O governador Roberto Requião abriu na manhã deste sábado (26) o Fórum Social do Mercosul, que ocorre até esta segunda-feira (28), em Curitiba. Em seu discurso, o governador defendeu a integração solidária entre os povos e os países da América do Sul.
“A nação tem compromisso com o amor e a solidariedade e a América do Sul que nós queremos é a América do Sul que viva a garantia das características de cada povo, mas que a isto tudo se sobreponha uma visão de irmandade e de solidariedade que signifique a proximidade e a construção de um processo civilizatório sul-americano”, declarou Requião.
Dentro desse princípio, o governador do Paraná sugeriu aos participantes do fórum que discutam no fórum uma proposta que pode contribuir sobremaneira para essa integração, particularmente para a união entre Paraguai e Bolívia. A idéia lançada por Requião é a de que o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, permita em seu governo a instalação de um porto no Rio Paraguai que seja administrado pela Bolívia. A implantação desse porto boliviano em território paraguaio permitiria à Bolívia ter uma saída para o mar – o Rio Paraguai integra a Bacia Platina, cuja foz no Oceano Atlântico se dá no Rio da Prata (fronteira do Uruguai com a Argentina).
Essa sugestão, observou o governador, resolveria um impasse histórico, que foi motivo de uma guerra entre Paraguai e Bolívia patrocinada pela Inglaterra, ocasião quando morreram mais de 90 mil pessoas, dos dois países. “O objetivo mais claro da guerra era a obtenção pela Bolívia de uma saída para o mar através do Rio Paraguai. Coloco como proposição a ser votada posteriormente por este fórum, uma recomendação ao nosso irmão e companheiro (Fernando Armindo) Lugo Mendez: que abra um espaço no Rio Paraguai para que ali se instale um porto boliviano, desta forma dando um passo importante e necessário para a unificação da América do Sul”, disse Requião.
O governador fez questão de salientar também que as relações entre Paraguai e Brasil, com o novo governo no país vizinho, de maneira alguma serão abaladas. “As questões entre os dois países serão tratadas com a generosidade que o Paraguai merece. Tenho conversado sobre isso com o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) e com o presidente Lula”, declarou Requião.
Confira a íntegra do discurso de Requião
“Cabe a mim a tarefa de dar aos companheiros de outros países as boas vindas neste nosso fórum das Américas, onde nós pretendemos a afirmação da solidariedade fundamentalmente sul-americana. Uma afirmação que se reitera com a eleição do nosso companheiro Fernando Armindo Lugo Mendez para presidência do Paraguai.
Por mais paradoxal que pareça esta reunião de vários países, é uma reunião fundamentalmente nacional. A afirmação da qualidade nacional de cada país da América do Sul, a afirmação nacional que se contrapõe a fria visão de países como meros mercados a disposição das bolsas e dos movimentos financeiros.
Há uma contradição fundamental entre nação e mercado. O mercado tem o único e exclusivo compromisso: o compromisso com o lucro que movimenta sob as finanças das bolsas do mundo, com a velocidade da internet, causando desemprego com a brutalidade da especulação. A nação, diferentemente do mercado, tem características próprias. A nação tem espaço territorial conquistado com o suor e sangue dos povos ao longo da sua história.
As nações têm história e têm processo civilizatório. O mercado, apenas a intenção e o compromisso com o lucro. As nações têm o compromisso superior de solidariedade com os povos, como dizia o César Benjamin, “solidariedade a estes bípedes impunes que somos nós”. A nação tem compromisso com o amor e a solidariedade e a América do Sul que nós queremos é a América do Sul que viva a garantia das características de cada povo, mas que a isto tudo se sobreponha uma visão de irmandade e de solidariedade que signifique a proximidade e a construção de um processo civilizatório sul-americano.
É evidente que as discussões aqui serão fundamentais. A discussão sobre a água, que desde o direito romano é um bem fora do comércio, e que os mercados querem transformar em “commodities”. A discussão da soberania, da educação e dos direitos constitucionalizados.
É evidente que aqui nós vamos encaminhar propostas, mas para ser breve e não aborrecê-los e para dar um sentido mais claro e objetivo à esta reunião de abertura do Fórum das Américas, quero fazer aqui uma proposta, uma proposta de recomendação.
Noventa mil pessoas morreram na guerra do Paraguai com a Bolívia, patrocinada por interesses ingleses e que viabilizou a existência de uma certa tensão ideológica até hoje.
O objetivo mais claro da guerra era a obtenção pela Bolívia de uma saída para o mar, através do Rio Paraguai. Coloco como proposição a ser votada posteriormente por este fórum, uma recomendação ao nosso irmão e companheiro Lugo Mendez: que abra um espaço no Rio Paraguai para que ali se instale um porto boliviano, desta forma dando um passo importante e necessário para a unificação da América do Sul.
Tenho certeza… Tenho certeza absoluta que as questões entre Brasil e Paraguai serão tratadas com a generosidade que o Paraguai merece do Brasil, que foi no passado um dos membros da Tríplice Aliança. Tenho conversado sobre isso com o chanceler Celso Amorim e com o presidente Lula, mas que a generosidade do Brasil tenha como contrapartida não necessária, mas importante, a generosidade do Paraguai com a Bolívia na construção deste grande nação sul-americana com igualdade e direitos sindicais, direitos sociais e fundamentalmente respeito as pessoas.
Declaro desta forma, Dom Ladislau Biernaski, aberto o nosso Fórum das Américas.
Sejam todos bem-vindos!”






