os EUA são os maiores compradores de pescado brasileiro, e a Europa, que convive com uma grande demanda por carne branca de qualidade, obrigando-os a despescar seus tanques de pargo meses antes do final do cultivo. Outro mercado desejado por todos é o mercado japonês, que conhece e aprecia a qualidade do bijupirá produzido na China. Outro mercado potencial é o brasileiro, hoje em ascensão no consumo de pescados e na busca por qualidade e sabor.
Análises nutricionais sobre o peixe apontam para uma carne rica em proteínas, Omega-3, Omega 6, Taurina, Ornitina, Vitamina E e outros componentes nutricionais essenciais para uma vida saudável. Além disso, sua textura elástica, cor branca e sabor suave fazem do bijupirá um dos melhores peixes para sashimi e outros pratos.
O peixe vem sendo comercializado hoje a US$ 9/kg inteiro fresco ou US$ 18 para o quilo de filé. No Brasil, o bijupirá é comercializado por R$13/kg inteiro fresco ou posta na Bahia e por R$ 18 no litoral norte do Rio de Janeiro. Estes valores, tanto nacional como internacional, poderão ser maiores, uma vez assegurado fornecimento para o mercado, criando-se assim um produto premmium constante nas gôndolas de supermercados e peixarias.






Um Comentário
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