O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Cartões Corporativos
, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), disse nesta quinta-feira (3), em entrevista à imprensa, que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi convocada pela Comissão de Serviços de Infra-Estrutura (CI) do Senado para falar sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e não sobre o dossiê com informações sobre as despesas do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Nesse sentido, o relator disse que considerou positiva a convocação da ministra.
- A Comissão de [Serviços de] Infra-Estrutura do Senado aprovou a convocação da ministra Dilma Rousseff para falar sobre um tema que ela tem domínio, que ela está gerenciando, que é o PAC. Isso é positivo. Se o assunto da convocação foi esse, evidentemente que ela vai se restringir ao tema da convocação. A sociedade como um todo e, em particular, a Câmara e o Senado, precisam debater, acompanhar, fiscalizar o PAC. Foi uma posição muito positiva da CI e ela virá sem problema algum, até porque ela tem muito orgulho do papel que está desempenhando nesse programa - disse o deputado petista.
Luiz Sérgio disse que a CPI dos Cartões Corporativos deve se ater às contas e aos gastos com suprimentos de fundos, que são feitos com o cartão corporativo e as contas tipo B, que foram extintas. Ele acrescentou que os primeiros documentos chegariam na tarde desta quinta-feira e que esse material servirá de base para o início do trabalho. O relator afirmou que essa documentação ainda é insuficiente para o trabalho investigativo e que o debate sobre a restrição ou não de saques em dinheiro e a restrição de emissão de cartões corporativos vai depender dos depoimentos agendados.
- Nós estamos mantendo a coerência do roteiro que apresentei. Não dá para colocar o carro na frente dos bois. Em relação ao tema segurança do Estado, segurança institucional, nós defendemos só deliberar sobre essa questão depois do debate com os generais e com a Abin [Agência Brasileira de Inteligência]. Como os requerimentos foram apresentados antes do debate, só nos restou o caminho da rejeição - acrescentou.
Em relação à denúncia de envolvimento do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) na divulgação do dossiê, o relator disse que o essencial não foi revelado: por que ele não denunciou isso no dia em que a CPI foi instalada? Por que ele guardou esse segredo por mais de 30 dias? Para o deputado, Alvaro Dias tem a obrigação moral e ética de revelar os nomes das pessoas que lhe mostraram ou lhe entregaram o dossiê.
- O caso é grave porque qualquer fato relativo a dossiê sobre quem quer que seja é muito grave. Revelar à opinião pública dados que são sigilosos é também muito grave. E ter conhecimento desses fatos e não denunciar isso de forma muito pública, dando os nomes das pessoas, revelando os fatos, mas, ao contrário, manter a ocultação, ao meu ver, também é muito grave - afirmou.






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