Ministério da Saúde ainda não sabe quando vacina contra catapora integrará calendário

São Paulo – O Ministério da Saúde ainda não tem previsão de quando a vacina contra a catapora (varicela) poderá integrar o Calendário de Vacinação Infantil.

“Mesmo tendo integrado um grupo de vacinas que passaram por avaliações este ano para inclusão no Calendário de Vacinação Infantil, no momento não há nenhuma indicação de que isso ocorra”, informou o ministério.

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina é produzida com vírus vivos atenuados e sua eficácia é estimada entre 80% e 85% contra a infecção habitual e de 90% contra as formas graves.

A vacina só está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) em situações especiais como surtos da doença; para profissionais de saúde, pessoas e familiares que estejam em convívio domiciliar ou hospitalar com pacientes; para pacientes que vão fazer uma quimioterapia; para HIV-positivos; para pessoas suscetíveis à doença que serão submetidas a transplante de órgãos; para indígenas; e para pessoas imunocomprometidas, como aquelas que têm leucemia linfocítica aguda.

De acordo com a pediatra e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Regina Célia Menezes Succi, especialista em infectologia pediátrica, a vacina contra a catapora “é extremamente segura e eficaz”.

“Todas as crianças deveriam tomar assim que completam um ano de idade, e também os adolescentes e adultos que não tiveram a doença ou não receberam a vacina.”Mas somos um país muito grande e o número de crianças que nascem todos os anos é alto”.

Segundo ela, o governo define algumas prioridades porque, uma vez que a vacina entre no calendário oficial, será obrigatório disponibilizá-la para todos os brasileiros que estão na condição de tomar a vacina. “Por esta razão, muito provavelmente, o Ministério da Saúde ainda não incluiu essa vacina no calendário oficial”, disse a professora em entrevista à Agência Brasil.

A pediatra acredita que, nos próximos dois anos, o Ministério da Saúde deva incluir a vacina no calendário “porque as internações hospitalares e as complicações da varicela determinam um alto custo para a saúde no país”.

A catapora é uma doença comum na infância, transmitida por via respiratória e com imunidade duradoura (somente em casos excepcionais ela ocorre uma segunda vez na mesma pessoa). “É uma das doenças de maior grau de transmissão interpessoal”, afirmou a pediatra. “Quem não recebeu a vacina, deverá ter a doença até chegar a adolescência em mais de 90% dos casos”.

Geralmente a catapora é benigna, mas há casos em que pode provocar complicações, “desde infecções secundárias nas lesões da pele até encefalites e quadros de infecções muito graves, até a morte”, disse a pediatra.
Os sintomas mais comuns da doença são coriza, irritação nos olhos e lesões na pele (bolhas), que provocam coceira. Não existe tratamento ou remédios específicos para o controle da doença.
Na semana passada, a pedido do Ministério Público Federal em Guarulhos, o desembargador federal Lazarano Neto, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª região, em São Paulo, concedeu uma liminar determinando que o Ministério da Saúde forneça cinco mil doses de vacina contra catapora para o controle do surto da doença em Santa Isabel.
A Secretaria Municipal de Saúde de Santa Isabel, na grande São Paulo,  confirmou a morte de duas crianças por catapora. A secretaria também informou que, tão logo o surto de catapora foi detectado, por volta de novembro do ano passado, pediu à Secretaria de Saúde do estado 829 doses de vacina, que foram aplicadas em 712 crianças em creches e escolas.

Segundo a Imprensa Oficial do município, 156 casos de catapora foram registrados na cidade durante todo o ano passado. Neste ano já houve oito casos, o último deles no dia 13 de fevereiro. Como o período entre o último e o penúltimo caso foi de 23 dias, a secretaria considera que não haja mais surto da doença na cidade e que não haja, no momento, a necessidade do envio de doses para a cidade, conforme foi solicitado pelo Ministério Público Federal.
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Elaine Patrícia Cruz
Repórter da Agência Brasil

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