Brasília (Brasil) - O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou hoje (19) que a iniciativa da oposição em apresentar um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar o uso de cartões corporativos não vai atrapalhar a negociação para dividir com o PSDB o comando da CPI mista.
“Estou trabalhando no sentido de buscar o entendimento nesta CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito] para que tenhamos uma única CPI investigando os fatos”.
Jucá acrescentou que a decisão tomada hoje pelos oposicionistas foi “uma ação individualizada”, que demonstra o desejo de fazer a investigação sobre os abusos praticados por servidores e autoridades públicas no uso dos cartões corporativos.
Na avaliação dele, “não é um pedido de CPI no Senado” que vai gerar pressão para que o acordo seja ou não definido.
Jucá considera que os trabalhos de investigação serão prejudicados se houver duas investigações sobre o mesmo fato por parte de duas comissões de inquérito.
Segundo ele, duas CPIs criariam “confusão e desinformação” no Congresso e para a sociedade. “O melhor é fazermos uma investigação ampla com a participação da Câmara e do Senado”.
Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), a oposição ”está escaldada” com promessas do governo e aguarda agora uma proposta concreta.
“Vamos simplesmente estar aqui para prontos para observar, ouvir, escutar. O fato é que não vão impedir a investigação, por meio de uma CPI, que tenha na sua direção alguém da oposição. Ficou claro como água isso hoje”.
De acordo com o senador, os governistas não teriam levado a sério as propostas de criação de uma CPI para investigar os cartões corporativos. Mesmo assim, o parlamentar considera que há tempo para negociação em torno do comando da CPMI.
“Queríamos que eles tivessem dito: olha, vamos dividir a direção [da CPMI] e fazer uma investigação séria, inclusive sem livrar a face dos cartões da Presidência da República. Conversaram demais, conversa fiada demasiada para o nosso gosto. Está nas mãos deles, se disserem erramos, queremos reconhecer o peso e o direito de vocês nós podemos, tranqüilamente, sentar e conversar com ele”.
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Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil






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