
Luiz Sérgio, relator da CPMI, disse que o interesse de esconder informações é dos oposicionistas.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que analisa os gastos do governo federal com cartões corporativos e contas tipo B pode se encerrar “diante da intransigência da base aliada em não permitir a convocação para depoimentos de pessoas ligadas à Presidência da República e a requisição de documentos considerados sigilosos”. O anúncio foi feito nesta quinta-feira pela presidente da CPMI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS).
A senadora disse que, se os parlamentares governistas continuarem a rejeitar os requerimentos de convocação, poderá determinar um prazo para a elaboração de relatório final e determinar o fim das reuniões.
Na reunião desta quinta-feira, a base governista rejeitou a convocação de nove pessoas, oito delas funcionários da Presidência da República. Marisa Serrano anunciou que vai se reunir na próxima semana com o relator da CPMI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), e com o primeiro vice-presidente, deputado Marcelo Melo (PMDB-GO), para decidir os rumos dos trabalhos.
Troca de acusações
A reunião da CPMI foi marcada pela troca de acusações entre governistas e oposicionistas pelo vazamento de dados sobre gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique e de sua esposa, Ruth Cardoso. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) reagiu por ter sido apontado como o responsável pela divulgação do dossiê e considerou “surreal” ser questionado pelo fato. Mas o deputado Silvio Costa (PMN-PE) não se contentou com as explicações e pretende recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) contra a permanência do senador na CPMI.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), sugeriu à presidente da CPMI que ela fixe prazo para a elaboração do relatório e encerre as reuniões da comissão se não houver votação dos requerimentos. Virgílio disse que, dessa forma, a oposição estará liberada para prosseguir a investigação por outros meios.
O relator, porém, afirmou que a base tem interesse em prosseguir nas investigações e chegar ao fim dos trabalhos. Luiz Sérgio considera estranho o interesse da oposição em terminar os trabalhos. “Parece que a oposição tem algo a esconder”, disse.
Luiz Sérgio acrescentou que a CPMI está mantendo o plano de trabalho aprovado na primeira reunião, e que a posição do governo é a de não deliberar sobre quebra de sigilo de gastos de funcionários da Presidência da República até que sejam ouvidos especialistas em segurança pública, o que deve ocorrer na próxima terça-feira (8).
Movimentação de cartões
O relator informou que a CPMI receberia do Ministério do Planejamento, ainda nesta quinta-feira, os primeiros documentos a serem entregues à comissão: 72 caixas com documentos sobre a movimentação de cartões corporativos e contas tipo B do governo federal. Luiz Sérgio adiantou que vai se reunir com toda a equipe técnica para estabelecer uma metodologia de trabalho “que seja eficiente para verificar qual é a melhor forma para começar a manusear esses dados que começam a chegar no Senado”.
Na semana que vem, os depoimentos serão do chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Félix; e do ministro do Turismo, Orlando Silva.
Votações
Nas votações desta quinta, a CPMI rejeitou a convocação dos seguintes funcionários da Presidência da República: Maria de la Soledad Bajo Catrillo, Anderson Ferreira de Aguiar, Clever Pereira Fialho, Josafé Fernandes de Araújo, José Carlos Ferreira Fernandes, José Ivo de Souza Barbosa e José Roberto de Assis Possa.
Também foi rejeitada a convocação do presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto. No entanto, foi aprovada a convocação do diretor do Banco do Brasil Cartões, Alexandre Correa Abreu, pois os parlamentares entenderam que seu depoimento não tratará de dados sigilosos.
Notícias anteriores:
Ex-ministros de FH pedem dados sobre cartões e contas B
Em reunião tumultuada, CPMI rejeita convocação de Dilma
Ministro diz que saque com cartão corporativo é anomalia
Controladoria: saques são o maior problema dos cartões
TCU constatou crimes fiscais em notas de cartões
Reportagem - Vania Alves e Mônica Montenegro
Edição - Regina Céli Assumpção







Comente