A integração entre os povos da América Latina esteve presente no discurso de todos os representantes dos movimentos sociais que integraram a mesa de honra, neste sábado (26), durante a solenidade de abertura do Fórum Social do Mercosul, em Curitiba.
A presidente da Associação das Mulheres do Paraguai, Lígia Prieto, já abriu seu discurso comemorando a vitória do bispo Fernando Lugo à presidência do Paraguai. “O povo paraguaio ganhou da máfia e da corrupção. Este novo governo que se instalará em 15 de agosto garantirá a integração dos povos da América Latina e não o retrocesso do Paraguai. Se a América Latina não estiver unida não haverá tratado de livre comércio. O Paraguai quer e precisa melhorar a sua organização, juntamente com outros países da América Latina”, afirmou.
A Argentina foi representada pela secretária executiva da Central dos Trabalhadores da Argentina, Alejandra Agriman. “Há muito tempo os líderes de movimentos sociais na Argentina decidiram se esforçar e trabalhar em prol da integração entre as camadas sociais e de um novo modelo produtivo. Isso inclui, necessariamente, a integração entre os países do Mercosul e discussões como esta que está sendo proposta no Paraná”, resumiu
O Uruguai falou sobre a importância do plebiscito contra a privatização da água. Carmen Sosa, que liderou o processo no país em 1990 reforçou a importância da participação dos Movimentos Sociais para garantir a vitória.
“A força dos movimentos sociais derrotou o poder do capitalismo americano e em 1992 o Uruguai promoveu o primeiro plebiscito contrário à privatização do uso da água com a participação dos cidadãos. Mais de 70% das pessoas votaram favoráveis à concessão dos serviços às empresas públicas e não particulares”, lembrou Carmem Sosa.
A luta por uma legislação eficiente em defesa da água como bem público também foi a necessidade apontada pelo bispo dom Ladislau Biernaski. que representou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. “Os governos devem se comprometer a declarara a água como um bem público e essencial à humanidade mas, mediante uma legislação adequada. E neste evento, teremos a oportunidade de promover esta discussão.
“Obtemos essa vitória contra uma forte onda que vinha ocorrendo para habilitar a entrada de empresas privadas no processo”, revelou Carmem Sosa.
Democratização da informação – A democratização da informação na América Latina foi lembrada pelo presidente da Televisão Estatal da Venezuela (Telesur), Beto Almeida e pelo presidente do Fórum Nacional de Democratização da Informação, Celso Schoreder.
“Este é um momento importante para a América Latina e para a televisão com o fortalecimento das televisões públicas comprometidas com mudanças civilizatórias, integrada entre governo e população de toda a América Latina. Precisamos de uma política de defesa para que os meio de comunicação atuem de maneira decente e não fazendo um terrorismo midiático contra os governos que defendem as massas populares”, reforçou Almeida.
A presidente do Conselho Mundial da Paz e secretária de Justiça e Direitos Humanos do Pará, Socorro Gomes, também destacou a necessidade da integração entre os povos com o propósito de garantir a paz entre os países.
“É a necessidade de sobrevivência física da humanidade. Precisamos buscar e construir iniciativas de integração reais. Por isso, apoio a proposta do governador Requião de construir um caminho para a Bolívia no Paraguai”, relatou.
Entre os representantes presentes à mesa a líder do plebiscito Uruguaio contra a privatização da água, Carmem Sosa; a presidente da Associação das Mulheres do Paraguai, Lígia Prieto; representante do Movimento Popular do Paraguai, Orlando Castilho; Presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf; representante do Movimento Construtoras do Futuro da Colômbia, Bertina de Jesus Calderon Arias; representantes da Associação de Mulheres “Nela Martinez” do Equador, Rosa Mercedes Salazar Dias; presidenta da União de Mulheres Argentina e vice-presidenta da FDIM, Maria Inés Brassesco; Movimento de Mujeres ‘Clara Zetkin’ da Venezuela, Claudia Herra; representante do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR8), Márcio Cabreira; secretária de Relações da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Maria Pimentel; deputado federal e representante brasileiro no parlamento do Mercosul, Dr Rosinha; presidente do Fórum Nacional de Democratização da Informação, Celso Schoreder; presidente da Telesur, Beto Almeida; representante do Conselho Nacional das Igrejas Critãs (Conic), padre Carlos Moeller e o bispo Don Ladislau Bienarski.






