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SOMOS TODOS IGUAIS
Eva de Fátima Gomes de Oliveira
Vivemos em tempos apocalípticos, onde o amor realmente parece estar esfriando entre as pessoas. O ser humano pouco se importa com o seu próximo. Raros são os gestos de solidariedade e imensuráveis os atos de egoísmo explicito. Não se vê o outro como a si mesmo. Poderíamos viver num mundo melhor se na loucura dos tempos modernos não nos esquecêssemos de olhar ao redor, basta ao redor.
E nesse olhar existe a necessidade e a urgência de que venha acompanhado de um gesto e, nesse primeiro momento nem mais nem menos, basta um sorriso.
A ganância de alguns, a violência de outros, sentimentos de ira e de
crueldade foram tomando lugar do amor e da esperança. Tornamo-nos seres egoístas demais para perceber que o que dói em nós é tão igual ou maior em outras pessoas. O desamor se infiltrou
nas famílias e o que ouvimos são casos terrivelmente cruéis, aonde o comportamento entre pais e filhos chegou ao absurdo insano do matar ou morrer.
A insatisfação, por mais que realizemos, é constante. Tudo se tornou fácil demais, banal demais. Viver sem ilusões ou esperanças se tornou
uma rotina pesada para se carregar sozinho, então criamos nossas próprias doenças, dores muito mais da nossa alma, do que realmente do físico, e recorremos a médicos, entupimos o sistema de saúde pública e os consultórios carregando nossos fantasmas; carências por
aquilo que não alcançamos mais: a satisfação do ideal realizado.
Deixamos o entusiasmo esquecido em alguma parte do caminho, num insondável labirinto de modernismo
s que nos consumiu não apenas o tempo, mas também a alegria das pequenas conquistas, dos pequenos sacrifícios para se chegar como um super atleta no lugar mais alto do pódio.
Perdeu-se o encanto do que uma vez nos foi motivo de grandes esperas. Valores adormecidos se esquecem nos celeiros fechados da nossa memória, a vida se torna mais e mais vazia e a alma nos cobra que sonhemos. A vida insiste em nos ch
amar para as manhãs. Precisamos reunir de novo a família, enxergar o outro como a nós mesmos, buscar lá no intimo de cada um a solidariedade e a generosidade que cada um de nós
necessita, para que a alma se aqueça e volte a irrigar nas veias o sopro mágico do amor pela vida.
É preciso redescobrir esse sentimento, para que não pereçamos no submundo das indiferenças e das desigual
dades tantos sociais como morais. Temos o direito e o dever de preservar a vida e a dignidade de vivê-la plena e satisfatoriamente em liber
dade. Temos o livre arbítrio por direito adquirido, mas racionalidade o suficiente para respeitar o espaço de cada um, sabedores que de carne e sangue somos todos nós, criados pela mesma mão que desenhou o universo.
(Eva de Fátima Gomes de
Oliveira – Jaú/ São Paulo/ Brasil)
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/evadefatima





3 Comentários
Você continua na crença das boas leituras com que me encontro vida afora. Em prosa e verso, a prosa sempre o verso espelha e o verso espelha sempre a prosa. Parabéns
Eva, gente sente falta de gente, mas quando fica perto de gente esquece que também é gente. Parabéns pelo excelente texto, Beijos carinhos.
Sônia
Qurerida Eva, quero lhe dizer que o seu texto é um primor e vai certeiramente no ponto central da questão que é a necessidade urgente de buscarmos a generosidade, para que a alma volte a ficar aquecida e o mundo mais suave. Grande Beijo.
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