
Brasília – O representante regional do escritório da ONU contra as drogas no Brasil e Cone Sul, Giovanni Quaglia, participa de entrevista coletiva Foto: Valter Campanato/ABr
Brasília – O aumento no consumo de cocaína e maconha no Brasil apontado pelo Relatório Mundial sobre Drogas 2008, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc), não representou “nenhuma surpresa” para o secretário Nacional Antidrogas, general Paulo Uchôa, diante dos números apresentados por nações vizinhas.
“[O relatório] Coloca o Brasil, no que diz respeito ao consumo de drogas, não vou dizer que em uma situação cômoda, mas comparativamente, o consumo de drogas ilícitas no país está em um nível bem abaixo do restante do mundo”, disse.
Uchôa questionou a metodologia utilizada pelo Unodc para publicar o relatório. O órgão, segundo ele, aponta números de consumo de drogas com base na população brasileira como um todo, enquanto o governo federal apresenta levantamentos que têm como base apenas as 108 maiores cidades do país, com mais de 200 mil habitantes.
“Enquanto eles trabalham com uma população de 122 milhões [população brasileira na faixa de 12 a 64 anos de idade], nós trabalhamos com a ordem de 42 milhões, que nos fornecem dados de 0,7% de consumo ao ano de cocaína. Há essa discrepância”, apontou.
Giovanni Quaglia, representante do Unodc para o Brasil e para a América do Sul, argumenta que o alto consumo de drogas no país permanece porque o Brasil ainda é tido como uma das principais rotas para o tráfico de drogas, sobretudo da cocaína produzida em países andinos e enviada à África. Ele alertou que uma parte da cocaína contrabandeada fica retida nos países de trânsito, provocando o aumento do consumo interno.
Para Quaglia, a estratégia brasileira de combate ao uso de drogas deve ser baseada na prevenção, inclusive dentro de políticas de saúde pública e de respeito aos direitos humanos.
“Consideramos que mais esforço têm que ser feitos, sobretudo em termos de prevenção primária, por meio da educação e também para ajudar quem já está como dependente químico a se reinserir na sociedade. Isso contribuiria para a redução do tráfico de cocaína”, defendeu.
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Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil





