Como está na Argentina e no continente a luta contra a militarização, pela soberania e a favor da paz?
Rina Bertaccini - Nos parece este um momento bastante especial porque estes três temas estão absolutamente entrelaçados. Serão um marco de um avanço dos movimentos progressistas do continente e com algumas temáticas muito concretas. O mais recente é o que passou com o resgate de prisioneiros e o assassinato do negociador das Farc por parte do governo de Uribe (Colômbia) com ajuda dos ianques (norte-americanos). Aí se pode ver claramente que a América Latina está se insubordinando contra o império (EUA) e se não vencer, há uma grande mudança nesse sentindo.
O que os ianques queriam se embargou na reunião da OEA quando se tratou este tema. Uribe e Bush ficaram sozinhos contra todos os outros países, inclusive aqueles que não são tão progressistas. O certo é que condenaram, rechaçaram toda a política de guerra de Uriba que é a política de guerra de Bush.
Este feito me parece que colocou muito claro que hoje na América Latina, paz, soberania, solidariedade e integração são parte de um todo e que os povos seguem avançando. Porém os avanços não são sempre tão lineares, ocorrem problemas, retrocedem um pouco, se retrocedeu com o lado humanitário porque Uribe praticamente não entregou nenhum prisioneiro.
E depois, quando havia avançado a idéia precisamente que se podia avançar na busca de uma solução negociada e esta barbaridade, assassinaram o negociador das Farc. Isto não tem nada ver com que se é a favor ou contra as Farc. Isto tem a ver que se um não quer negociar não pode assassinar. Se não querem se comunicar não pode matar o mensageiro e o que estava fazendo assim Raul Reyes, que nós conhecemos pessoalmente. Reyes, historicamente, um homem que trabalhou pela paz, nem sequer era um homem armado. Era um homem que sempre esteve nesta coisa e este era um acampamento profissional para negociar precisamente a libertação de Ingrid Bittencourt e isto reconheceu até o governo francês. Este foi um fato muito grave, muito lamentável, do ponto de vista que se perderam 25 vistas humanas.
Porém no plano político é um ato muito grave porque retroagiu uma situação anterior, ao momento em que a iniciativa de Chavez e de Piedad Córdoba se avançava na mediação de um acordo.
Porém está claro que nem EUA nem a Colômbia esperava, a reação firme do governo equatoriano, de Chavez e de Rafael Correia. Todo mundo rechaçou o plano de guerra. E isto está indicando que os povos querem outra coisa, a margem de que um governo avance mais, avance menos, a mim me parece que cessa a tônica que temos no continente, é muito forte e espero que se expresse neste fórum também. Pelo menos desejo, de todo coração.
A indústria bélica é muito forte, tem estudos de que a guerra do Iraque custa US$ 6 trilhões. Como enfrentar uma indústria tão poderosa?
Rina Bertaccini – O problema é que se podemos avançar, não só na América, senão no resto do mundo, combinemos e expliquemos este grande negócio horripilante da morte. Na verdade que um mérito tem o Bush é que todo mundo está contra o Bush e os que estão a favor não se animam defende-lo, de tão desprestigiado que está.
Creio que o caminho é este. Por isto me parece que toda mobilização do fórum, a discussão para explicar isto tem enorme importância. Nós acabamos de vir de uma assembléia do Conselho da Paz em Caracas e uma conferência mundial aberta, que logicamente estas coisas nunca são perfeitas, porém há uma grande tônica que é buscar a unidade pela diversidade. E isto para mim me parece que tem uma enorme importância. A delegação Argentina tinha 15 pessoas e cada um era uma força política, ou de uma força social ou de espaço diferente e isto me parece que é pressão do que está passando.
Porém o império contra-ataca, porque efetivamente é um enorme negócio, é sabido que a guerra do Iraque não se justificou de nenhuma maneira, em nenhum momento havia muito a ser notado, que estavam negociando com as grandes empresas transnacionais o negócio da reconstrução do Iraque, quando tinha começado a guerra. Quer dizer, vendem as armas depois vendem o negócio da reconstrução.
O bom é que podemos denunciar estas coisas, creio que este é o caminho. Se os povos assumem uma consciência plena de liberdade da América. Por exemplo, a nós sempre disseram que o problema é que as Farc são terroristas e precisam de recursos de Bush. Na verdade nós com movimentos não se animam com este discurso, em que sentido? Em que plano? Não escutamos em todo caso a situação internacional da Colômbia, porém na Colômbia tem uma guerra onde nem Uribe pode derrubar as Farc nem salvar a nação, quer dizer, o racional é buscar um caminho de solução política negociada, não há outro.







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