O mercado está otimista em relação ao crescimento do país em 2008. Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta semana, o setor prevê crescimento de 4,5% para este ano. Para 2009, a expectativa média de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) é de 4,06%. As informações constam do relatório Focus, pesquisado semanalmente pelo BC junto a instituições financeiras.
As projeções do mercado ainda refletem o otimismo gerado pelos bons índices de crescimento do ano passado, que devem influenciar positivamente a economia em 2008. Em 2007, a produção industrial subiu 6%, na comparação com o ano anterior, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o melhor resultado desde 2004, quando atingiu 8,3%. Além disso, a produção cresceu no ano passado baseada na demanda doméstica, mais controlável e previsível do que as exportações, como em 2004.
O IBGE destaca que o crescimento de 6,6% na produção da indústria em dezembro, na comparação com igual período de 2006, não apenas confirma as boas perspectivas para este ano como é um indicador decisivo de que o momento é mais favorável para a indústria do que no início de 2007.
Para os empresários, outro indício de que a atividade industrial vai continuar em alta são os baixos estoques do setor, verificados ao final do ano passado, segundo a “Sondagem Industrial”, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no final de janeiro. Pelo relatório, as empresas estão iniciando 2008 com estoques abaixo do planejado, o que não é usual. Nesse cenário, crescem as perspectivas favoráveis para a atividade industrial futura, seja para recompor o estoque seja para atender a elevações adicionais de demanda.
Controle da inflação - Com a demanda interna considerada alta pela autoridade monetária, a principal preocupação do Banco Central tem sido a inflação corrente, pressionada principalmente pelo setor de alimentos. Na reunião de janeiro, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) chegou a sinalizar a possibilidade de elevar os juros, diante da perspectiva de alta dos preços e da desaceleração da economia americana. Mas a inflação dá sinais de desaceleração, segundo os principais indicadores divulgados até a segunda semana de fevereiro. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, registrou variação de 1,09% em janeiro, contra alta de 1,76% em dezembro passado. O principal responsável pela diminuição, segundo especialistas, é justamente o grupo alimentação.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, enfatiza que a atividade econômica do país está no mesmo ritmo do final de 2007. E que o cumprimento da política de metas mantém o controle da inflação, afastando a possibilidade de disparada dos juros. Mantega explica que alguns países da Europa sofrem pressão inflacionária por parte de alimentos que não produzem. “Mas a inflação no Brasil está absolutamente no centro da meta e menor que em boa parte dos países emergentes”, afirma o ministro.
Cenário externo - No cenário externo, analistas financeiros observam que o Brasil tem conseguido, até agora, manter-se descolado da crise gerada pelo mercado imobiliário dos EUA. As notícias positivas sobre a economia brasileira animaram investidores de bancos e fundos internacionais. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou nesta terça-feira o terceiro pregão consecutivo com ganhos, reduzindo as perdas acumuladas no ano. O preço do dólar continuou caindo, juntamente com o risco-país e os juros no mercado futuro da BM&F.
Mantega lembra que ainda existe um pessimismo nos EUA e na União Européia quanto à duração da crise americana, mas os investidores estrangeiros mantêm uma visão otimista com relação ao Brasil. Segundo o ministro, as reservas cambiais, o equilíbrio das contas públicas e o vigor da economia são fatores importantes para que a economia brasileira consiga o grau de investimento (investment grade) ainda este ano.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Mário Torós, também afirma que o país está próximo de conseguir a nova classificação das agências de rating. Em entrevista à imprensa, ele destacou que os indicadores de solvência do Brasil são os melhores da história e que ainda há um grande potencial de crescimento de investimentos estrangeiros no país.
Investimentos estrangeiros - A estimativa do relatório Focus para a entrada de investimentos estrangeiros em 2008 saiu de US$ 28 bilhões para US$ 30 bilhões. Para o Banco Central, a crise externa não afetará a entrada de investimento externo direto na economia real brasileira. A projeção do BC se baseia nos números de janeiro, quando mesmo diante do temor de uma recessão nos Estados Unidos teriam ingressado cerca de US$ 4,5 bilhões no país em investimentos externos diretos (IED).
Em 2007, o país registrou recorde de US$ 34,6 bilhões em IED. O aumento ocorreu devido à melhoria nos fundamentos, maior confiança do investidor e a expectativa de crescimento da economia brasileira, tendências que estão sendo mantidas. No ano passado, o volume de IED já tinha sido 84,3% superior aos US$ 18,78 bilhões que entraram em 2006. Segundo o BC, o ano está começando positivo também para as empresas e instituições financeiras brasileiras, que conseguiram mais crédito e com melhores taxas de refinanciamento de dívidas externas em janeiro.






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