A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural realizou às 9 horas de ontem, 24, audiência pública para discutir denúncias publicadas em março pela revista IstoÉ de que existem áreas em Rondônia sob o domínio da Liga dos Camponeses Pobres. De acordo com a reportagem, a liga seria um grupo armado que possuiria 20 acampamentos em Rondônia, em Minas Gerais e no Pará.
Ainda segundo a publicação, em Rondônia os integrantes do movimento controlariam 500 mil hectares de terra. O grupo teria feito 22 vítimas só no ano passado. A reportagem diz que a liga combate “a burguesia, o imperialismo e o latifúndio” e teria assaltado, torturado e matado moradores da região, especialmente fazendeiros e trabalhadores de fazendas.
A revista IstoÉ denuncia ainda que só conseguiriam transitar livremente no território caminhões de madeireiros clandestinos, que pagariam pedágio ao grupo. Em troca, os integrantes da liga dariam segurança armada para os madeireiros roubar árvores de propriedades privadas. Outra denúncia é que os integrantes do movimento teriam aberto uma estrada até a Bolívia, por onde passariam com drogas e armas.
A Liga dos Camponeses Pobres divulgou nota repudiando a reportagem. Segundo a liga, trata-se de matéria paga com o objetivo de servir de justificativa para ações repressivas a camponeses pobres.
Omissão
A audiência foi sugerida pelos deputados Giovanni Queiroz (PDT-PA), Ernandes Amorim (PTB-RO) e Moreira Mendes (PPS-RO). “Isso é guerrilha rural, que já se instalou no Brasil. O pior de tudo é a conivência do Estado brasileiro com essa prática. A omissão, neste caso, é exatamente a co-responsabilidade pelos atos que estão sendo praticados por aqueles que afugentam homens e produtores rurais”, afirma Giovanni Queiroz.
Convidados
Participaram do debate:
- o delegado regional executivo da Polícia Federal, Marcelo Salvio Rezende Vieira;
- o juiz de Direito da Comarca de Buritis (RO), Jeferson Cristi Tessila de Melo;
- o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho;
- o secretário-adjunto da Segurança, Defesa e Cidadania Pública de Rondônia, Cezzar Pizzano;
- o diretor de Polícia Legislativa da Assembléia de Rondônia e ex-comandante da PM de Jaru, tenente-coronel Enedy Dias Araújo;
- o comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental de Candeias do Jamari (RO), tenente-coronel Josenildo Jacinto do Nascimento;
- o autor da reportagem, Alan Rodrigues.
- o representante da Liga dos Camponeses Pobres Nilo Halack;
- um representante da Comissão Pastoral da Terra.
A audiência foi realizada no plenário 3.
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O secretário-adjunto da Segurança, Defesa e Cidadania Pública de Rondônia, Cezar Pizzano, afirmou que a Liga dos Camponeses Pobres e o Movimento Revolucionário Sem Terra recebem recursos de organizações internacionais e orientação e treinamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do grupo Sendero Luminoso, do Peru. Pizzano disse que essas organizações tiveram origem no interior de Minas Gerais e se espalharam por Pará e Rondônia. Segundo ele, trata-se de entidades oriundas de grupos de esquerda da década de 60, de orientação maoísta.
As declarações foram feitas na audiência pública da Comissão de Agricultura que discute denúncias publicadas em março pela revista IstoÉ de que existem áreas em Rondônia sob o domínio armado da Liga dos Camponeses Pobres. A audiência ocorre no plenário 3.
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