“A gente precisa implementar nas universidades uma política de intercâmbio que facilite o trânsito dos estudantes brasileiros para outros países do Mercosul e de outros países também virem estudar no Brasil, tendo seus diplomas reconhecidos”, completou. Segundo ela, os temas são bandeiras de luta de todos os estudantes do país.
Leia a seguinte a entrevista com Lúcia
Neste momento está em curso um novo marco no continente com a eleição de vários governos populares, o último Fernando Lugo no Paraguai. De que forma os estudantes podem contribuir e se organizar na defesa de um mundo mais justo?
Lúcia Stumpf – Acho que o Fórum Social, nesse contexto de novos governos progressistas no nosso continente, em especial aqui no Mercosul, é um fórum que ganha uma importância muito grande, porque com governos progressistas eleitos, é necessário ainda mais força e organização dos movimentos sociais, da sociedade civil para que a gente possa pressionar pelas transformações e construir a base necessária para que as transformações aconteçam.
São transformações necessárias como a reforma da educação que a gente precisa implementar no Brasil e em todos os outros países do Mercosul, reformas trabalhistas que a gente também precisa construir e todas essas só virão a partir da nossa organização e o movimento estudantil de todo o continente está reunido, tem feito fóruns em conjunto, não só deste Fórum Social do Mercosul, mas também tem se reunido em fóruns próprios porque entende que a nossa unidade, a nossa organização e a nossa mobilização que vai ser capaz de construir um intercâmbio maior a partir da universidade, a partir das escolas.
A gente precisa, por exemplo, implementar o espanhol como segunda língua obrigatória no Brasil para garantir um diálogo maior com o nosso continente. A gente precisa implementar nas universidades uma política de intercâmbio que facilite o trânsito dos estudantes brasileiros para outros países do Mercosul e de outros países também virem estudar no Brasil, tendo seus diplomas reconhecidos.
Essa é a batalha que a gente vai travar, vai se fortalecer com a realização desse fórum aqui em Curitiba, que para nós também é um marco muito importante. Curitiba é uma capital, no contexto de Estado, um Estado muito progressista, que vem desenvolvendo políticas importantes, fortalecendo o conjunto dos movimentos sociais, e que por isso, acho que é muito simbólico a gente realizar aqui esse Fórum Social do Mercosul, nesse contexto de avanços do nosso continente.
Em artigo o jornalista Luiz Carlos Pereira falou do fim do neoliberalismo. Existe um avanço dos setores mais esquerdos do continente? Há a perspectiva que a educação não seja manipulada mais por setores neoliberais como vem ocorrendo ultimamente?
São governos que todos eles tem como característica uma maior democracia, um maior acesso dos movimentos sociais aos presidentes, aos governantes e que com isso a gente acredita que, com a pressão dos movimentos. Com o diálogo entre os movimentos e os governantes, a gente vai conseguir avançar no processo, que além de barrar o neoliberalismo, vai conseguir conquistar uma educação com mais investimentos públicos.
A década de 1990 toda foi muito nefasta no nosso continente nas políticas educacionais, a educação pública deixou de receber investimentos, foi sucateada, chegou ao seu limite da existência com a mercantilização da educação sendo implementada de forma muito dura e hoje a gente precisa além de frear esse processo neoliberal, reverter essa política, garantindo maior investimento na educação.
Aqui no Brasil a gente exige 10% do PIB (Produto Interno Bruto) investidos na educação para que a gente consiga superar as dificuldades de toda uma década perdida para as universidades e para as escolas, toda uma década que precisa ser superada com grandes investimentos que valorizem a universidade e a escola pública e que garantam esse maior intercâmbio no nosso continente.






