Analistas já prevêem retração da economia para este ano

Brasília – Analistas de mercado consultados pelo Banco Central (BC) prevêem retração da economia neste ano. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, ficou negativa em 0,19%. Na semana anterior, a previsão era de estabilidade (0%) no crescimento econômico. As estimativas dos analistas fazem parte do boletim Focus, publicação semanal elaborada pelo BC.

Para 2010, foi mantida a projeção de crescimento do PIB de 3,5%. Os analistas também esperam por retração na atividade industrial de 3,06% neste ano (a previsão anterior era de 2,74%) e crescimento de 4% no próximo ano, a mesma projeção há sete semanas.

Os analistas alteraram a estimativa para o déficit em conta corrente (todas as operações do Brasil com o exterior) de US$ 23,6 bilhões para US$ 22,6 bilhões. Para 2010, a estimativa passou de US$ 24,4 bilhões para US$ 24 bilhões.

Para o superávit comercial, a projeção é de US$ 14,5 bilhões, contra a previsão anterior de US$ 14 bilhões. A expectativa para 2010 também aumentou, passando de US$ 12,95 bilhões para US$ 13,70 bilhões.

A projeção para o dólar ao final do ano permanece em R$ 2,30. Ao final de 2010, a estimativa é de R$ 2,29 (a projeção anterior era de R$ 2,30).

A estimativa para o investimento estrangeiro direto (caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na economia) permanece em US$ 22 bilhões neste ano e em US$ 25 bilhões em 2010.

Para a taxa básica de juros, a Selic, a expectativa é que feche o ano em 9,25%, a mesma estimativa anterior. Ao final de 2010, no entanto, a projeção para os juros básicos caiu de 9,5% para 9,38%.
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Agência Brasil

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Encontros entre países servem para ampliar relações comerciais, diz Lula

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (6) que encontros como a 2ª Cúpula América do Sul e Países Árabes, que ocorreu na semana passada, servem para estreitar as relações entre os blocos e promover “uma certa harmonia” entre chefes de Estado de diferentes continentes.

“Estamos criando maturidade política para ampliar as relações comerciais, políticas e culturais da com outros continentes”, disse, ao ressaltar que, atualmente, o saldo da balança comercial brasileira com os países árabes chega a US$ 20 bilhões. “Se você pega a América Latina, saímos de US$ 11 bilhões para quase US$ 30 bilhões, uma demonstração de que essas reuniões terminam por ser muito produtivas.”

Durante o programa semanal Café com o Presidente, Lula lembrou que, em agosto, países africanos e sul-americanos participam do mesmo tipo de encontro em Caracas para promover o comércio entre os continentes. “Isso faz com que nos tornemos menos dependentes dos blocos ricos.”

Para Lula, estancar a crise deve ser a prioridade do G20

Brasília – Ao comentar a reunião do G20 realizada em Londres na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (6) que há “vontade política” e “disposição extraordinária” por parte dos líderes e que a prioridade, a partir de agora, é “estancar a crise”. Ele elogiou ainda a decisão do grupo de retomar as discussões da Rodada Doha.

Lula ressaltou que houve consenso em relação às medidas a serem adotadas para reduzir os reflexos da crise financeira internacional e que, “pela primeira vez”, os presidentes demonstraram “maturidade” para lidar com o problema.

“Eu disse que os países emergentes não estavam precisando apenas da ajuda dos países ricos e que o que nós queríamos era que os países ricos resolvessesm suas próprias crises para que a gente pudesse voltar à normalidade”, disse, em seu programa semanal Café com o Presidente.

Lula lembrou que a crise nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia é de “grande profundidade” e que, por serem as economias com maior quantidade de crédito, “na medida em que páram, pára a economia mundial”.

“Penso que foi um passo extramamente importante para que os países que estão em piores situações possam voltar a crescer em 2010.”

Para o presidente, medidas anunciadas durante o encontro – como a decisão de fortalecer instituições multilaterais de financiamento – irão trazer resultados para os mais afetados pela crise, uma vez que as “condicionalidades da década de 80” para a concessão de financiamento não existirão mais.

Os líderes mundiais, segundo ele, estão “convencidos” de que é preciso retomar o crédito para facilitar o fluxo na balança comercial e que as economias precisam voltar a gerar empregos. Para Lula, esse é o sinal de que o Brasil está “totalmente correto” ao tomar medidas como fortalecer obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“Anunciamos um programa habitacional, um novo programa de redução de impostos para o carro e para a construção civil. Se todos os países fizerem isso, temos uma grande possibilidade de ver o emprego voltar a acontecer na vida das pessoas.”

Projeto busca interação do trabalhador com a cultura e a saúde

Brasília – O Ministério da Cultura lança hoje (6), às 16h, o Projeto Vidas Paralelas, que visa a promover uma interação do trabalhador com a cultura e a saúde e a dar mais visibilidade ao mundo do trabalho, por meio das expressões artísticas e culturais da classe trabalhadora.

Vão ser realizadas apresentações de curtas-metragens, das 16h30 às 17h30 no Auditório Guimarães Rosa, do ministério, com entrada gratuita. Na ocasião, serão exibidos os filmes Trabalhadora Saindo da Fábrica, de José Luiz Torres Leiva (filmado no Chile em 1989); Ilha das Flores, de José Furtado (feito no Brasil em 2005) e Brilho dos meus Olhos, de Alan Ribeiro (também rodado no Brasil em 2006).

O desenvolvimento do Projeto Vidas Paralelas está a cargo da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, em parceria com o Ministério da Saúde, a Rede Escola Continental em Saúde do Trabalhador e a Universidade de Brasília (UnB).

Brasil recebe amanhã novo navio para pesquisas na Antártida e na América do Sul

Brasília – A Marinha vai receber amanhã (7) o Navio Polar Almirante Maximiano, adquirido por iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à Antártida no início do ano passado. A incorporação à frota brasileira ocorreu no dia 3 de fevereiro deste ano na cidade de Bremerhaven, na Alemanha. A embarcação vai apoiar as pesquisas brasileiras na Antártida juntamente com o Navio Oceanográfico Ary Rongel e será utilizada também na área da América do Sul, na coleta de dados hidroceanográficos de interesse meteorológico e em estudos ligados à cartografia náutica.

Para se adequar às novas funções, foram feitas adaptações estruturais no navio, como a construção de laboratórios, espaços habitacionais, hangar e convés de vôo para operar aeronaves, podendo comportar aviões Esquilo e helicópteros. Trata-se de embarcação construída em 1974 no Estaleiro Todd (Estados Unidos), mas que teve sua estrutura totamente reformulada em 1988 no Estaleiro Aukra (Noruega).

O Navio Polar Almirante Maximiano vai atracar no Cais Paulo Irineu Roxo Freitas, na Diretoria de Hidrografia e Navegação do Rio de Janeiro, às 11h de amanhã. Na ocasião, será realizada a Parada Naval, homenagem que marca a incorporação à Marinha brasileira.

A embarcação recebeu o nome do Almirante Maximiano em uma homenagem ao então comandante da força, em cuja gestão foi adquirido o Navio de Apoio Oceanográfico Barão de Teffé, em 1982, que abriu caminho para a presença brasileira no Continente Antártico. A criação da Estação Comandante Ferraz, na ocasião, tornou o país membro do Tratado Antártico, com direito a voto nas decisões sobre a região.

A aquisição do Comandante Maximiano foi feita por meio de convênio entre a Marinha, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep).

Agência Brasil: clipping de notícias

País economiza R$ 370 milhões com sistemas de computador
18h01 De acordo com o Serpro, a economia obtida nos últimos 12 meses corresponde ao dobro do que foi gasto com o desenvolvimento dos programas de declaração do Imposto de Renda Pessoa Física e de consulta ao Siafi

Consulado em Nova York é informado sobre morte de professor brasileiro
19h15 Almir Olímpio Alves, de 43 anos, foi uma das vítimas do atentado na sede da American Civic Association, em Binghampton, estado de Nova York. Um homem armado com um rifle matou pelo menos 13 pessoas de diversas nacionalidades e depois se matou

Temporão defende exercício
físico para evitar doenças
14h28 Segundo o ministro da Saúde, meia hora de exercícios físicos por dia e uma alimentação saudável podem reduzir os riscos de doenças crônicas como o diabetes, a hipertensão e o câncer. Ele lançou, no Rio, o Plano Nacional de Atividade Física
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Indígenas e quilombolas terão em
julho benefícios da Previdência
11h14 Além de indígenas e quilombolas, agricultores familiares, pescadores artesanais e extrativistas poderão ser incluídos, sem maior burocracia, no sistema de benefícios da Previdência. O anúncio foi feito em Manaus pelo ministro José Pimentel

Câmara dos Deputados tem pauta trancada por oito medidas provisórias
10h13 Entre elas estão a MP 451, que cria duas alíquotas na tabela do Imposto de Renda e muda regras do seguro obrigatório de veículos, e a 452, que autoriza a União a incluir títulos da dívida pública no Fundo Soberano do Brasil
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Moradores da região de Congonhas protestam contra ampliação do aeroporto
14h40 Objetivo é tentar barrar projeto de reforma. O presidente da Associação dos Moradores do Entorno de Congonhas, Renê Cadaval, defende que o terminal seja utilizado por aviões com capacidade de transportar, no máximo, 100 passageiros

Em um mês, 628 mil telefones trocam
de operadora e mantêm número
14h50 Entre os usuários que mudaram de operadora em março, 427,2 mil (68%) usam o serviço de telefonia celular e 201,4 mil (32%) o de telefonia fixa. A portabilidade numérica começou a ser implantada em setembro de 2008

Privatização de bondinhos divide
opiniões em Santa Teresa
14h26 Nas ladeiras de Santa Teresa, não é difícil encontrar pessoas contra a privatização. Em muitas janelas, estão penduradas faixas contra a proposta do governo. A artesã Edinalva Silva acha que, com a medida, a passagem vai subir
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Pesquisa revela que nem todos querem ganhar chocolate nesta Páscoa
17h35 Segundo levantamento do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro, algumas pessoas estão preferindo roupas, calçados, celulares e CDs, e as crianças, brinquedos

Peixes-bois criados em cativeiro
retornam à natureza
12h17 Xibó e Mapixari, como são chamados, têm idade entre 8 e 9 anos e pesam 135 quilos cada um. Eles serão soltos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia na Reserva do Cuieiras, a 60 quilômetros ao norte de Manaus
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SINOPSES

06 de abril de 2009

O Globo

Manchete: Coreia do Norte desafia o mundo ao lançar foguete
Obama chama de provocação, mas ONU não obtém consenso sobre sanção

Em claro desafio à comunidade Internacional, a Coreia do Norte disparou ontem um foguete que, segundo governos de diversos países, seria na verdade um teste do míssil balístico Taepodong-2. Parte do foguete caiu no Mar do Japão e outra, no Oceano Pacífico. O presidente dos EUA, Barack Obama, chamou o teste de provocação e ressaltou a “necessidade de ação” contra a Coreia do Norte. Reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocada de emergência, porém, terminou sem consenso sobre sanções. (págs. 1 e 19)

Presidente antinuclear

O presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu ontem em Praga um mundo livre de armas nucleares e prometeu agir para alcançar o objetivo. (págs. 1 e 19)

MEC deve antecipar fim do vestibular
O ministro da Educação, Fernando Haddad, deve anunciar hoje aos reitores de universidades federais que ainda este ano será aplicado o novo Enem, que substituirá o vestibular. O ministério já conta com a adesão de 35 das 55 instituições federais de ensino superior. Reitores divergem sobre o ritmo de transição para o novo teste. (págs. 1 e 5)

Brasileiro está entre mortos por atirador nos EUA
O professor universitário Almir Olímpio Alves, de 42 anos, estava entre as 13 pessoas assassinadas num centro de atendimento a imigrantes no estado de Nova York, na sexta-feira. Ele fazia pós-doutorado e estudava no centro quando o atirador entrou. No estado de Washington, um pai é suspeito de assassinar os cinco filhos. Ele se matou em seguida. (págs. 1 e 20)

Economia do país pode reagir neste trimestre
Parte do governo e do setor produtivo acredita que o país dará sinais claros de reação entre abril e junho, evitando estagnação em 2009. Mas, para analistas mais céticos, a retomada definitiva virá no 2º semestre. Essas correntes concordam que o Brasil pode chegar ao fim do ano crescendo a um ritmo de 2%. Para o ministro Miguel Jorge, “o pior já passou”. (págs. 1 e 14)

Construtoras têm “bancada” no Congresso
A bancada do cimento

Levantamento de doações na Justiça Eleitoral mostra força das empreiteiras no Congresso

De volta à tona no rastro da Operação Castelo de Areia, a força das grandes empreiteiras no Congresso cresce no mesmo ritmo em que as empresas elevam ‘as doações’ para campanhas políticas. Levantamento do GLOBO sobre dados informados à Justiça Eleitoral em 2006 revela que quatro gigantes do setor já mantêm bancadas maiores que as de partidos tradicionais. Grande parte dos favorecidos integra a Frente Parlamentar em Defesa da Infraestrutura. Nacional,que reúne atualmente no Congresso 245 parlamentares.

Alvo da investigação da Polícia Federal, na Operação Castelo de Areia, a Camargo Corrêa ajudou a pagar as contas de campanha de 38 deputados e cinco senadores. As construtoras OAS, Barbosa Mello e Odebrecht também aparecem entre os maiores financiadores. (págs. 1 e 3)

Charge: Chico: Esse é o cara!
– …aí o papagaio chegou pro curió e disse…

Editorial: Tema em discussão: Funcionalismo
Hora de parar

É consensual a importância de os servidores serem bem remunerados, treinados, para prestar bons serviços à população. Com esse objetivo, foi desenhado no governo de FH um projeto de reforma administrativa pela qual funções típicas de Estado teriam tratamento especial – policiais, procuradores, magistrados, etc. -, e seria instituído um sistema de avaliação e promoção por mérito. Com a chegada ao poder, na comitiva do governo Lula, das corporações sindicais – inclusive a do funcionalismo – a idéia da modernização da burocracia pública foi engavetada.

Deu-se uma rápida ocupação dos 20 mil cargos de confiança disponíveis na esfera federal, ocorreu o aparelhamento político de áreas como Incra e Ministério do Desenvolvimento Agrário, por exemplo, e abriu-se a porteira para contratações maciças e reajustes salariais generosos. (pág. 6 – Interno)

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Folha de S. Paulo

Manchete: Foguete da Coreia do Norte divide ONU
Conselho de Segurança não chega a consenso sobre sanção; Obama diz que país violou acordo e pede punição

O lançamento de um foguete norte-coreano sobre o Pacífico provocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que terminou sem acordo.

O Taepodong-2 (projétil de mais amplo alcance já lançado pela Coreia do Norte) foi disparado às 23h20 de sábado com fins pacíficos, diz o ditador Kim Jong-il.

Coreia do Sul, EUA e Japão interpretaram o ato como um teste de mísseis para fins militares, tese também defendida por especialistas.

Já China e Rússia, principais aliados da Coreia do Norte, defenderam que a meta era colocar em órbita um satélite de comunicação.

“A Coreia do Norte quebrou as regras, mais uma vez, ao testar um foguete que pode ser usado para mísseis de longo alcance”, disse o presidente dos EUA, Barack Obama. “Essa provocação requer uma resposta.”

“Foi um ato provocativo que o Japão não pode deixar passar”, disse o premiê, Taro Aso. A Coreia do Sul (que não integra o conselho) pede resposta “severa”. (págs. 1 e A8)

Foto legenda: Perto da Embaixada dos EUA, militantes da Coreia do Sul queimam réplica de foguete em protesto contra o teste da Coreia do Norte

Brasileiro é um dos 13 mortos no massacre em Nova York
O pernambucano Almir Olímpio Alves, 42, foi uma das vítimas do atentado ocorrido na última sexta-feira em Binghamton, no Estado de Nova York.

Alves fazia aula de inglês no centro de apoio a imigrantes quando um vietnamita armado com pistolas invadiu o lugar e matou 13 pessoas antes de se suicidar.

Casado, o professor deixou o Brasil para fazer pós-doutorado em matemática. Sua volta estava marcada para junho deste ano. (págs. 1 e A10)

Entrevista da 2ª: Crise ameaça o apogeu do fluxo das migrações, diz historiador
Entrevista da 2ª – Demetrius Papademetriou: Crise econômica ameaça era histórica de mobilidade

Para historiador, mundo vive momento mais desafiador em quatro décadas, mas uma desglobalização só é plausível se políticos “estúpidos” ignorarem 30 anos de abertura

As praias mediterrâneas da Líbia foram banhadas por dezenas de corpos dos mais de 200 africanos que naufragaram durante uma precária travessia ilegal em direção à Europa. A milhares de quilômetros dali, no Japão, o governo passou a pagar R$ 6.700 para imigrantes desempregados deixarem o país. Os dois movimentos, ocorridos na última semana, são reflexos distintos de um mesmo e crítico dilema: o que a crise econômica força hoje nos fluxos migratórios globais.

Para o historiador e cientista político Demetrius Papademetriou, apesar do desespero dos que ainda se arriscam, a crise está sufocando o apogeu histórico de mobilidade do século 21, lançando o mundo no “ambiente mais desafiador das últimas quatro décadas”. Leia a seguir a entrevista que ele deu à Folha, por telefone, de Washington. (págs. 1 e A12)

Estados Unidos não descartam trocar direção em bancos
O governo norte-americano pode exigir a substituição de executivos de bancos que requeiram “auxílio excepcional” no futuro, afirmou Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA.

“Onde for preciso mudar o comando das instituições financeiras, nós faremos”, disse Geithner. “Não apenas para proteger o contribuinte, mas para garantir a reestruturação necessária para que os bancos se tornem mais fortes.”(pág. 1 e B6)

Computação e matemática são líderes de evasão no país
Alunos de ciências da computação, matemática e administração são os que mais abandonam o ensino superior, segundo dados do Ministério da Educação.

A evasão nessas áreas é de 28% – a média nacional é de 22%. Turismo e hotelaria lideram o ranking (38%). Mas, quando separados, a taxa cai para 27% (hotelaria) e 24% (turismo). Uma das causas de abandono é a falta de informação sobre o curso à época do vestibular. (págs. 1 e C1)

Gás usado pela indústria custa o dobro do valor pago nos EUA
O gás natural usado pela indústria brasileira é um dos mais caros do mundo, segundo estudo feito por uma empresa consumidora.

Em São Paulo, o preço é o dobro do valor pago nos EUA e no Reino Unido é quase o triplo quando se compara com o México. Indústrias já fecharam por conta dessa política.

A Petrobras reconhece que o preço do gás é elevado, mas diz que vai reduzi-lo por meio de leilões. (págs. 1 e B1)

Editorial: Emenda Alienígena
Senado aprova vagas parlamentares para voto de brasileiros no exterior, mas ignora as distorções reais na representação

O Congresso não vive decerto seu melhor momento, diante do recente vagalhão de denúncias de desmandos administrativos. Em meio à tempestade, o Senado arriscou-se a desfraldar a proposta de emenda constitucional nº 5/2005, do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), aprovando em primeiro turno uma cota de parlamentares a ser eleita exclusivamente por brasileiros no exterior.

Por todo lado levantaram-se críticas à criação de vagas e despesas, num Congresso que já conta com 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores).

Buarque afirma que a PEC não acrescenta cadeiras, obrigatoriamente, pois os novos representantes poderiam ser incluídos no total presente. Os detalhes ficariam para a regulamentação. (págs. 1 e A2)

Editorial: Atenção com a China
A partir de outubro de 2008, Brasil e Argentina, líderes de um processo de integração regional, instituíram o Sistema de Pagamentos em Moeda Local das importações e exportações entre os dois países. O governo brasileiro tenta ampliar a utilização do real nas transações com outros países da América do Sul. Apoia, desse modo, a utilização de moedas locais no comércio regional para reduzir a dependência do dólar.

Na sexta-feira, no entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um passo perigoso. Propôs ao colega chinês, Hu Jintao, a utilização de suas respectivas moedas, real e yuan, no comércio bilateral, em substituição ao dólar.

Em 2008, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 16,4 bilhões, sendo 60,3% de produtos básicos. As importações atingiram US$ 20 bilhões, fundamentalmente de produtos manufaturados. O déficit comercial foi de US$ 3,6 bilhões. Supondo o comércio bilateral em moedas locais, como seria efetuado esse pagamento para a China? Os chineses aceitariam pagamentos em reais? (págs. 1 e A2)

Artigo: Marina Silva: Potência e compromisso
Em Luziânia, município goiano perto de Brasília, acontece até quarta-feira uma conferência nacional na qual o país deveria estar de olho. Ali se consolida um movimento capaz de causar grande impacto social, embora pouco o percebamos hoje.

É a 3ª Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, promovida pelos ministérios do Meio Ambiente e da Educação, com o tema “Mudanças Ambientais Globais”. A primeira, em 2003, envolveu cerca de cinco milhões de pessoas de 4.000 municípios, em conferências estaduais que convergiram para a nacional.

No sábado, participei, juntamente com o professor José Eli da Veiga, de diálogo com os 669 delegados de 11 a 14 anos. Voltei entusiasmada e tocada pela qualidade das intervenções. Confirmei meu prognóstico de seis anos atrás, de que essas conferências seriam paradoxalmente âncora e alavanca para transformar o paradigma de educação e também o de cidadania, incorporando-lhes questões essenciais para o advento da sociedade que esse momento de profunda crise global parece anunciar. (pág. 2 – Interno)

Tendências| Debates: Guilherme Cassel: Reforma agrária, falácias e preconceitos
Os dados apontam o avanço da democratização do acesso à terra, tarefa obrigatória de todo país. É o caminho que buscamos

O professor Zander Navarro escreveu um artigo surpreendente nesta Folha (“Tendências/Debates”, 30/3) decretando que as políticas de reforma agrária são irracionais e desapareceram da agenda dos debates sobre desenvolvimento. A surpresa fica por conta do alto grau de desinformação expresso no texto de um pesquisador ligado à área do desenvolvimento rural.

Navarro faz denúncias genéricas sem apresentar um só dado para sustentar suas posições. E aponta uma suposta interdição do debate, atacando colegas pesquisadores.

O que fica evidente na sequência de ataques disfarçados de argumentos é que o olhar do autor é que parece estar fora do debate. Ele procura fazer da desinformação uma virtude e mal consegue disfarçar seu preconceito ideológico em relação a um problema histórico do Brasil. (pág. 3 – Interno)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: ONU evita punição à Coreia do Norte
Obama pede sanção, mas China recomenda cautela

Líderes mundiais reagiram ao lançamento de um foguete norte-coreano. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou reunião de emergência, mas por enquanto não definiu sanções. Proibida por resolução da ONU de disparar mísseis, a Coreia do Norte afirma que o foguete levava um satélite de comunicação. Mas outros países acreditam que ocorreu um teste balístico. – “Essa provocação reforça a necessidade por ação”, reagiu o presidente dos EUA, Barack Obama. O Japão chamou o ato de “extremamente lamentável”. Mas a China, que tem poder de veto no Conselho da ONU, defende reação “cautelosa e proporcional” ao gesto da Coreia do Norte. (págs. 1 e A10)

Concentração bancária limita concessão de crédito no País
Nos dois primeiros meses de 2009, as novas concessões de crédito no País caíram 23,9% em comparação com igual período do ano passado. Segundo analistas, uma das razões para que os empréstimos não tenham ainda retomado um ritmo próximo 80 que vigorava antes do agravamento da crise é o aumento da concentração bancária. Estudo da agência de classificação de risco Austin Rating revela que no fim de 1994 os cinco maiores bancos nacionais respondiam por 56,8% do crédito. Em dezembro de 2008, esse porcentual havia disparado para 77,5% – em razão de dezenas de fusões e aquisições, além de quebras ocorridas no setor nos últimos anos. (págs. 1 e B1)

‘GM do Brasil tem muita liberdade’
“Estamos absolutamente tranquilos”, garantiu o presidente da General Motors no Brasil, Jaime Ardila, sobre a crise na matriz da empresa, nos Estados Unidos. Em entrevista a Sonia Racy, ele diz que “leis brasileiras não permitem que uma concordata lá fora tenha impacto por aqui.” (págs. 1 e D2)

Assembleia mantém mordomias e cria cargos
Apesar da crise, a Assembleia paulista ampliou o quadro de cargos e manteve mordomias como gabinetes especiais para ex-presidente e ex-secretários da Mesa. Quem usa as salas pode nomear de 4 a 5 funcionários. (págs. 1 e A4)

Brasileiro está entre vítimas de massacre nos EUA
O brasileiro Almir Olímpio Alves, de 42 anos, foi uma das 14 vítimas do massacre de Binghamton, no Estado de Nova York. Ele assistia a uma aula na Associação Cívica Americana quando o vietnamita Jiverly A Wong entrou atirando. (págs. 1 e A13)

Nordeste vai receber 40 termelétricas poluidoras
Pelo menos 40 obras de termelétricas poluidoras estão projetadas para os próximos cinco anos no Nordeste. Só na Bahia serão instaladas 16 usinas. Movidas a óleo ou carvão, elas não encontram mais aval no Sul e Sudeste. (págs. 1 e B6)

Rodoanel: 105 bichos morrem durante obras
Número é alto, diz expert; lista inclui espécies ameaçadas de extinção. (págs. 1 e C1)

Editorial: Varas ambientais
É oportuna a ideia, que surgiu no âmbito da Justiça Federal, de criar-se varas especializadas em julgamentos de processos relacionados a meio ambiente. A intenção inicial é especializar em direito ambiental as varas de Manaus e Belém, com o objetivo de tornar mais ágeis os processos judiciais sobre devastação florestal na região – que têm se multiplicado em proporção equivalente à velocidade com que se dá o próprio desmate. Certamente a rapidez na punição dos responsáveis pelas práticas que degradam a natureza e prejudicam as atuais e futuras gerações – e horrorizam o País e o mundo – seria uma decisiva contribuição da Justiça à qualidade de vida da sociedade, pelo desestímulo que traria aos contumazes predadores ambientais.

Mapeamento da degradação ambiental da Amazônia, divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, contém dados que mostram não só a necessidade da criação de varas ambientais, mas também a urgência de sua instalação. As áreas degradadas passaram de 14.915 km², em 2007, para 24.932 km², em 2008; em junho de 2007 havia 8.983 processos sobre direito ambiental tramitando nas varas federais – hoje há 21.105 processos; no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, onde são julgados os recursos que contestam decisões dos juízes federais de primeira instância que atuam nos nove Estados da Amazônia Legal e no Piauí, em Minas Gerais, Goiás, Bahia e Distrito Federal, esses processos passaram de 681, em junho de 2007, para 1.952, atualmente. Quer dizer, quase triplicaram em menos de dois anos. (pág. A3 – Interno)

Notas & Informações: Limite para as “bondades”
Há um limite para as desonerações tributárias que o governo vem concedendo para estimular alguns setores da economia – e ele está prestes a ser atingido, se já não o foi. Depois de fazer tal advertência, a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, observou, em entrevista ao Estado publicada na sexta-feira, que o governo não pode cair no que chamou de “armadilha tributária”, ou seja, uma situação na qual precisa socorrer um setor e não tem mais como fazer isso, porque a situação fiscal não permite.

Os cortes de tributos, segundo a secretária da Receita, estão sujeitos a dois limites. Do lado institucional, o limite está dado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), cujo artigo 14 dispõe que, para cada desoneração de tributos, o governo precisa apresentar uma fonte de receita compensatória ou o correspondente corte de despesas. Do lado econômico, o limite é definido pelos órgãos técnicos do governo (Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), com a escolha dos setores da economia a serem apoiados e com que volume de recursos. (págs. 1 e A3)

Artigo: Hans Blix: Hora de ser paciente com Pyongyang
As grandes potências reconhecem que o uso da força não é opção contra a Coreia do Norte. E o país pode abrir mão do programa nuclear se tiver garantias de que não haverá ações externas para derrubar o regime. (págs. 1 e A12)

Editorial: A crise na América Latina
A economia brasileira poderá recuperar-se rapidamente e crescer 3,8% no próximo ano, depois de encolher 0,3% em 2009, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por 30 dos países mais industrializados do mundo capitalista. A recuperação brasileira poderá ocorrer mesmo com um crescimento ainda próximo de zero nos Estados Unidos, no Japão e na zona do euro, segundo projeções divulgadas na terça-feira. A reação da economia brasileira só ocorrerá, no entanto, se não houver uma piora no cenário global, especialmente nas condições de comércio, advertem os autores do estudo. Preocupação semelhante, mas em tons mais sombrios, marcou as projeções apresentadas em Medellín, na Colômbia, na assembleia anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

As sete maiores economias da América Latina terão em conjunto, até 2013, um desempenho muito inferior ao registrado entre 2003 e 2007, em qualquer das duas hipóteses tomadas como referência. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela cresceram em média 5,8% ao ano, durante aquele período. Sua evolução nos próximos anos dependerá fortemente da recuperação dos países mais avançados. (pág. A3 – Interno)

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Jornal do Brasil

Manchete: Foguete coreano põe ONU em alerta
Coreia do Norte desobedece Nações Unidas e lança artefato ao espaço

A Coreia do Norte anunciou o lançamento ontem de um foguete carregado com satélite de comunicações que já estaria em órbita da Terra e “transmitindo músicas revolucionárias”. Segundo as autoridades japonesas, o artefato, na verdade, caiu a cerca de 2.100 quilômetros de Tóquio. Coreia do Sul, Japão e EUA temem que lançamento tenha servido de teste para um míssil de longo alcance. Barack Obama considerou a atitude como “uma provocação”. Ontem mesmo o Conselho de Segurança da ONU foi convocado em caráter de emergência para discutir formas de reação. (págs. 1 e Internacional A21)

Novos benefícios às exportações
O presidente Lula assina hoje decreto de criação das Zonas de Processamento de Exportação, áreas em que as empresas instaladas terão benefícios cambiais e fiscais. Já foram apresentados 15 pedidos de instalação de ZPEs, inclusive no município de Duque de Caxias. (págs. 1 e Economia A16)

Editorial: Os 100 primeiros passos da jornada
Os primeiros 100 dias da administração municipal de Eduardo Paes, a serem completados nesta sexta-feira, incluem mais acertos do que erros. Ponto para o jovem prefeito, que conseguiu impor sua marca particular em tão pouco tempo de governo – embora ainda falte muito para cumprir a maior parte das promessas feitas em palanque. E ponto para o Rio de Janeiro, que vê em Paes a habilidade de um administrador que tenta conjugar a boa política com a gestão eficiente. É fato que ainda há um longo caminho a percorrer até que a população possa viver na cidade pacífica, justa e ordeira ansiada por todos. Mas os passos iniciais no rumo certo foram dados nestes poucos mais de três meses sob nova direção.

Em entrevista publicada ontem pelo Jornal do Brasil, Paes não poupou críticas ao antecessor, Cesar Maia, de quem diz ter desarmado uma bomba-relógio. “O ex-prefeito construiu uma situação financeira tal que em janeiro não se poderia dizer que a prefeitura estivesse quebrada, mas ela estava pronta para quebrar”, comentou, referindo-se à penúria do caixa municipal. E informou estar trabalhando até 20 horas por dia, junto à sua equipe econômica, para evitar o pior. O sistema de controle de gastos da prefeitura também foi alvo de críticas – e de reparos. “Hoje só se checa depois que o sujeito já roubou”, lamentou, acrescentando que o controle preventivo está sendo retomado. (pág. A8 – Interno)

Sociedade aberta: Marcos Cintra: Os cinco trilhões do G-20 solucionarão a crise?
Depende.

A débâcle mundial surgiu nos EUA. Começou com a desaceleração econômica no país há cerca de dois anos, em 2007. Isto aumentou a insolvência do mercado imobiliário, que havia assumido riscos muito além do que a prudência recomendaria. Tomou proporções alarmantes com a crise de credibilidade financeira, que não deve ser confundida com crise de liquidez, sendo deflagrada pela imperícia das autoridades econômicas do governo Bush, que permitiram a quebra do banco Lehman Brothers.

O sistema financeiro tem efeitos econômicos semelhantes aos das utilities, ou serviços do tipo energia elétrica, água e gás. Esses setores, que por suas características específicas compõem a infra-estrutura da economia, não podem deixar de existir, ou quebrar, sejam eles públicos ou privados, sob pena de aniquilar toda a produção. (págs. 1 e A9)

Sociedade aberta: Marcelo Coutinho: Um outro recomeço
Dez anos de mudanças políticas históricas na América Latina, e o Brasil apenas arranhou superficialmente nesse período suas estruturas arcaicas. A principio, a eleição de Lula indicou um salto no processo de modernização do País. Ao longo do tempo, certa inclusão social levou à enganosa conclusão de que finalmente havíamos entrado em uma rota de desenvolvimento para todos. No entanto, a crise atual não só evidenciou a fragilidade desses avanços sem bases estruturais, como também demonstra o quanto falta ao governo de Lula uma visão consistente, moderna e ampla sobre o Brasil e os desafios de uma conjuntura internacional cada vez mais complexa. Enquanto tudo corria bem na maior onda de prosperidade econômica do mundo globalizado, o despreparo do governo passou despercebido. Suas eventuais virtudes se sobressaiam aos seus vícios crônicos. Agora fica mais claro que o País é governado por um grupo imprevidente, muito aquém das necessidades do povo brasileiro e que não realizou nem 10% do que poderia, dado o contexto amplamente favorável.

Mais preocupado em se manter no poder, o lulismo não sabe e, na verdade, tem pouco interesse em dar continuidade ao projeto de desenvolvimento nacional. (págs. 1 e 7)

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Correio Braziliense

Manchete: 170 mil aprovados na fila para o serviço público
Candidatos selecionados em concursos conseguem notas exigidas mas não são chamados devido ao corte de verbas no orçamento da União. Na Câmara dos Deputados, 212 cargos foram liberados para nomeação, mas só 32 servidores tomaram posse (págs. 1 e 9)

PF quer usar documentos sigilosos para se defender no Senado ( págs. 1 e Tema do Dia, pág. 2)

Entrevista: Reservas indígenas: Ayres Britto: não à cultura de branco
Em entrevista ao Correio, o ministro do STF Carlos Ayres Britto, relator do processo sobre a reserva Raposa Serra do Sol, diz que enfrentou o próprio preconceito para chegar ao voto que aprovou a demarcação. “A Constituição é um sonoro não a essa cultura de branco”, afirma. (págs. 1 e 6)

Extinção do vestibular tem prós e contras (págs. 1, 6 e 7)

Coreia do Norte provoca impasse
Representantes do Conselho de Segurança não chegam a consenso sobre punição ao país que disparou foguete. (págs. 1 e 14)

Visão do Correio: Proposta inconveniente
Tramita no Congresso Nacional projeto de lei do Poder Executivo que articula medidas para tentar melhorar a segurança nos estádios brasileiros. No Brasil esportivo, das alegres, coloridas e espontâneas manifestações das torcidas, o futebol tem registro negativo, triste e preocupante: nos últimos cinco anos, 37 pessoas morreram vítimas de conflitos violentos entre torcedores, dado que o próprio Ministério do Esporte não esconde. A média é de 7,4 pessoas mortas por ano. É um número assustador que, claro, exige urgentes medidas das autoridades, principalmente se considerarmos que o país sediará a Copa do Mundo de 2014.

A diferença das propostas do governo de ontem e de hoje é que as de agora não são ideias exclusivas de uma pasta ministerial, a do Esporte, mas de um grupo de autoridades governamentais, entre elas, representantes do Ministério da Justiça. As medidas que estão no projeto de lei são duras. Por exemplo: quem promover tumulto, praticar violência ou portar instrumento perigoso em evento esportivo poderá ficar preso por até dois anos. Em outro artigo, fica tipificado o crime pela venda de ingressos por cambistas, que, igualmente, custará dois anos de prisão aos faltosos. (pág. 12 – Interno)

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Valor Econômico

Manchete: Múltis se preparam para a megalicitação do trem-bala
Pelo menos seis grupos estrangeiros já se preparam para participar daquela que pode ser a maior concorrência federal da década, a do trem-bala que vai ligar São Paulo ao Rio de Janeiro. O contrato, cujo valor é estimado em US$ 11 bilhões, pode dar grande impulso à indústria da construção civil e ao setor de transportes no país. Na quinta-feira, com três meses de atraso, chegou ao Ministério dos Transportes a primeira parte do estudo técnico preparado pela consultoria inglesa Halcrow, com informações detalhadas sobre traçado, o modelo de negócios e, sobretudo, a projeção de demanda para o trajeto – que determinará a viabilidade econômica do investimento. O material deverá ser colocado em consulta pública ainda neste mês.

Os grupos que se preparam para disputar a concorrência são liderados pela francesa Alstom, a alemã Siemens, o conglomerado japonês Mistui (associado a vários fornecedores locais), as estatais responsáveis pelo trem-bala coreano, a China Railway Materials (CRM) e a italiana Ansaldo Breda. Fontes do setor acreditam que pelo menos quatro desses grupos devem chegar à concorrência com reais chances de ficar com o contrato. (págs. 1 e B9)

Em Roraima, nem índio está satisfeito
Em Roraima, ninguém está satisfeito com a homologação da reserva indígena Raposa Serra do Sol em área contínua pelo Supremo Tribunal Federal. Nem mesmo os índios. A aparente trégua entre as duas entidades indígenas, produtores de arroz, pecuaristas e governo estadual esconde um permanente estado de tensão, que piora com a proximidade do prazo para a retirada dos “não índios” – dia 30.

É nítido o sentimento de inimizade entre os dois grupos indígenas rivais, dominados pelos macuxi. Os produtores reclamam da alta dos preços das terras fora da reserva e das baixas indenizações por benfeitorias, que somariam R$ 40 milhões. A Funai teria depositado só R$ 4 milhões nas contas. Pequenos pecuaristas e empregados de arrozeiros alegam não ter renda nem lugar para onde ir. E o processo de reassentamento dos produtores é lento e envolve a burocracia de órgãos federais e estaduais. (págs. 1 e A14)

Ociosidade da indústria adia investimento
Desde o início da crise, a indústria desligou alto-fornos, parou máquinas, fechou turnos de produção e, em alguns casos, passou a operar quatro dias por semana. Como resultado dessas decisões, a ociosidade no setor aumentou 10 pontos percentuais entre setembro e fevereiro. O baixo uso da capacidade instalada – que caiu para 76,9% – deverá retardar bastante a volta dos investimentos produtivos, cuja paralisação já provocou queda de 27,8% na produção de bens de capital. Segundo Júlio Gomes de Almeida, da Unicamp, a necessidade de investimentos só é sentida com um uso da capacidade entre 78% e 80%. Para Aloisio Campelo, da FGV, uma retomada só deve ser esperada no último trimestre. (págs. 1 e A4)

Foto legenda: Reação contra a crise
Com o aumento das demissões após setembro, a empresa de refeições coletivas Sodexo viu sua receita cair. As decisões de reforçar a equipe de vendas e ser flexível na renegociação de contratos levaram a uma alta de 8,8% no faturamento, diz Bruno Dias, diretor-geral no país. (págs. 1 e B1)

Rodoanel-Sul chega mais cedo
São Paulo parece uma cidade sitiada ao amanhecer. Congestionamentos que podem chegar a mais de cem quilômetros impedem o livre trânsito no encontro de suas avenidas marginais com as oito rodovias estaduais e as duas federais que a comunicam com o resto do Estado e do Brasil. Parte do problema será amenizado a partir de novembro, quando está prevista a inauguração do trecho Sul do Rodoanel.

São 61,4 quilômetros de rodovia expressa que se juntarão ao trecho Oeste (32 km), já em operação. Com a junção, 15 meses antes do previsto, sete rodovias já estarão ligadas ao Rodoanel. Caminhões e automóveis poderão, em 50 minutos, ir do bairro de Perus, no noroeste da cidade, ao município de Mauá, no sul, sem cruzar as marginais e pagando um só pedágio de R$ 1,20. (págs. 1, A6 e A7)

R$ 3,6 milhões para construir 30 casas
Depois de gastar R$ 3,6 milhões do governo federal, o projeto Cimento Social, no Morro da Providência, no Rio, está parado e só 30 das 800 casas previstas foram concluídas. O projeto de reformas de casas do senador Marcelo Crivella (PRB) causou polêmica em 2008 ao misturar dinheiro do Ministério das Cidades com a presença de soldados de Exército nas obras e na segurança até ser embargado em junho pela Justiça Eleitoral.

O Ministério Público Federal investiga suposto desvio de verbas e a licitação. Desde janeiro, Crivella custeia a conclusão de 47 casas, já que o embargo só vigorou até as eleições. Derrotado na disputa pela Prefeitura do Rio, Crivella colheu poucos frutos da iniciativa -sua votação na Gamboa, que abrange o Morro da Providência, foi de 19,91%, pouco acima da votação na cidade, 19,06%. (págs. 1 e A8)

Decisão do STJ dificulta vida de executivos
Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve complicar a vida de sócios e administradores de empresas que estão sendo cobradas pelo Fisco por dívidas tributárias. A Corte definiu que, quando os executivos têm seus nomes inscritos na certidão de dívida ativa junto com o das empresas que administram, cabe a eles – e não ao Fisco – provar que não cometeram nenhum ilícito e que não devem responder pelas dívidas com seu patrimônio pessoal. (págs. 1 e E1)

Inflação inercial ainda preocupa o BC
A inércia inflacionária respondeu por apenas 0,23 ponto percentual (p.p.) da variação de 5,9% do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) de 2008. Mas, para o Banco Central, ela ainda não está completamente liquidada – e dá novos sinais de vida este ano.

Inércia é a resistência da inflação à queda. Ela ocorre quando as empresas e os trabalhadores dão grande importância à inflação passada para determinar os reajustes de preços e salários. Uma das formas mais comuns de inércia é a indexação, ou seja, reajustes automáticos de preços e salários com base na variação de um índice de preços. Os aluguéis, por exemplo, têm forte peso da inércia, pois costumam ser reajustados pelos índices gerais de preços (o IGP-M e o IGP-DI). (págs. 1 e A2)

Royalpack constrói fábrica
A Royalpack, fabricante catarinense de embalagens de alumínio, vai ampliar sua produção em 50% com uma nova fábrica em Jaboatão dos Guararapes (PE). O atual centro de distribuição no Rio de janeiro também deverá ser transformado em fábrica no próximo ano. (págs. 1 e B8)

Alimentos em alta no atacado
Após subir 3,04% em fevereiro, o Índice Ceagesp, baseado no comportamento de preços no atacado de IOS produtos entre frutas, legumes, verduras e pescados, encerrou março em alta de 6,97%. Com o fim do verão, a redução das chuvas e as temperaturas mais amenas devem elevar a oferta e reduzir os preços. (págs. 1 e B12)

Reinício da construção
Duramente atingidas pela crise, as ações de construtoras mostram uma recuperação desde o início do ano, com a expectativa do pacote habitacional anunciado recentemente pelo governo. O índice do setor já subiu quase 30%, mas analistas destacam o quadro, ainda incerto da economia e a oportunidade de realização de lucros. (págs. 1 e D2)

Respostas à crise
Pesquisa com quase 600 executivos de alto escalão em companhias brasileiras – 30% delas com faturamento superior a R$ 5 bilhões -mostra que a crise levará a uma maior centralização das decisões, especialmente quanto à realização de despesas e investimentos. (págs. 1 e D8)

Editorial: É limitada a capacidade de ajuda aos vizinhos
A turbulência mundial tem obrigado as nações a serem criativas na busca de soluções para enfrentar a crise, apontada por especialistas como a mais grave desde a Grande Depressão de 1929. Uma das características marcantes da crise atual é a redução drástica dos fluxos internacionais de capitais, com reflexos negativos no comércio mundial, nos investimentos estrangeiros e no financiamento de empresas e países.

Fortemente dependente de exportações para crescer, a China anunciou semana passada um acordo de swap cambial (troca de moeda), no valor de US$ 10 bilhões, com a Argentina. Os chineses já fizeram o mesmo tipo de operação com outros cinco países – Coreia do Sul, Hong Kong, Malásia, Indonésia e Belarus. No total, a economia chinesa está disponibilizando a parceiros comerciais, por meio desse tipo de instrumento, cerca de US$ 93 bilhões. (pág. 12 – Interno)

Ideias: Fábio Wanderley Reis: Eleitoral e eleitoreiro
Temos visto, no período recente, a imprensa a tomar com insistência o tema da “antecipação” da campanha eleitoral de 2010. Em conexão com ele, surge a questão de até que ponto esta ou aquela atividade dos candidatos potenciais ou dos titulares de cargos governamentais, com destaque para o presidente da República, seria atividade de campanha exercida fora dos prazos legais e passível de denúncia.

Na medida em que há leis que tratam de regular as campanhas, não é irrelevante se elas são ou não cumpridas. E é bom, em princípio, que disponhamos de uma Justiça Eleitoral guiada pela preocupação de assegurar que o processo eleitoral se desenvolva de modo apropriado. Mas são muitas as dificuldades envolvidas, e é duvidoso que nossos dispositivos legais a respeito sejam suficientes para contorná-las. Veja-se, em nosso vocabulário político, a fluidez da linha que separa o “eleitoral” supostamente legítimo do depreciativo “eleitoreiro” – e o fato de que este último é aplicado não só a práticas de campanha como tal, mas às próprias ações administrativas dos governos. (págs. 1 e A8)

Ideias: Javier Santiso: Fundos soberanos: rumo aos emergentes?
O momento de crise pode acelerar o deslocamento de centros econômicos na direção do Sul

Os fundos soberanos se converteram nas estrelas emergentes do mundo financeiro ao longo dos anos recentes. Ultimamente, o brilho destes astros parece ter se reduzido. A agora real crise financeira que fustiga os países da OCDE está afetando duplamente estas instituições.

A maioria delas, por terem investido nos setores financeiros da City e de Wall Street, durante os anos de 2007 e 2008, enfrenta agora depreciações substanciais nas suas carteiras de renda variável. Foram afetados não só os seus ativos, como também os seus passivos: às perdas somam-se agora receitas menores, os preços do petróleo e das matérias-primas que as irrigam de liquidez desmoronaram desde os picos de meados de 2008. Como se não bastasse, o comércio internacional e as exportações estão se contraindo, afetando também os fundos soberanos asiáticos. (págs. 1 e A13)

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Gazeta Mercantil

Manchete: Executivos recorrem à Justiça do Trabalho
Uma nova demanda, provocada pela crise financeira mundial, está sendo verificada pelos escritórios de advocacia brasileiros. Segundo especialistas, aumentou o número de executivos que estão buscando a Justiça do Trabalho para assegurar os seus direitos. O Demarest & Almeida, por exemplo, entrou com 20 processos de funcionários do alto escalão nos últimos três meses. “Antes, era um executivo a cada três anos que nos procurava”, afirma Antonio Carlos Vianna de Barros, sócio da banca. “É um exemplo de que a crise está afetando a todos, não somente a camada mais simples, que processava mais pelo não pagamento de horas extras, por exemplo.” (págs. 1 e A12)

Economistas sugerem corte orçamentário ampliado
Os ajustes do Orçamento Geral da União, que envolveram o contingenciamento de R$ 21 bilhões, foram necessários, mas especialistas em contas públicas questionam os cálculos do governo baseados em um crescimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). “A meta de resultado primário prevista no Orçamento enviado ao Congresso no ano passado é inconsistente com o cenário de inflação mais baixa e crescimento do PIB inferior em curso”, diz Amaury Bier, ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Para Bier, no próximo bimestre o governo provavelmente terá de rever seus números. Para o economista Adriano Biava, da Fea/USP, o corte de 17% do Orçamento é significativo, mas a tendência é deste percentual ser ampliado. (págs. 1 e A5)

Preços do açúcar seguem os do álcool e também caem
A mesma crise de crédito que obrigou as usinas a liquidarem álcool para levantar recursos e pagar dívidas, agora mina as cotações do açúcar. Sem dinheiro para iniciar a safra e com o álcool fechando no vermelho, a saída para as indústrias vem sendo ofertar mais açúcar no mercado. O resultado é que em dez dias o preço da saca de 50 quilos em São Paulo caiu 5,4%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), de R$ 49,53 para R$ 46,82.

A pressão nos preços fica mais intensa porque, do outro lado do balcão, o comprador está mais retraído, à espera de preços menores. “A usina está precisando vender e, neste momento, somente o açúcar traz retorno. O álcool está abaixo do custo de produção”, avalia Arnaldo Luiz Correa, da Archer Consulting. De acordo com a União dos Produtores de Bioenergia (Udop), o custo de produção e financeiro do álcool está em torno de R$ 0,95 por litro, enquanto o mercado está pagando em torno de R$ 0,63. (págs. 1 e B10)

Vilã da crise, AIG sobrevive no País e vai mudar de nome
Enquanto a gigante norte-americana dos seguros AIG segue sendo bombardeada por notícias negativas nos Estados Unidos, a unidade brasileira aparece com destaque na emissão de apólices que somam cerca de R$ 10 bilhões para a construtora Odebrecht, mesmo depois da dissolução, em novembro último, da sociedade de 11 anos com a Unibanco Seguros e Previdência. Agora como AIG Brasil Companhia de Seguros, a seguradora opera em apenas dois negócios — garantia e aviação —, mas deverá solicitar permissão para atuar em todas as linhas sob o nome American Home Brasil. No resseguro, a marca já foi trocada para AIU.

Em audiência na Câmara dos Deputados dos EUA, na sexta-feira, o ex-presidente global da AIG, Maurice Greenberg defendeu a falência da empresa. “Os contribuintes não terão retorno do socorro do governo.” (págs. 1 e B1)

Empresas estão revendo modelo de negócios
Os empresários projetam forte ajuste em suas operações e enfrentam um processo de revisão de seu modelo de negócios. Estas medidas se tornaram essenciais para adaptar a estrutura das companhias à desaceleração da economia, de acordo com sondagem da consultoria Ernst & Young. O corte de custos está nos planos de 85% dos líderes consultados pela empresa. A pesquisa mostra também que 53% deles pretendem reduzir investimentos e 47% devem diminuir o número de vagas nos próximos 12 meses.

A falta de contorno claro da crise influencia a formação das expectativas. Esta indefinição mexe com a confiança do empresário e altera seus planos de ação, diz Carlos Miranda, da Ernst & Young. (págs. 1 e A4)

Os esqueletos no armário do Ministério da Justiça
Não é trocadilho e nem frase de efeito. O governo deixou um esqueleto no armário. Aliás, um não. São 11 esqueletos que assombram o Anexo do Ministério da Justiça, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, desafiando os mortais a apontar uma solução para seus casos. A maioria das ossadas, dez, foi retirada do Cemitério da Xambioá (TO) em 1991, 1996 e 2001, sem que até hoje as autoridades tenham se esforçado para identificá-las ou, então, devolvê-las às sepulturas que há 19 anos continuam abertas. (págs. 1 e A1)

Obama diz que míssil da Coreia foi “provocação”
Durante discurso em Praga, o presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu ontem defender o fim das armas nucleares em todo o mundo e classificou de “provocação” o lançamento de um míssil, horas antes, por parte da Coreia do Norte. Para Obama, os nortecoreanos violaram a Resolução n° 1.718, que proíbe o país de realizar atividades relacionadas a mísseis balísticos. Ontem, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião emergencial, mas não chegou a um acordo sobre sanções à Coreia do Norte. (págs. 1 e D7)

Energia
Cuba quer EUA como sócios em projetos petrolíferos (págs. 1 e C3)

Agronegócios
Inovação e sustentabilidade ajudaram a vencer a crise, diz usineiro Jairo Balbo (págs. 1 e B9)

Câmbio
Novo leilão do BC gira US$ 1,25 bilhão (págs. 1 e B2)

Agências digitais rumo ao Sudeste
As agências digitais do Sul ganharam projeção nacional e agora abrem filiais no Sudeste. Este ano, quatro expandem seus domínios para a região. (págs. 1 e C8)

Fundições adiam investimentos
As fundições brasileiras, que previam investir US$ 1 bilhão até 2012, adiaram ou cancelaram 50% dos projetos devido à queda na demanda. (págs. 1 e C7)

Briga pela nutrição especializada
Pequenas e médias empresas nacionais preparam-se para disputar com as multinacionais o mercado brasileiro de nutrição especializada. (págs. 1 e investnews.com.br)

Editorial: A exportação caiu, mas interesse no País avançou
Apesar dos tempos difíceis enfrentados pela economia mundial, o Brasil se transformou em significativo ponto de atração para consecutivas missões comerciais. No primeiro trimestre deste ano, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu 18 delegações estrangeiras para contatos comerciais; no mesmo período do ano passado foram apenas oito missões com essa finalidade. Apesar da piora do cenário internacional, o número de missões mais que dobrou, um sinal de que a economia brasileira desperta muito interesse mesmo quando a expansão é menor do que a de 2008. É menor, mas ainda é mais promissora do que a dos países industrializados.

Há outra forma de observar esse interesse externo. O forte ingresso de capital estrangeiro fez com que a Bovespa registrasse sessões consecutivas de alta. Há consenso entre os analistas do mercado que a recuperação da bolsa brasileira ocorreu pela entrada de investidores internacionais. Esses especialistas notam que apenas em março os estrangeiros injetaram US$ 1,4 bilhão no mercado doméstico de títulos, o melhor resultado em onze meses. (pág. 2 – Interno)

Opinião: Ozires Silva
Devemos abandonar a ideia de que as iniciativas para a melhoria da educação devem partir unicamente do governo. Toda a sociedade brasileira deve se envolver nesse esforço. (págs. 1 e A3)

Opinião: Liliana Lavoratti
PAC, desoneração de tributos e moradia popular aquecem a economia e a popularidade do governo. A política nunca andou tão próxima da economia como nos últimos tempos no Brasil. (págs. 1 e A3)

Opinião: Rivadavia Severo
Já não temos o complexo de vira-lata como tão bem nos retratou Nelson Rodrigues. Se o presidente Lula é o cara ou não, como disse Barack Obama, pouco importa. (págs. 1 e A13)

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Estado de Minas

Manchete: Betim usou ONGs para desviar verbas
TCU comprova existência de esquema na gestão de Carlaile Pedrosa (2001-2008) para direcionar recursos federais a empresas do ex-prefeito e beneficiar aliados

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) confirma que três organizações não governamentais de Betim agiram sob ordens de um “comando central” nos mandatos de Carlaile Pedrosa para beneficiar fornecedores ligados ao ex-prefeito. A investigação aponta falta de licitação para compra de produtos com verba federal, centralização das aquisições em um grupo de empresas, contratação ilegal de funcionários e até “pagamentos fictícios de prestação de serviços”, entre outras irregularidades.

De acordo com a auditoria, a Carlaile Sports, de propriedade do ex-prefeito, recebeu pagamentos de R$ 26,3 mil das três ONGs. O tribunal determinou a abertura de processos de tomadas de contas e enviou os autos aos ministérios públicos Estaduais e Federal e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). (págs. 1, 3 e 4)

Grande BH: Setor de serviços ignora a crise e cria empregos
Na contramão de indústria e comércio, prestadoras de serviços da Grande BH contrataram mais que demitiram desde o agravamento da crise. O saldo positivo foi de 15.311 vagas entre setembro de 2008 e fevereiro deste ano. Também em fevereiro, o nível de emprego do setor bateu recorde e correspondeu a 56,4% do total de empregados na região. (pág. 1)

Sudene
O presidente Lula e ao governador Aécio Neves participam em Montes Carlos de reunião do conselho da Sudene, a primeira em território mineiro em 20 anos. (págs. 1 e 11)

Teste espacial: ONU pode punir Coreia do Norte por lançar míssil
Reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas para estudar sanções à Coreia do Norte termina sem consenso, mas negociações continuam. Coreanos lançaram um foguete na madrugada de ontem. (págs. 1 e 14)

Chacina em Nova York
Brasileiro entre as vítimas de atirador (pág.1)

Editorial: Os cartões de crédito
BC começa, finalmente, a preparar mudanças no setor

O Banco Central (BC) finalmente começou a tratar com a profundidade que o assunto merece a regulamentação dos cartões de crédito no país. Zeloso e elogiado pela severidade e pelo rigor com que monitora o movimento diário dos bancos comerciais – um dos motivos de o sistema bancário brasileiro estar passando sem grandes abalos pela maior crise financeira em 80 anos –, o BC tem guardado certa distância do chamado dinheiro de plástico. Permitiu, aliás, que se criasse uma zona cinzenta quanto à natureza desse negócio e a qual autoridade ele deveria se submeter. Afinal, embora distribuído e amplamente fomentado pelos bancos, o cartão de crédito é, na maior parte dos casos, propriedade de uma empresa não financeira que é a operadora do serviço. Mas o espaço que os cartões vêm ganhando no mercado de crédito parece ter despertado a autoridade monetária para a necessidade de acompanhá-lo de perto e, mais do que isso, de praticar alguma intervenção a favor do usuário.

Ajudadas pela estabilidade da moeda e pela melhoria da renda de milhares de famílias no Brasil, a comodidade e a segurança oferecidas pelo cartão de crédito ao lojista e ao consumidor deram a esse negócio dimensões impensadas há poucos anos. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs) indicam que há no país mais de 340 milhões de cartões. Ou seja, quase dois para cada habitante. (Interno)

Ùltimas Notícias da Agência Brasil

Alimentos sobem e puxam
alta da inflação para baixa renda
09h06 O Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1) ficou em 0,51% em março, maior do que a taxa de fevereiro (0,16%). O índice é calculado com base nas despesas de consumo das famílias com renda entre um e dois salários mínimos e meio
20h17 De acordo com pesquisa do livro Proprietários: Concentração e Continuidade, de cada 20 brasileiros, apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda: empresa, imóvel, propriedade rural ou até mesmo conhecimento – também considerado um bem pelos pesquisadores
17h37 Após a reunião dos países do G20 em Londres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que gostaria de entrar para a História como o primeiro presidente cujo governo vai emprestar dinheiro para o Fundo Monetário Internacional (FMI)
16h55 A partir de 1º de julho, contribuintes inscritos na dívida ativa da União terão seus dados publicados na internet. Será apresentada a relação dos devedores, com nome, tipo de dívida e a unidade judicial na qual o débito está sendo cobrado
20h34 A implantação de uma pequena central hidrelétrica na área dos kalunga, no norte de Goiás, pode colocar em risco o processo de titulação das terras remanescentes de quilombo. O alerta foi feito pela Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial
16h41 A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação decide hoje quando terá início a greve nacional dos professores pela aplicação da lei do piso do magistério. Representantes de sindicatos fizeram manifestação em frente ao STF
15h21 Gilmar Mendes afirmou que a prisão especial refletia outro modelo de sistema carcerário. O Senado aprovou projeto que prevê o fim da prisão especial para portadores de diploma de curso superior e políticos com foro privilegiado
06h25 A expansão industrial se deve a dois fatores: a um amplo programa de benefícios fiscais e à localização estratégica de Três Rios, com fácil acesso a três das maiores capitais do país: Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte
15h17 A maioria dos ovos de páscoa comercializados nas grandes redes varejistas do país apresenta teores de gordura e de açúcar superiores a 20% do limite diário considerado saudável. A pesquisa é da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor

STF: Lei de Imprensa sem data para ser julgada

Mário Coelho

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou novamente o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130, que pede a extinção da Lei de Imprensa (Lei 5.250/67). Na sessão de ontem (1º), o presidente do STF, Gilmar Mendes, havia marcado a retomada da discussão para 15 de abril. Entretanto, como a pauta deste dia já está definida, a ADPF fica sem previsão de análise.

Na sessão de ontem, dois ministros apresentaram seus votos. Carlos Ayres Britto, relator da ADPF, e Eros Grau, posicionaram-se pela extinção integral da lei. Para Ayres Britto, a lei, formulada na época da ditadura, é contrária aos dispositivos da Constituição Federal de 1988. Após a sessão, o presidente do STF afirmou que não é possível extinguir a lei e deixar um vácuo de legislação.

Com o adiamento da análise da Lei de Imprensa, outro julgamento que continua sem data é o Recurso Extraordinário (RE) 511961, que acaba com a exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista.

Se tudo der certo, deputado ganhará R$24,5 mil

Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados

Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados

Michel Temer discute com assembleias estaduais a incorporação de parte da verba indenizatória aos vencimentos dos parlamentares

Ag. Câmara
Temer diz que mudança só trará economia se for acompanhada nos estados e nos municípios

Fábio Góis

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), assumiu a proposta de incorporação de parte da verba indenizatória ao salário dos deputados. O assunto foi tratado em conversas com integrantes da Mesa Diretora e com as Assembléias Legislativas. A decisão será anunciada nos próximos dias.

Na última quarta-feira (1º), Temer levou a discussão ao plenário. “Todas as vezes em se discute essa questão da verba indenizatória, eu verifico que uma eventual incorporação de uma parcela da verba aos subsídios representa uma economia para a Câmara dos Deputados e, naturalmente, para o Senado”, afirmou. Se for confirmada, a medida será tomada por meio de um projeto de decreto legislativo.

Pelas regras atuais, cada deputado tem direito a R$ 15 mil por mês para despesas com transporte, hospedagem e segurança, por exemplo. Os parlamentares apresentam notas fiscais e a Câmara faz o ressarcimento.

A verba indenizatória foi criada em 2002 pelo então presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), com o argumento de que reduzia o salário dos parlamentares. Na prática, virou uma fonte de escândalos.

Pela proposta em debate agora, o salário dos deputados chegaria a R$ 24,5 mil, equiparado ao teto da remuneração dos ministros dos tribunais superiores. Hoje, os parlamentares recebem R16,5 mil, fora a verba indenizatória.

Temer anunciou também que vai procurar os presidentes das assembléias legislativas para discutir o assunto. “Evidentemente, isso só poderia ser feito em comum acordo com todas as assembléias legislativas do país, de maneira a que lá também se verificasse essa redução da verba indenizatória. Quem sabe até em todas as câmaras municipais, especialmente das capitais”, ressalvou.

A preocupação de Temer se deve ao fato de que a incorporação pode abrir as portas para um aumento generalizado dos salários em assembléias legislativas (deputados estaduais) e câmaras municipais (vereadores), além da Câmara Legislativa do DF (distritais). O deputado paulista diz ter interesse em evitar que uma eventual economia nas despesas da Câmara, na prática, provoque aumento nos gastos do país.

De acordo com a Constituição, deputados estaduais recebem 75% dos salários dos federais e, vereadores, até 75% do que é pago aos estaduais. Pela regra, o reajuste estendido a todos os legisladores fica implícito na medida da Câmara.

Economia global

Temer disse ontem (2) que conversou com o presidente da Associação Nacional das Assembléias Legislativas, Alberto Pinto Coelho (PP-MG), também presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, para avaliar como poderia ser executada a incorporação da verba indenizatória sem que isso representasse o aumento de gastos generalizado no legislativo nacional.

Com a consulta prévia, Temer quer evitar um “efeito-cascata”. A ideia do presidente da Câmara é que todas as assembléias façam a incorporação de parte da verba indenizatória, em vez do aumento puro e simples nos salários dos deputados e vereadores – embora ele saiba que o impacto no orçamento destinado ao pagamento de subsídios dos políticos será inevitável, devido aos encargos trabalhistas incutidos na folha salarial.

“Se nós simplesmente aumentarmos aqui, e isso gerar um efeito-cascata nas assembléias legislativas e nas câmaras municipais, haverá economia aqui, mas prejuízo no valor global para o país”, explicou Temer. “Se fizermos dessa forma que estou sugerindo – com a participação de todas as assembléias legislativas – nós teríamos uma economia global no país.”

Na discussão sobre a verba indenizatória, Temer atua junto com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Os dois procuram uniformizar as decisões referentes à gestão administrativa das Casas com salários, gastos com estrutura funcional e contratos de prestação de serviços.

Equiparação

Os primeiros movimentos para a incoporação foram feitos há quase dois meses. Em 18 de fevereiro, o Congresso em Foco revelou que alguns deputados defendiam a equiparação com os magistrados para aumentar os salários.

Depois de tomar posse, Temer decidiu criou um grupo de trabalho para apreciar temas de interesse do Judiciário, incluindo o aumento dos vencimentos dos ministros. O deputado Edmar Moreira (MG) corre o risco de ter o mandato cassado por apresentar notas fiscais da própria empresa para justificar gatos com segurança.

Leia também:

Edmar Moreira é o campeão de gastos com segurança

Câmara gasta R$ 84 milhões com despesas de deputados

CLIPPING DE NOTÍCIAS

03 de abril de 2009

O Globo

Manchete: Líderes anunciam cerco global a paraísos fiscais
G-20 surpreende e promete novo sistema financeiro sem sigilo bancário

Reunidos em Londres, os líderes do G-20 lançaram as bases para uma nova arquitetura financeira mundial que prevê cerco a paraísos fiscais. Agora, Suíça, Bermudas e Luxemburgo, por exemplo, serão obrigados a informar suas movimentações financeiras.

O documento final diz que “a era do segredo bancário acabou”, mas quatro países, entre eles o Uruguai, não aderiram ao acordo. Foi criado um grupo para garantir a estabilidade financeira internacional, composto por G-20, Espanha e Comissão Europeia. Do total de US$ 1,1 trilhão para restabelecer o crédito global, US$ 750 bilhões irão capitalizar o Fundo Monetário Internacional.

A parte do Brasil nesse rateio ainda não é conhecida “Você não acha chique emprestar dinheiro para o FMI? E eu que passei parte da minha juventude carregando faixa em São Paulo ‘Fora FMI!’?, brincou o presidente Lula. (págs.1, 19 a 21, Merval Pereira e Míriam Leitão)

“Esse é o cara”
Para Obama, presidente brasileiro é o político mais popular do planeta

O presidente Lula virou o centro das atenções na cúpula do G-20. Num momento de descontração, numa roda de líderes, o presidente americano Barack Obama disse que Lula era o político mais popular do planeta. E resumiu: “Esse é o cara, adoro esse cara.” Em Inglês, a expressão foi “my man”, cumprimento de rua das comunidades negras dos EUA. O G-20 também testou Obama como estadista: além – de catapultar Lula ao estrelato planetário, seduziu líderes como o socialista espanhol Zapatero e o direitista italiano Berlusconi. (págs. 1, 19 e 25)

Foto legenda: Barack Obama aponta para Lula numa roda de líderes do G-20: presidente americano chamou o colega brasileiro de “boa-pinta”

Foto legenda
Nova era: A rainha Elizabeth II e Michelle Obama trocam o protocolo pelo abraço, num gesto sem precedentes. (págs. 1 e 25)

Charge Chico
– Calma, Fernando Henrique, já passou…

Galeão já perde voos para o S. Dumont
O Aeroporto Tom Jobim (Galeão) já está perdendo voos para o Santos Dumont. A Gol, que tem 76 voos no Galeão, vai transferir 16. A Webjet está transferindo três, dos seis que tem hoje no Tom Jobim para Brasília. A TAM pediu autorização para operar 34 voos a partir do Santos Dumont, mas não informou quantos viriam do Tom Jobim. (págs. 1 e 24)

PAC adota no Rio tecnologia à prova de bala
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Complexo de Manguinhos adotou tecnologia que prevê casas com paredes à prova de balas. O material será testado em uma construção nas próximas semanas. (págs. 1 e 12)

Tasso acha legal pagar jatinho com verba oficial
Da verba do Senado destinada a passagens aéreas, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) gastou R$ 469 mil para fretar jatinhos. Para ele, não há ilegalidade. Outros três senadores fizeram o mesmo. (págs. 1 e 8)

Bancada dos ‘brazucas’ gera polêmica
A aprovação da emenda criando a bancada dos deputados que vivem na exterior gerou polêmica no Congresso. Senadores já admitem recuar. Para especialistas, aldeia não elimina a distorção no tamanho das bancadas. (págs. 1, 3 e editorial “Tarefa verdadeira”)

SC: lei ajuda desatre ambiental
Especialistas alertam que o novo código ambiental de Santa Catarina facilita a ocorrência de tragédias como as enchentes de 2008. A lei reduz o limite de matas ribeirinhas, que ajudam a evitar inundações e deslizamentos. (págs. 1 e 28)

Editorial: Tarefa verdadeira
Seria apenas bizarro se já não tivesse sido aprovado em primeiro turno o projeto de emenda constitucional do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) de criação de uma bancada de quatro a sete deputados a serem eleitos por brasileiros residentes no exterior — como se houvesse problema de sub-representação no parlamento brasileiro. Ao contrário, os 513 deputados são um número excessivo, e os gastos com o custeio do Congresso se tornaram gigantescos. Com esta “legião estrangeira”, aumentarão.

No Senado, são 10 mil funcionários para 81 parlamentares, ao custo de R$ 2,3 bilhões. Entre eles, 181 diretores — vários destituídos depois da revelação da excrescência. (págs. 1 e 6)

Opinião: Merval Pereira: Bem na foto
Gostaria muito de saber o que o presidente Lula disse ao presidente dos Estados Unidos, Baraeck Obama, na seqüência da conversa que tiveram ontem em Londres, quando Obama disse que ele era “o cara” e definiu Lula como “o político mais popular da Terra”. A linguagem corporal de Lula foi de modéstia. Balançou a cabeça, ficou limpando os óculos, parou um pouco para pensar, como se quisesse entender as reais implicações daqueles comentários. Afinal, Lula sabe como ninguém que é o próprio Obama o “político mais popular da Terra”. Em seguida, puxou literalmente Obama pela manga do terno e disse alguma coisa para ele, como se estivesse relatando alguma experiência pessoal sobre políticos populares. (págs. 1 e 4)

Opinião: Miriam Leitão: Consenso de Londres
A reunião do G-20 foi melhor que o esperado.

Foram tomadas decisões fortes e na direção correta.

Foi testada, com êxito, a liderança do presidente Barack Obama. O primeiro-ministro Gordon Brown brilhou, apesar das divisões da Europa. Os países emergentes foram ouvidos e influenciaram. Os paraísos fiscais vão acabar. O tom do comunicado é grave como a crise que abala o mundo.

O trilhão de dólares em pacotes de dinheiro para o FMI, para financiar o comércio e para o socorro aos países pobres é fundamental, mas não diz tudo. O sentimento de urgência e os sinais de mudança estão espalhados em vários detalhes da reunião e do seu resultado. (págs. 1 e 20)

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Folha de S. Paulo

Manchete: G20 tenta limitar paraísos fiscais
Medida visa proteger o sistema financeiro internacional; reforço de órgãos multilaterais anima mercados

Os governos do G20, as principais economias do planeta, anunciaram o combate aos paraísos fiscais como uma das medidas de regulação do sistema financeiro internacional para ajudar a conter a crise global.

O G20 se disse pronto a adotar sanções “para proteger nossas finanças públicas e sistemas financeiros”.

Em meio a um comunicado final essencialmente técnico, os líderes do grupo fizeram uma proclamação política forte: “A era do segredo bancário acabou”. (págs. 1 e Dinheiro Leia coluna de Vinicius T. Freire na pág. B4)

Foto legenda
Gente como a gente – O presidente Lula e seu colega dos EUA, Barack Obama (à dir.), conversam durante a reunião do G20 em Londres; Obama chamou o brasileiro de ‘meu chapa’ (‘my man’), e Lula afirmou que, se o americano fosse visto na Bahia, seria tomado por baiano (págs. 1 e B5)

Justiça dá à PF acesso geral a ligações
A Justiça autorizou acesso geral da Polícia Federal às chamadas e ao cadastro de clientes de oito teles no início da Operação Castelo de Areia, informam Hudson Corrêa e Leonardo Souza.

A operação, que começou em 2008, resultou na prisão de diretores da Camargo Corrêa no fim do mês passado. As teles são Embratel, Vésper, Vivo, Nextel, Telefônica, TIM, Claro e Oi.

A autorização não incluiu ouvir e gravar conversas. Mas, como as senhas cedidas pelas empresas não têm restrição de uso, em tese a PF poderia mapear as ligações de qualquer pessoa. (págs. 1 e A4)

Cúpula produziu números altos para manchetes
Números apresentados numa cúpula precisam ser examinados com atenção. Como é que aquele total de US$ 1,1 trilhão foi obtido?

O dinheiro novo fica abaixo de US$ 100 bilhões, e a maioria das medidas já estava em curso. Produzir números altos para manchetes parece ter sido o principal resultado da reunião. (págs. 1 e B5)

Tasso diz que foi transparente ao fretar jatos com verba do Senado
Em discurso de quase três horas da tribuna do Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que agiu de maneira “transparente” ao fretar jatinhos com sobras de sua cota de passagens aéreas e que isso é comum entre os parlamentares. Prometeu devolver em dobro os gastos com aviões caso sejam identificadas irregularidades. (págs. 1 e A8)

Redução do IPI pode ser estendida até dezembro
O presidente Lula estuda prorrogar novamente, até o final do ano, a redução do IPI para compra de veículos, na tentativa de conseguir algum crescimento econômico em 2009, informa Kennedy Alenear. No primeiro trimestre, graças em parte à medida, as vendas de veículos registraram seu maior resultado para o período.

Lula almeja uma alta do PIB de 2% este ano. Auxiliares falam em taxa entre 1% e 2%, caso a economia reagiu positivamente a partir do segundo semestre.

O governo não assumirá a possibilidade de estender a redução até tomar uma decisão e até o vencimento da prorrogação atual, no fim de junho. (págs. 1 e B8)

Pena para dona da Daslu é “pouco”, afirma secretário
O secretário da Fazenda paulista, Mauro Ricardo Costa, disse achar “pouco” a condenação em primeira instância de Eliana Tranchesi, dona da Daslu, a mais de 94 anos de prisão. Para ele, quem sonega “deveria ser pregado na cruz”. (págs. 1 e B7)

Conselho limita temporários a 10% no ensino público
O Conselho Nacional de Educação aprovou limite de 10% para o total de professores temporários nas redes públicas de ensino. Pela regra, quando o teto for superado, terá de haver concurso. Em SP, 44% dos professares são temporários. (págs. 1 e C4)

Trem-bala Rio-SP deverá ter ao menos 8 estações, aponta estudo
Com paradas em São Paulo, Guarulhos, Campinas e São José, projeto inglês estimado em RS$ 1l bilhões prevê transportar até 10 milhões por ano. (págs. 1 e C6)

Editorial: Castelo de areia
Cronicamente suspeita, teia de relações entre empreiteiras e políticos demanda controles mais eficazes e transparentes

O nome da última operação da Polícia Federal – Castelo de Areia – talvez involuntariamente sugira à opinião pública o que se pode esperar de seu futuro assim que recuar a vaga de escândalo mobilizada nestes dias.

Líderes oposicionistas protestam diante do que consideraram uma evidente manipulação partidária no vazamento das informações relativas ao caso.

A suspeita de que senadores do DEM e do PSDB teriam se beneficiado de doações ilegais da empreiteira Camargo Corrêa foi divulgada sem comprovação. Não teve outro efeito a não ser a pronta exibição, pelos acusados, de recibos que atestariam a regularidade da contribuição.

A oposição estranha, além disso, o fato de que o PT terminou excluído da lista original dos partidos supostamente contemplados com donativos ilegais. (págs. 1 e A2)

Editorial: Outra lei draconiana
Avança na Assembleia Legislativa de São Paulo o projeto que bane o fumo nos locais fechados com acesso público. Após uma rodada de debates, a proposta que o governo paulista formulou em agosto tende a ser aprovada, intacta, na sessão da próxima terça.
O projeto admite três exceções: tabacarias -estabelecimentos “específica e exclusivamente destinados ao consumo no próprio local” de cigarros e outros produtos do gênero -, lugares de culto religioso e clínicas especializadas. Fora daí, o tabagismo em solo paulista seria permitido apenas em locais públicos abertos e nos domicílios.

A restrição crescente ao cigarro é uma tendência universal. Os males do tabaco para a saúde pública – e o transtorno que acarreta para a maioria, cada vez mais numerosa, de não fumantes – justificam o processo restritivo. (págs. 1 e A2)

Opinião: L. C. Mendonça de Barros: Resultado foi bom, e fala de Obama é um divisor de águas
Embora até as pedras saibam que, em encontros como o do G20 em Londres, as decisões já foram tomadas nos níveis técnicos, o resultado final animou a todos.

A afirmação do presidente Obama de que o mundo não deve contar mais com à excesso de consumo nos EUA para crescer é um divisor de águas. Ele evidencia a necessidade de revisão profunda das regras atuais. (págs. 1 e B2)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: G-20 promete controle mais rígido dos mercados
Líderes acertam também injeção de recursos e estímulo ao comércio

A cúpula do G-20 comprometeu-se a tentar superar a crise global até o fim de 2010. Os dirigentes confirmaram a injeção de US$ 1,1 trilhão no FMI e em bancos de desenvolvimento. Eles concordaram em aprimorar a regulamentação do sistema financeiro, obrigar os paraísos fiscais a abrir informações, evitar protecionismo e elevar a ajuda a países pobres. O comunicado reafirma, ainda, a promessa de reformar o FMI para abrir espaço a emergentes, como o Brasil – que possivelmente emprestará recursos ao Fundo. Os resultados foram bem recebidos no mercado – a Bovespa subiu 4,19%. (págs. 1 e B1 a B7)

De Obama, sobre Lula: ‘É o cara’
Antes da sessão plenária do G-20, Lula puxa Obama pela mão depois que o presidente americano o cumprimentou dizendo: “Esse é o cara”. Em seguida, ainda falando de modo jovial para os demais presentes na roda, Obama afirmou: “Eu adoro esse cara. É o político mais popular do mundo”, o brasileiro sorriu, e o americano emendou: “É porque ele é boa-pinta”. (págs. 1 e B5)

Receita diz que é difícil cortar mais impostos
Depois da perda de R$ 20 bilhões com as desonerações praticadas pelo governo nos últimos meses e ante as dificuldades na arrecadação de impostos por causa da desaceleração da economia, a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, avisa que a margem para novos cortes de tributos este ano está “apertada”. “Pode chegar um momento em que nós não vamos ter mais espaço para desonerações”, afirmou. (págs. 1 e B10)

Planalto pode autorizar prefeitos a elevar dívidas
Prefeituras com problema de caixa por causa da queda dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios poderão receber autorização para elevar o endividamento, mas só para investir. O governo admite, no entanto, que a saída não é solução para todos os prefeitos. (págs. 1 e A4)

Editorial: O calote dos precatórios
Empilhem-se os maiores escândalos da safra deste começo de ano no Congresso Nacional. O do deputado-corregedor que escondia ser dono de um castelo de R$ 25 milhões e transferia dinheiro da Câmara para suas próprias firmas; o do diretor-geral da Casa que omitiu residir numa mansão em Brasília; o dos R$ 6,2 milhões pagos a 3.800 funcionários por horas extras em pleno recesso parlamentar; o da legião de diretores, secretários e subsecretários de quase nada ou coisa nenhuma; o da farra com as passagens aéreas compradas com verba oficial; o do envio de servidores a dois Estados para campanha política e proteção de propriedades do presidente do Senado? Pois bem: a pilha será pequena perto da escandalosa legislação que instituirá, para todos os efeitos práticos, o calote das dívidas atrasadas de Estados e municípios com empresas e pessoas físicas, decorrentes de sentenças judiciais definitivas – os malfadados precatórios. (págs. A3)

Notas & Informações: G-20 superou a expectativa
Um pacote de US$ 1,1 trilhão para ajudar os países mais afetados pela crise e para financiar o comércio internacional foi a decisão mais importante da reunião de chefes de governo do Grupo dos 20 (G-20), formado pelas maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Com esse dinheiro, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e outras instituições multilaterais poderão combater a recessão nos países emergentes, atenuar os problemas sociais nos mais pobres e facilitar as exportações, um dos principais motores da economia global.

Visando a obter resultados a curto prazo, os chefes de governo também se comprometeram a continuar tomando medidas para estimular a atividade em seus países e para garantir a solidez das instituições financeiras mais importantes para a segurança do mercado. Ninguém assumiu, no entanto, compromissos específicos quanto a novos estímulos fiscais, por meios de cortes de impostos ou de aumento de gastos. (págs. 1 e A3)

Artigo: Simon Jenkins: Crise exige retórica mais consistente
Palavras, palavras, palavras. O comunicado do G-20 não transmite substância porque há pouca, mas as palavras precisam restaurar a confiança no poder. (págs. 1 e B4)

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Jornal do Brasil

Manchete: Enfim, otimismo
G-20 vai combater paraísos fiscais e regular mais o sistema financeiro

O documento final da reunião de cúpula do G-20 deu contornos práticos e animadores à saída imaginada pelos líderes mundiais para escapar da crise econômica global. Além de um pacote que pode chegar a US$ 5 trilhões até o fim do ano que vem, decidiu-se fechar o cerco a paraísos fiscais, ampliar a regulação do sistema financeiro, estimular a redução do consumo de carbono, criar “empregos verdes” e reabrir a Rodada Doha para negociações sobre o comércio internacional. O ânimo foi geral – dos líderes presentes no encontro, dos analistas e das bolsas de valores. (págs. 1, Tema do dia A2 a A4)

Obama para Lula: “Esse é o cara”
O presidente Lula foi paparicado ontem em Londres. Ao encontrá-lo, Barack Obama disse que o brasileiro “é o cara”, “o político mais popular do planeta”. E emendou: “Adoro este cara”. Mais tarde, Lula retribuiu o elogio, dizendo que Obama parece um brasileiro: “Se você encontra Obama no Rio, pensa que ele é carioca. Se encontra na Bahia, pensa que é baiano”. (págs. 1 e A3)

Foto legenda: Mimo – Obama aponta para Lula: “É porque ele é boa pinta”

Tarso Genro e diretor da PF explicam-se no Senado
O ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, explicaria, no Senado, porque a Operação Castelo de Areia omitiu partidos do governo que receberam contribuições da Camargo Corrêa. (págs. 1 e A10)

Coreia do Norte ameaça revidar ação antimíssil
Logo após começar a abastecer o foguete que planeja lançar nos próximos dias, o alto comando militar da Coreia do Norte voltou a ameaçar militarmente qualquer tentativa internacional de interromper o trajeto de seu míssil. Lideres do regime comunista ordenaram o envio de um esquadrão de caças para urna base aérea. (págs. 1 e Internacional A21)

Foto legenda
Programação audiovisual do Ano da França no Brasil vai contar com 350 títulos, entre longas e curtas. (págs. 1 e B4)

Editorial: Educação pública em recuperação
O resultado do Provão aplicado em meados de março junto aos alunos da rede municipal de ensino do Rio põe às claras uma triste realidade: a educação pública brasileira está a quilômetros de distância do ideal e ainda muito aquém do nível mínimo de que uma sociedade precisa para alcançar seu pleno desenvolvimento. Dos 511 mil alunos avaliados, 109 mil precisam fazer aulas de reforço em português e 205 mil (ou seja, metade dos alunos que fizeram a prova) necessitam de apoio em matemática. A Secretaria Municipal de Educação já providenciou as aulas extras. Mas tanto alunos quanto professores sabem que o esforço para recuperar o tempo perdido é apenas parte da solução.

Além das provas de avaliação de conhecimento de português e matemática, a secretaria também avaliou, em outro teste, a capacidade de leitura dos alunos do 4º ao 6º ano do Ensino Fundamental. Outra vez, a precariedade da educação pública ficou patente. Dos 211.105 que fizeram a prova, 28.879 foram considerados analfabetos funcionais. (pág. A8)

Sociedade aberta: Jonathan Portas: Os resultados da reunião
A cúpula de Londres aconteceu em um período em que o mundo confronta a pior crise econômica desde a Segunda Guerra. Os líderes dos países do G-20, juntamente com as principais instituições intemacionais, encararam uma gama sem precedentes de desafios evitar um declínio ainda mais severo e restaurar o crescimento no curto prazo enquanto, ao mesmo tempo, buscam reformular o sistema financeiro, preservar o comércio global e construir as fundações de uma recuperação sustentável.

A coisa mais importante que os líderes podiam fazer para restaurar a confiança econômica e, assim, repelir o risco de uma recessão mais séria, era deixar claro que farão o que for preciso para restaurar o crescimento. A questão não era anunciar mais pacotes de estímulo fiscal, ao contrário do que disseram comentários da imprensa. A questão era certificar que ações já tornadas quanto a políticas fiscais, monetárias e consertos no sistema financeiro sejam implementadas rápida e efetivamente, onde apropriadas, de um jeito internacionalmente coordenado e traduzido em demanda real. (págs. 1 e A4)

Sociedade aberta: Eduardo Felipe Matias: Consenso obtido
A primeira questão importante sobre o encontro do G-20 é se a reunião atendeu às expectativas. Quando estamos falando de uma reunião desse tipo, que dura apenas um dia, não se pode esperar muito mais que uma declaração de intenções sobre pontos previamente negociados. Foi o que aconteceu.

A expectativa de alguns, de que o encontro representasse um novo Breton Woods, realmente era falsa. Não era certo esperar por isso até porque as conferências de Breton Woods duraram diversas semanas, após longa preparação. Então, o que se esperava de fato do G-20 não eram medidas práticas, e sim um consenso sobre o rumo a ser tomado. E isso foi obtido. (pág. 2)

Sociedade aberta: José Sarney: O amigo e o democrata
Sou tomado nesse momento por um duplo sentimento de perda: a do amigo e a do homem de Estado. Raúl Alfonsín foi, sem dúvida, uma das maiores figuras humanas que conheci, e foi também o homem que abriu, com sua coragem, a integração latino-americana.

Tudo que fizemos para inverter o processo histórico de hostilidade entre Brasil e Argentina, transformando-o num processo de integração, não teria sido possível sem Alfonsín. Ele tinha a visão continental, a firmeza de convicção e a grandeza política para dar os passos decisivos.

Ele havia assumido a Presidência da Argentina pouco antes de o destino me colocar na Presidência do Brasil. (págs. 1 e A9)

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Correio Braziliense

Manchete: US$ 6 tri o mundo volta a sorrir
O grupo dos 20 países mais ricos do mundo resolveu agir em conjunto para debelar a crise financeira. Ao fim da reunião de cúpula, anunciou um plano para pôr rédeas nos paraísos fiscais, a injeção de US$ 1 trilhão no FMI, para socorrer as economias mais pobres, e um ambicioso pacote de US$ 5 trilhões em cortes de impostos e gastos públicos para reativar o consumo. Lula gostou. “É chique o Brasil emprestar ao FMI”, divertiu-se. (págs. 1, 12 a 14)

Crise sem fim: Dossiê dos telefones derruba diretor do Senado
Responsável pela Secretaria de Telecomunicações, Carlos Roberto Muniz foi exonerado do cargo pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI). Motivo: o assessor fez um levantamento detalhado das contas telefônicas dos aparelhos funcionais de cada um dos 81 senadores, inclusive do próprio Heráclito. (págs. 1 e 3)

Concurso pm briga pelo diploma
Associação de Oficiais da Polícia Militar entra na Justiça para manter exigência de nível superior em concurso. (págs. 1 e 15)

Editorial: Precatórios: calote, não!
Já aprovada no senado, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) número 12/2006, que institui o regime especial de pagamento de precatórios, se encontra em processo de deliberação final na Câmara dos Deputados. Trata-se de iniciativa correspondente a conceder à União, Distrito Federal e Municípios franquias atentatórias, direitos inalienáveis de cidadãos e empresas. Conforme a redação dada ao artigo 95 do Ato das Disposições Constitucionais transitórias (ADCT), fixam-se em percentuais mínimos os recursos que deverão ser reservados pelo poder público para honrar dívidas reconhecidas pela Justiça. (págs. 1 e 18)

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Valor Econômico

Manchete: BC prepara nova rodada de liberalização cambial
O Banco Central vai dar novos e importantes passos para liberalizar o câmbio. Os estudos, agora, apontam para mudanças na Lei n” 4.131, aprovada em 1962, no governo de João Goulart, e que disciplina o ingresso de capitais estrangeiros no país. O objetivo é eliminar as amarras que dificultam a internacionalização de bancos e empresas brasileiras.

Um dos problemas a ser resolvido é a proibição do uso de recursos captados pelos bancos no mercado local, a chamada “poupança doméstica”, para conceder financiamentos a empresas que operam em outros países. Os bancos não podem conceder diretamente a partir do Brasil empréstimos para filiais de empresas no exterior. As instituições driblam a proibição usando caminhos alternativos. Um deles é a concessão de financiamentos por meio de suas subsidiárias lá fora. Na visão do governo, isso impõe custos desnecessários à transação. (págs. 1 e Cl)

G-20 traz otimismo e Brasil promete medidas
Houve momentos de grande tensão nas discussões fechadas dos líderes do G-20, ontem, em Londres. O Valor apurou que o maior confronto envolveu França, Reino Unido e China sobre os paraísos fiscais. A França queria criar uma lista dos paraísos que não respeitarem as regras que põem fim ao segredo bancário. A China tentava proteger Hong Kong e Macau. A divergência levou o presidente americano, Barack Obama, a se levantar e chamar os chefes de Estado de França, China e Reino Unido para um canto da sala e tentar um compromisso, que afinal deu certa vantagem à França.

Apesar desse confronto, o resultado da reunião foi saudado ontem pelos mercados, com alta das bolsas e até do petróleo. Como antecipou a imprensa brasileira, os líderes aprovaram um pacote de US$ 1,1 trilhão para restaurar o crédito, crescimento e empregos na economia mundial. O grupo diz esperar crescimento global acima de 2% até o fim de 2010, com gastos acumulados de US$ 5 trilhões. Além de estímulo fiscal, o grupo vai manter as ações dos bancos centrais para reduzir juros, usando inclusive instrumentos “não convencionais”. (págs. 1 e Al2)

Foto legenda: O presidente americano Barack Obama fala à imprensa no Excel Center, em Londres: mensagem de otimismo depois de reunião tensa com líderes

Dinheiro prometido por líderes ainda é incerto
A maior parte do dinheiro que o G-20 prometeu para combater a crise não existe e uma parcela significativa só vai se materializar se Barack Obama conseguir o apoio do Congresso americano.Os líderes assumiram o compromisso de arranjar US$ 7S0 bilhões para o M. Um terço está mais ou menos garantido, do Japão, União Europeia e atina. O resto parecia incerto ontem, especialmente US$ 250 bilhões que viriam da emissão de Direitos Especiais de Saque (DF5), a moeda do FMI.

O Fundo pode emitir DES sem lastro, usados em transações entre governos para acertos de dívidas e outros compromissos. Mas qualquer país pode trocar seus DES por dólares, euros, ou ienes. t o que a maioria dos países emergentes fez. O problema é que existe um custo para trocar DES e, na prática, a conta acaba quase sempre com o Tesouro americano. (págs. 1 e Al3)

Corte drástico na produção de alumínio
A crise econômica mundial e a drástica queda nos preços das commodities atingiram com força as unidades de produção de alumínio no Brasil, principalmente na Região Sudeste. A cotação do metal recuou de mais de US$ 3 mil a tonelada há um ano para a faixa de US$ 1,4 mil na Bolsa de Londres. A Valesul, controlada pela Vale do Rio Doce, paralisou suas linhas em Santa Cruz (RJ). A Alcoa reduzirá em um terço a produção na unidade de Poços de Caldas (MG) e a Novelis, do grupo indiano Hindalco, vai desativar em maio sua unidade de alumina em Ouro Preto (MG). (págs. 1 e B1)

Com crise e sem Aracruz, só resta o comércio a Valadares
A suspensão de um projeto de RS 5 bilhões da Aracruz, para a produção de eucaliptos, encurralou a cidade mineira de Governador Valadares. Com 260 mil habitantes e polo de uma região de 15 municípios, Valadares está sem vocação econômica para sustentar o forte comércio local, que conta com representantes das principais redes varejistas, um shopping center e dois hipermercados entre 5,5 mil estabelecimentos comerciais, que respondem por 80% da economia.

Sem indústrias, Valadares é só consumo. A industrialização do eucalipto iria substituir outro ciclo extrativista esgota do na história da cidade: o do dólar. A crise e o endurecimento do governo Bush praticamente interromperam o fluxo de imigrantes nos últimos anos. (págs. 1 e Al6)

Ediouro tem caixa e busca novas áreas
A Ediouro, uma das maiores editoras do país, investe em novos negócios e estuda fazer mais aquisições, seguindo a estratégia adotada nos últimos seis anos e que levou a empresa a um faturamento de R$ 241 milhões em 2008.

O diretor-geral, Luiz Fernando Pedroso, não prevê crescimento nas vendas de livros neste ano. “Se empatar, estará ótimo”, diz. Ele pretende criar um canal de TV na internet para divulgar o conteúdo dos livros, fortalecer a área de revistas e estrear nos mercados de livros didáticos e técnico-científicos, O investimento previsto para este ano, a ser feito com recursos próprios, é de RS 30 milhões. (págs. 1 e B4)

Ditadura via múltis com desconfiança
Atas das reuniões do Conselho de Segurança Nacional revelam que empresários e grupos econômicos estrangeiros foram foco de preocupação do governo militar. Numa tensa reunião, em dezembro de 1964, membros do regime criticaram projeto de abrir a exploração minecal e a concessão de portos à iniciativa – privada estrangeira, Pery Constant Beviláqua, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (Emfa), considerava a proposta uma ameaça aos interesses nacionais e atacou a americana Hanna Mining, que disputaria mercado com a estatal Vale do Rio Doce. O ministro Roberto Campos defendia a livre iniciativa e destacava que o país ficaria para trás na produção mundial de minério sem investimentos estrangeiros. (págs. 1 e Eu& Fim de Semana)

Odebrecht reabre o mercado com eurobônus de US$ 200 milhões (págs. 1 e C1)

Portugal Telecom muda direção e Wine, da PT Brasil, ganha função executiva na matriz (págs. 1 e B3)

Perdas na exportação
Desde o agravamento da crise internacional, em setembro de 2008, a queda nos preços das commodities metálicas e agrícolas fez as exportações brasileiras perderem US$ 12,7 bilhões até fevereiro, segundo estimativas da Funcex. (págs. 1 e A3)

Balança argentina
Pela primeira vez em cinco anos, no mês passado a Argentina voltou a ter superávit no comércio exterior com o Brasil, como resultado do aumento de suas exportações e de barreiras a produtos brasileiros. Agora, a preocupação da indústria argentina volta-se para a China. (págs. 1 e A4)

Barry Callebaut no Brad
A suíça Barry Callebaut, maior fabricante de chocolate bruto para a indústria no mundo, deve começar a produzir no Brasil até o fim do ano. A empresa vai investir U5$ 12 milhões na construção de sua primeira fábrica no país. A distribuição será feita pela Bunge. (págs. 1 e B4)

Venda da Medley
A venda do controle da Medley, maior fabricante brasileira de genéricos, para a francesa Sanofi-Aventis deve ser fechada na próxima semana. O negócio deve superar R$ 1 bilhão, incluindo dívidas. (págs. 1 e B6)

Cálculo de intangíveis
Até o fim do primeiro semestre, o BNDES passará a incluir o valor de bens intangíveis – marca, capacidade estratégica, governança, processos internos, design, concorrência etc. – na análise de risco das empresas financiadas. (págs. 1 e D1)

Editorial: Diretores, extras, jatinhos e o farto clube dos senadores
Se o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, qualifica as relações entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal como “lítero-poético-recreativas”, como pode então um cidadão comum designar a íntima convivência dos senadores com o Senado? Um clube lítero-poético? Ou um clube político-recreativo? Independente do nome que se dê às relações demasiado estreitas entre os bolsos dos senadores e o Orçamento do Senado, é certo, todavia, que a casa é a bola da vez: os usos e costumes dos senadores, que sempre conviveram em paz sob a proteção de sucessivas mesas diretoras, independentemente da coloração partidária, ganham as páginas dos jornais. E, de repente, os nobres senadores se deparam com a dura realidade: os hábitos sociais do clube do Senado não são propriamente éticos ou convenientes, e sequer facilmente aceitos pela sociedade que financia essas regras de excessiva cordialidade, quando se trata de dividir os benefícios da instituição. (pág. 14)

Ideias: Claudia Safatle: Busca-se liquidez em moeda local
A iniciativa da China, que anunciou esta semana um acordo de swap cambial (troca de moedas) no valor de US$ 10 bilhões (ou 70 bilhões de yuans) com a Argentina, deu senso de urgência ao governo brasileiro para colocar em pé um mecanismo semelhante para estimular o comércio bilateral. O que se discute, na área econômica, é encontrar formas de dar liquidez ao país vizinho, inicialmente, e à América Latina, numa etapa posterior, para sustentar as relações de comércio, diante da escassez de dólares.

No governo brasileiro, a discussão ainda é bastante incipiente. Começou em fevereiro, a partir de proposta do Ministério da Fazenda para a criação de algum mecanismo que ajudasse a financiar empresas dos países vizinhos interessadas em exportar para o Brasil. (págs. 1 e A6)

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Gazeta Mercantil

Manchete: Indústria aperta o varejo e já faltam produtos nas gôndolas
Novas regras tomaram conta das conversas entre as redes de supermercados e a indústria nos últimos meses. Desde o começo da crise financeira global, os supermercadistas iniciaram um processo de ajustes dos estoques e a indústria, por sua vez, impôs alternativas que desagradaram ao comércio.

Se os varejistas agora conseguem fazer pedidos mais próximos da realidade das vendas e não engessam seu capital de giro com produtos parados no estoque, a indústria diminuiu a quantidade de repositores e ficou mais rígida em relação às verbas oferecidas aos varejistas. Antonio Ferreira de Souza, gerente-geral da rede de supermercados Futurama, diz que as fabricantes Arcor, com os produtos Triunfo, e M. Dias Branco, com a marca Adria, estão promovendo um revezamento dos repositores. (págs. 1 e C1)

Estaleiro em Pernambuco resgata sonho nordestino
O auxiliar técnico Valdemir Martins é um dos 2 mil funcionários já contratados pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS) — em construção no Porto de Suape (PE). Depois de vários anos em São Paulo, ele só voltou a seu estado após conseguir emprego no empreendimento, que já injeta cerca de R$ 50 milhões mensais na economia local.

As contratações continuam aceleradas e a previsão é de 5 mil funcionários quando o EAS estiver funcionando em sua capacidade total em 2010. Daqui a dois anos, sai o primeiro navio construído em Pernambuco. Em junho de 2010, será a vez de entregar 36 blocos da P-55 para a Petrobras. A previsão de investimento aumentou de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,4 bilhão em razão de novas encomendas, como a construção de mais cinco navios para a Transpetro. (págs. 1 e C3)

Foto legenda
Rota das bandeiras – Odebrecht estreia como controladora na operação de cinco estradas em São Paulo. O diretor-geral da Rota das Bandeiras, Sidney Ramos, diz que a concessionária investirá R$ 2,1 bilhões. (págs. 1 e C2)

Mercados animados com decisões do G20
“Este é o dia em que o mundo se uniu para lutar contra a recessão global”, disse ontem o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, no encerramento da reunião do G20 em Londres. “Nossa mensagem hoje é clara e positiva: acreditamos que os problemas globais requerem soluções globais.”

Tentando reduzir as distâncias entre as filosofias políticas e financeiras, os líderes de vinte e quatro das maiores economias do mundo concordaram ontem com um amplo leque de novas medidas fiscais e reguladoras, em um esforço desesperado para revitalizar a economia global, que inclui garantias de US$ 1,1 trilhão para ajudar países em dificuldades. Outras medidas incluem severas regulamentações sobre os fundos hedge e as agências de classificação, assim como veto aos paraísos fiscais. (págs. 1, A13, A14, B2 E B4)

GE e Intel se tornam parceiras na área de saúde
A General Electric (GE) e a Intel gastarão cerca de US$ 250 milhões nos próximos cinco anos para desenvolver equipamentos e sistemas que permitam aos médicos tratar e monitorar pacientes em casa sem deixar o hospital onde trabalham. (págs. 1 e C5)

Aumenta a concentração entre os bancos no País
O mercado bancário brasileiro está cada vez mais concentrado, mostra levantamento elaborado por este jornal com base em dados do Banco Central. Juntos, os cinco maiores bancos em ativos finalizaram 2008 com carteira de crédito de R$ 714,09 bilhões, ou 77% de participação no estoque total das 50 maiores instituições, de R$ 924,59 bilhões. A fatia representa alta de quase 14 pontos percentuais ante 2007.

A mesma concentração se verifica nos depósitos. O volume dos cinco maiores atingiu R$ 950,53 bilhões — fatia de 79,57% do total depositado nas 50 maiores instituições em 2008. Ante 2007, a evolução ultrapassa os 13 pontos. A maior concentração resulta do movimento de consolidação do setor intensificado nesta década e da crise financeira, e, segundo especialistas, dificulta o plano do governo de reduzir os spreads. (págs. 1 e B1)

Valor de ativos aproxima Cesp de privatização
A mesma contabilidade que fez a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) amargar prejuízo de R$ 2,35 bilhões em 2008 animou investidores sobre nova tentativa de privatização. O valor recuperável de ativos de R$ 9,5 bilhões gera preço da ordem de R$ 38 por ação, quase o triplo da cotação atual, diferença que pode animar o governo. (págs. 1 e B4)

Biocombustível fortalece o Brasil com os africanos
Os projetos para produção de biocombustíveis nos países africanos ganham força e criam oportunidade para a venda de máquinas agrícolas brasileiras naquele continente. A estratégia é aproveitar a ocasião para disseminar a tecnologia nacional e fortalecer a campanha de consolidação do etanol de cana-de-açúcar como commodity.

No total, são 29 projetos de biocombustíveis e biomassa em andamento em 10 países africanos, conforme levantamento realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). As pesquisas estão concentradas em países onde não há petróleo e ganharam importância com a necessidade de alternativas para a diversificação da economia. (págs. 1 e B12)

Operação Satiagraha
Delegado Protógenes mais perto da política (págs. 1 e A10)

Receita Federal
A secretária Lina Vieira vai intensificar a fiscalização para arrecadar R$ 485 bi (págs. 1 e A6)

Inflação
IPC-Fipe tem alta de 0,40% em março (págs. 1 e A5)

Pré-sal fica de fora de licitação
O governo realizará este ano a 11ª rodada de licitações de áreas de petróleo e gás. Porém, à espera de um novo marco regulatório, a região do pré-sal ficará de fora do leilão. (págs. 1 e C7)

União perdoa R$ 3 bi em dívidas
A União abriu mão de receber R$ 3 bilhões de débitos inscritos na Dívida Ativa. Cerca de 1,15 milhão de contribuintes serão beneficiados com dívidas de até R$ 10 mil. (págs. 1 e A12)

Editorial: Depois da festa, será preciso conferir promessas do G20
A foto oficial, no Palácio de Buckingham, dos chefes de Estado presentes ao G20, contém o tom de circunspecção e sobriedade exigido para a ocasião, tentando, principalmente, comunicar a ideia de dever cumprido. A realidade, no entanto, está algo distante dessas pretensões. É fato que a distância entre o clima dessa foto e a tragédia dos milhões de desempregados que a crise financeira já provocou é enorme. Aliás, na mesma hora em que os chefes de Estado visitavam a rainha, a polícia de Londres prendia mais de uma centena de pessoas, após confrontos violentos em manifestações que cobravam as mais variadas reivindicações dos líderes mundiais.

De modo algo semelhante ao tom de festa emprestado à reunião pelos chefes de Estado presentes, os manifestantes quebravam vidraças de bancos na City londrina, investindo especialmente contra o Royal Bank of Scotland, exatamente a instituição que declarou perdas de US$ 34,8 bilhões provocando o maior prejuízo da história do sistema financeiro no Reino Unido. (pág. 2)

Opinião: Marcos Cintra: Os US$ 5 trilhões do G20 solucionarão a crise?
A débâcle mundial surgiu nos EUA. Começou com a desaceleração econômica no país há cerca de dois anos, em 2007. Isto aumentou a insolvência do mercado imobiliário, que havia assumido riscos muito além do que a prudência recomendaria. Tomou proporções alarmantes com a crise de credibilidade financeira, que não deve ser confundida com crise de liquidez, sendo deflagrada pela imperícia das autoridades econômicas do governo Bush, que permitiram a quebra do banco Lehman Brothers.

O sistema financeiro tem efeitos econômicos semelhantes aos das “utilities”, ou serviços do tipo energia elétrica, água e gás. Esses setores, que por suas características específicas compõem a infraestrutura da economia, não podem deixar de existir, ou quebrar, sejam eles público ou privado, sob pena de aniquilar toda a produção. (págs. 1 e A3)

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Estado de Minas

Manchete: G20 anuncia nova ordem mundial
Nunca antes, dirigentes de países emergentes como o Brasil haviam tido voz ativa nas decisões sobre os rumos da economia do planeta. A história começou a ser mudada ontem, com o megapacote anunciado em Londres pelos líderes dos 20 países mais ricos (foto). O conjunto global de esforços no combate à crise deve chegar a US$ 6 trilhões até 2010. “Nasce uma nova ordem mundial”, sentenciou o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ao prometer maior rigor sobre o sistema financeiro. Os mercados reagiram muito bem e as bolsas dispararam. No Brasil, a Bovespa teve alta de 4,19% e alcançou os 43.736 pontos, maior nível desde 3 de outubro. A cotação do dólar caiu 1,97% e fechou a R$ 2,23, a mais baixa desde 6 de janeiro. (págs. 1, 12 a 15)

Foto legenda: pacote sem precedentes na história prevê controle mais rigoroso do sistema financeiro, combate aos paraísos fiscais e injeção de US$ 1,1 trilhão para salvar o planeta da crise

Obama tieta Lula
Obama diz que presidente brasileiro é o político mais popular do mundo. ’’Ele é o cara’’, brincou. ’’Eu adoro esse cara.’’

‘‘Gostaria de entrar para a história como o presidente que emprestou alguns reais ao FMI’’
Luiz Inácio Lula da Silva

Câmara não julga acusado de corrupção
Processo no Conselho de Ética contra João Magalhães (PMDB/MG), apontado como líder de esquema de venda de emendas, está parado há um ano. (págs. 1 e 3)

ENEM deverá dar acesso às federais
Proposta do MEC é que o exame nacional substitua o vestibular ano que vem. Universidades federais de Minas são favoráveis e farão projeto piloto. (págs. 1, 21, 22 e Editorial, 6)

DNIT
Empresa instalada em área da União em Leopoldina, Zona da Mata, explora posto de gasolina e restaurante sem pagar nada. Imóvel foi erguido pelo extinto DNER — atual Dnit — para servir de ponto de apoio na BR-116. (págs. 1 e 23)

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Jornal do Commercio

Manchete: Cenas de guerra em banco de Jaboatão
Investida na Caixa Econômica, em Jaboatão, provocou intenso tiroteio entre vigilantes e bandidos. Ladrão e cliente morreram e há oito pessoas feridas

O cenário era de guerra. Mortos, feridos, vidros estilhaçados e muito sangue. O assalto a um carro-forte da empresa Preserve que abastecia a Caixa Econômica Federal da Praça Nossa Senhora do Rosário, em Jaboatão Centro, no Grande Recife, terminou com duas pessoas mortas, sendo um aposentado que aguardava a agência abrir e um bandido, além de um ladrão e dois vigilantes baleados e pelo menos cinco clientes feridos. A Polícia Militar confirma que dois malotes de dinheiro foram levados, com cerca de R$ 400 mil.

A investida aconteceu por volta das 9h30 de ontem, pouco antes de a agência iniciar o expediente. Uma bala perdida atingiu o aposentado Francisco das Chagas Duarte Brito, 62 anos, que morreu na hora. De acordo com a Polícia Federal (PF), que está investigando o crime, câmeras do circuito interno da agência mostram que ele foi atingido por um dos bandidos. (pág. 1)

Lula é o político mais popular do mundo, diz Obama no G-20
“Adoro esse cara”, disse ontem o presidente do Estados Unidos, Barack Obama, ao cumprimentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no encontro dos líderes do G-20, em Londres, de forma descontraída. “É o político mais popular da Terra”, afirmou Obama ao primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, sobre Lula. “É porque ele é boa pinta”, finalizou o presidente norte-americano. A cena do encontro entre eles faz parte das filmagens oficiais da reunião do G-20 e foi divulgada pela BBC.

Após o elogio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Lula, em entrevista coletiva, detalhou parte da conversa que teve com o americano. “Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI? Eu passei parte da minha juventude carregando faixa contra o FMI no centro de São Paulo”, falou Lula a Obama. (pág. 1)

Concorrência favorece a Páscoa do consumidor
O acirramento entre as grandes redes de supermercados pode “salvar” o bolso do consumidor na Páscoa deste ano. Enquanto a expectativa inicial era de preços cerca de 10% superiores para os pescados, em relação ao ano passado, a Associação Pernambucana de Supermercados (Apes) argumenta que, com a aproximação da Semana Santa, a disputa entre os supermercados – que fecham as compras com grandes fornecedores antecipadamente – deve refletir em uma queda equivalente de preço, em torno de 10%, e terminar mantendo os valores equilibrados com os do ano passado. Esta semana, o quilo do bacalhau saithe, por exemplo, está quase 30% mais caro em relação a 2008, mas, na próxima semana, ele deve chegar a R$ 13,90 e voltar ao patamar da Páscoa passada. (pág. 1)

Editorial: Relações promíscuas
Mais uma vez se evidenciam as relações de promiscuidade reinantes entre políticos, partidos e empreiteiras de obras públicas, graças a ação da Polícia Federal (PF) contra diretores e funcionários da Construtora Camargo Corrêa, que são acusados de superfaturamento, lavagem de dinheiro, remessas ilegais ao exterior, desvio de dinheiro público, formação de quadrilha, fraude em licitações e contribuições irregulares a políticos de diversos partidos, num montante que pode ultrapassar R$ 500 milhões. Há muito se sabe que essas relações são suspeitas e vão continuar existindo enquanto perdurarem entre nós a ilegalidade consensual e a impunidade. Para não ter prejuízo e continuar atraindo bondades públicas e partidárias, empresas que vencem concorrências (geralmente um grupo privilegiado e inamovível) só veem um caminho, que é superfaturar as custas dos trabalhos. Daí os invariáveis reajustes nos valores das concorrências, pois não existe almoço de graça, alguém paga. No caso, nós contribuintes.

No caso ora investigado na Operação Castelo de Areia, várias outras irregularidades estão sendo constatadas em relação doleiros, seus clientes e operações financeiras fraudulentas e lesivas aos cofres públicos. A Camargo Corrêa também participa do consórcio que constrói a ampliação do Metrô de São Paulo, com custos constantemente reajustados, que foi responsabilizado pela tragédia ocorrida na linha de Pinheiros. (pág. 2)

CRISE ECONÔMICA EXIGE SAÍDA POLÍTICA

Crise econômica exige saída política

Ricardo Alvarez

A crise financeira em que o planeta mergulhou nos últimos meses tem sua origem na raiz do sistema capitalista e por isso mesmo será duradoura. Dela emergem outras questões fundamentais a serem enfrentadas, como a dívida pública dos países periféricos, a questão do desemprego global e da unidade latino-americana.

As coisas parecem, mas não são. Parece que proprietários de imóveis irresponsáveis em conluio com credores gananciosos nos EUA, provocaram a quebradeira geral que derrubou Bolsas, retraiu as vendas, enxugou o crédito e travou as engrenagens do sistema. Resposta fácil para um problema complexo. Ilusão reduzir as coisas a este patamar de explicações, apesar de largamente utilizado por comentaristas econômicos atônitos diante da falência repentina de suas teses neoliberais.

Nosso planeta é acometido de uma doença que se arrasta há séculos denominada capitalismo, que como sugere o nome, acumular capital é sua sina. A enfermidade global recebe doses medicamentosas regulares que adiam os problemas e, não raro, não fazem mais efeito, provocando surtos permanentes e persistentes de crises. Vivemos um deles que derreteu ativos sem cerimônias e colocou a banca em xeque.

Não bastasse a evaporação de capital foi também para o vinagre o discurso do Estado mínimo e do mercado máximo. Assim que a rolha foi puxada e o capital fictício desceu ralo abaixo, em questão de segundos recorreram ao erário público para solicitar desavergonhadamente por auxílio, no que foram prontamente atendidos. Encurralados, não havia outra saída: é melhor sacrificar o discurso do que o lucro.

O mais engraçado, não fosse trágico, é que dinheiro público arrecadado do conjunto da sociedade, venha servir de bóia de salvação dos negócios privados, dentre os quais o setor da economia que provavelmente mais farreou nas últimas décadas com o ganho fácil: o financeiro. E neste caso o receituário aplicado para conter a crise é absolutamente incapaz de resolver o problema senão até agravá-lo, pois reforça os pilares de uma economia especulativa por natureza e predadora por vocação.

Outro mito abalado foi o da “eficiência capitalista”. O epicentro da crise não partiu de insurreições periféricas, mas sim de desajustes estruturais no coração do sistema, alimentados por décadas de expansionismo financeiro no cassino global. A jogatina é restrita a determinados jogadores, mas as nefastas conseqüências deste modelo de acumulação de capital explodem com maior violência exatamente nos setores mais fragilizados da sociedade. A “eficiência da gestão” é tão tocante que os gerentes do cassino faliram as empresas que administravam e ainda recebem indenizações milionárias como tem sido mostrado pela imprensa. É o prêmio pela incompetência!

Deste lado do campo não dá para esperar coisa diferente.

O que se coloca para os setores progressistas é uma união de forças em outras frentes para tentar reverter um agravamento da crise social. Apresentar uma plataforma apoiada na proteção do emprego e do salário é uma tarefa mais do que emergente. Temos muitos pensadores e estudiosos do tema que poderiam contribuir neste sentido.

Mas é preciso ir além, como capitalizar o estado brasileiro para fazer frente aos desafios sociais, provocando o estancamento imediato da sangria de riquezas do país através da interrupção do pagamento da dívida externa e interna, acompanhada de uma auditoria.

O que parece coisa de louco para o capital normalmente é saudável para o trabalho.

É verdade que a esquerda está dividida, que o movimento sindical naufraga em meio ao sindicalismo de poucos resultados, o de nenhum resultado e o que tenta se firmar neste pântano, que os estudantes estão desmobilizados, que os movimentos sociais estão dispersos, enfim, que a conjuntura neste sentido não é favorável, mas é verdade também que o quadro político de crise escancarou as vísceras do sistema, abrindo evidentes possibilidades de mudança nos rumos.

A falta de uma plataforma comum de lutas, que aglutine os setores progressistas, deixa espaço para o velho peleguismo que propõe ao trabalhador a redução da jornada e do salário ou do neopeleguismo chapa branca, que tenta blindar o presidente Lula. Mas não há como isentá-lo, assim como o governador de São Paulo José Serra e outros em menor escala, pois ao mesmo tempo em que abriram os cofres ao setor automotivo, por exemplo, sem contrapartidas sociais, ocorreram demissões e redução de jornada e salários. Além disso, estas empresas mantiveram sua fiel política de remessa de lucros para o exterior. Receberam do governo com uma mão e remeteram para suas matrizes lá fora com a outra.

Esta é outra questão que merece muita atenção. O mundo financeiro se alimenta, dentre outros, das transferências de recursos dos países periféricos aos megaespeculadores e países centrais. Para se ter uma idéia do que isto representa em 2007 o Brasil despendeu R$ 180 bilhões. A economia para os pagamentos vem com o famoso superávit primário, que e o arrocho do orçamento em áreas sociais para gastá-lo em repasses frequentes aos credores.

Vem de longa data a sangria de recursos deste país que é carente deles, mas a curva flexionou para cima exatamente nos governos militares. De acordo com o Jubileu Sul Brasil “durante os 21 anos de ditadura a dívida pública aumentou 42 vezes, pulando de 2,5 bilhões de dólares em 1964 para 105 bilhões de dólares em 1985”. Ganhou novo fôlego com a crise dos anos 80, quando os EUA elevaram os juros e nosso endividamento em dólar deu novo salto.

E a abertura econômica dos anos 90, denominada por FHC de “inserção nos mercados globais”, representava na verdade nova sangria, apesar da pompa do nome como era de gosto do ex-presidente. Privatizamos e recebemos por isso, aumentamos os juros e gastamos por isso, numa conta de soma negativa. Ainda de acordo com o Jubileu Sul Brasil o endividamento externo saltou de U$ 148 bilhões em 1995 para U$ 210 bilhões ao final de 2002, mesmo tendo pago U$ 345 bilhões no período. A explosão da dívida interna também não deu vexame e foi de U$ 60 bilhões para U$ 648 bilhões no mesmo período.

Em 2006 gastamos 36,7% do orçamento federal em serviços da dívida, contra 25,7% na Previdência, 4,8% na saúde e 2,2% na educação. Deu para perceber por que os serviços públicos nestas áreas vivem uma crônica falta de recursos para custeio e investimentos? Mas os liberais alegam que a previdência é um buraco, a saúde corrupta e a educação têm muitos professores para poucos alunos e proclamam vivas ao mercado. As vítimas dos Planos de Saúde privados e das mensalidades escolares escorchantes parecem ser mais críticas em relação às maravilhas prometidas.

É mais do que hora de forçar o governo brasileiro a rever seus compromissos com o grande capital e interromper os fluxos que enchem as burras da banca internacional, seguir os exemplos de pequenos países vizinhos, mas engrandecidos por sua coragem em enfrentar o poder financeiro – como o fez recentemente o Equador -, auditar as contas e distinguir os micro investidores dos grandes credores, enfim, reverter a ordem dos pagamentos financeiros para os investimentos sociais.

Deve-se saudar a iniciativa da criação da CPI da Dívida Pública na Câmara Federal, de iniciativa do deputado federal Ivan Valente (Psol/SP), que pode desnudar o rei e expor as mazelas desta inserção subordinada do Brasil aos financistas. É preciso também pressão de baixo para cima para que a CPI ande.

O grande enfrentamento demanda uma plataforma de medidas em defesa do trabalho e na reversão do pagamento das dívidas, na construção de uma sociedade justa e igualitária, menos consumista, geradora da vida e protetora do que resta do meio-ambiente, apoiada em valores como a solidariedade e a cooperação e não o individualismo e a concorrência. É preciso redirecionar a produção em geral para a satisfação das necessidades humanas e não para a garantia da taxa de lucro

Além do mais, o Brasil é um país estratégico no sentido de potencializar as ações das nações parceiras da América Latina. Há um terreno amplo e favorável para aprofundar laços de cooperação econômica, de imposição de novas políticas sociais no lugar do assistencialismo, de romper definitivamente com o quadro histórico de dominação, usurpação e espoliação do continente. A economia brasileira surfou num suspiro de crescimento econômico internacional agora interrompido com a crise, mas a grande perda mesmo será não aproveitar a conjuntura política continental e articular uma frente cujo lema bem poderia ser “Outra América Latina é Possível”. A saída é política e não econômica.

Ricardo Alvarez
Geógrafo, é professor e editor do blog Controvérsia
blog.controversia.com.br

Link da matéria: http://blog.controversia.com.br/artigos-ricardo-alvarez/

A FOME NOSSA DE CADA DIA

A fome nossa de cada dia

Ricardo Alvarez

Desconsiderar a fome como questão central no Brasil implica na confissão de dois pecados imperdoáveis: abandonar ao relento do mercado quem sofre deste mal inconcebível em pleno século da tecnologia, e ignorar toda uma produção científica na busca de soluções para nossos problemas neste campo.

Aqueles que enveredam pela reflexão sobre o Brasil, buscando compreender a gênese e a estrutura de seus impasses atuais, deparam-se, necessariamente, com o apartheid social permanente destes mais de 500 anos de formação territorial. A recusa em reconhecer e, sobretudo agir para superar os dilemas produzidos pela grande concentração de renda, terra e poder têm marcado a história nacional com irritante persistência. A fome, em meio à recordes de colheita, é talvez um dos mais sintomáticos.

Enquanto uma parte das elites dirigentes está preocupada com frivolidades e o governo com o assistencialismo eleitoral, o povo da base da pirâmide vai se virando como pode. É preciso ser criativo, solidário e dotado de uma profunda resignação em aceitar o que já não serve ao restante da sociedade, para aproveitar as oportunidades que aparecem esporadicamente para as grandes hordas de excluídos, situação muito bem retratada numa charge do cartunista Angeli sobre o desemprego, onde uma pessoa com um megafone na mão anunciava uma profissão e seus ajudantes puxavam de um buraco uma única pessoa em meio a uma multidão disponível e de braços levantados.

Apesar da insistente cantilena da ideologia do sucesso individual, todos sabem que no capitalismo a pobreza pode ser esporádica para alguns, mas é permanente para a classe. E são justamente estes alguns que são usados como exemplo para mostrar que o sistema permite mobilidade social, ignorando a classe que não sai do lugar. Justificar a imobilidade da maioria com a mobilidade de pouquíssimos é, certamente, uma forma de contar a história e de fugir às raízes do dilema.

O baiano Milton Santos, um dos brilhantes geógrafos que estudaram nossa sociedade, alertou para o fato de que no período atual a fome passou a ser um dado generalizado e permanente no mundo. Mas dizia que os pobres, por conhecerem a experiência da escassez e o convívio permanente com ela, buscavam alternativas apoiadas na solidariedade para driblar as dificuldades cotidianas. Destas alternativas emergia um ‘circuito inferior da economia’, assim como uma cultura popular de massa em oposição a uma cultura midiática, que precisavam ser devidamente estudados, pois eles contêm a potencialidade da transformação.

A histórica ausência do Estado e das políticas públicas sociais, associado à restrita participação popular na tomada de decisões, aprofunda o abismo entre os de cima e os de baixo, gerando a indesejável colocação para o Brasil de um dos campeões na má distribuição de renda neste planeta. A combinação dionísica da exclusão promovida pelo mercado e a constituição de um Estado edificado para ser correia de transmissão dos interesses das elites nacionais.

Para as elites dirigentes, que se negam a enfrentar a barbárie cotidiana resultante desta babel brasilis, resta distribuir teses infundadas para não distribuir parte do bolo. Assim, proclamam que os crimes decorrem de uma maldade de berço de alguns predestinados, em geral pobres e negros. Se há fome é porque eles têm muitos filhos, necessário então reduzir a natalidade. Também não é possível produzir alimentos para tanta gente, portanto alguns terão que sofrer privação. O desemprego é responsabilidade direta dos preguiçosos e vagabundos que nesta condição estão pela falta de iniciativa e qualificação.

Esta mesma elite tacanha, que controla canais de TV, rádios e jornais, detém 75% da renda nacional, frequenta ‘bunkers’ como a Daslu (sobejamente sonegadora), percorre a metrópole paulista de helicóptero, visita ‘os paraísos da natureza’ desde que contenham exclusividade proporcionada por hotéis de alto luxo, e decreta, do alto de sua sabedoria provinciana, que os pobres gostam mesmo de pobreza.

Porém se estas teses vêm sendo repetidas ao longo do tempo, também são refutadas na mesma intensidade. Outro geógrafo que escancarou nossas vísceras sociais contaminadas e atacou o escândalo da fome em meadas décadas do século XX, foi o pernambucano Josué de Castro. Esclarecia que a fome não era um problema de ordem natural, como então majoritariamente se pensava, mas um contratempo humano. Dizia: “Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens”.

Suas idéias circulavam apoiadas neste pressuposto: “A apropriação injusta e ilegal da generosidade e abundância dos recursos da natureza, é, segundo Josué, responsável pelo subdesenvolvimento, gerador de miséria e a fome. A paz dependeria, fundamentalmente, do desarmamento aliado a um equilíbrio econômico do mundo, a partir de uma distribuição da riqueza visando o verdadeiro desenvolvimento a ser buscado, o humano.”, de acordo com o site que leva seu nome.

Hoje ainda contabilizamos dados assustadores neste sentido. De acordo com o Action Aid:

• O Brasil é o 9º país com maior número de pessoas com fome no mundo, com 8% de sua população consumindo alimentos em qualidade e quantidade insuficientes;

• Cerca de 21% da população vive com menos de 2 dólares por dia;

• 45% das crianças com menos de 5 anos sofrem de anemia crônica por falta de ferro na alimentação;

• 50 mil crianças nascem todos os anos com algum tipo de comprometimento mental devido à falta de iodo na alimentação;

Nosso PIB cresceu bastante desde a época de Josué de Castro e muita coisa mudou: já mandamos um astronauta circular nas alturas, ganhamos várias copas do mundo, nosso país se urbanizou, se modernizou, se industrializou e conseguimos a autosuficiência no petróleo. Mas a fome persiste.

Mesmo com o Programa Fome Zero (substituído em importância pelo PAC) os avanços foram tímidos, pois se limitou a uma política assistencialista de distribuição de alimentos, sem tocar nas raízes do problema. Busque na memória e você vai lembrar que quando estas críticas eram feitas ao Programa, rapidamente o governo se encarregava de retrucar dizendo que “a pessoa que tem fome não pode esperar discussão, debate e ideologia, era preciso agir”. É verdade, barriga vazia se combate com comida, já dizia o grande filósofo nacional, mas e hoje? Como ficam os famintos? O Programa fez água justamente porque a crítica tem fundamento.

O Brasil precisa de uma política agressiva de redistribuição de renda que não se resuma a distribuir benefícios. É preciso estar acompanhada necessariamente de outras medidas, como por exemplo, uma política de segurança alimentar apoiada na produção de víveres básicos do consumo popular. Os dados mais recentes mostram que ocupamos 3,0 milhões de hectares com a lavoura de arroz e 4,3 milhões com feijão. Parece um mundo de terras, mas se compararmos com os 851 milhões de hectares que formam este colosso chamado Brasil veremos que as cifras são raquíticas. Em outras palavras, apenas 0,85 do território nacional está ocupado com o cereal e a leguminosa. Um aumento de simples 20% na área plantada e na produção significaria passar dos 7,3 para 8,7 milhões de hectares como forte impacto na alimentação do povo brasileiro.

Obviamente o aumento da produção levaria a queda de preços, ruim para o produtor, bom para os consumidores, mas é justamente ai que entraria o governo com uma política de ampliação da produção de alimentos, garantindo preços mínimos, forçando a ocupação da terra, combatendo o latifúndio, gerando empregos no campo e atacando a fome. Ação muito mais eficiente, com míseros 20% de acréscimo na área plantada, do que o assistencialismo alimentar.

Os latifundiários, por exemplo, ocupam hoje mais de 20 milhões de hectares com soja quando no início dos anos 90 o número beirava os 11,5 milhões. A cana-de-açúcar foi de 4,2 para 6,5 no mesmo período. Arroz e feijão sofreram redução da área plantada. Hoje o brasileiro consome mais massas do que a interessante combinação do arroz com feijão, de grande valor nutritivo.

Não faltam terras, faltam políticas de distribuição delas. Não faltam empregos, falta vontade de enfrentar a terra improdutiva. Não falta comida, falta direcionar a produção para o atendimento das necessidades básicas de nossa população.

Houve um tempo em que um pensador britânico chamado Thomas Malthus fez muito sucesso quando escreveu (na virada do século XVIII para o XIX) que o mundo não suportaria a população vindoura, pois a nossa capacidade de produzir alimentos não acompanharia a correspondente geração de bocas. Embora ainda haja muitos neomalthusianos espalhados por ai, acreditando piamente em suas teses e defendendo a redução da natalidade como a única saída para o combate à fome, basta um pequeno esforço de raciocínio para desmoronar esta retórica infundada.

As evidências derrubaram o mito do excesso de gente e com ele todo o pensamento de Malthus. Mas a fome continua em pé.

Ricardo Alvarez
Geógrafo, é professor e editor do Blog Controvérsia
blog.controversia.com.br

Link da matéria: http://blog.controversia.com.br/2009/03/12/a-fome-nossa-de-cada-dia/

VENDILHÕES DA JUSTIÇA

Vendilhões da Justiça

 

Por João Melo Bentivi

São Luis – MA

 

João Melo Bentivi

João Melo Bentivi

Os exemplos ruins não caberiam em uma Delta Larousse. Ater-me-ei a dois!
O estado do Espírito Santo é azarado: as diabruras de suas elites ultrapassam ao meu funesto Maranhão. Há pouco, uma investigação da PF flagrou toda a cúpula do judiciário capixaba em ações impróprias.
A sociedade de lá e a desse Brasil imenso absorveu essa notícia como se fosse um fato localizado e nada mais. Aí está o maior problema: com toda cúpula da justiça corrompida, é impossível que a doença corruptiva esteja localizada somente em alguns. Sim, senhores, um desembargador corrupto não se faz da noite para o dia. Teve treinamento em corrupção durante toda uma vida e, obrigatoriamente, tem amigos, alunos, colaboradores e sucedâneos na mesma prática delitiva.
O problema é só no Espírito Santo? Nunca!!! Por esse Brasil afora se multiplicam os maus exemplos e bastaria que a Receita Federal fosse mais diligente, que encontraria não o nó da meada, mas vários novelos, cada qual com um corrupto maior. O sinal mais evidente do corrupto é uma vida incompatível com o seu nível salarial.
Servidor público, do menor barnabé ao presidente, tem salário carimbado. Entretanto, com qualquer lupa que se observa a Justiça, o que vemos é a ostentação absolutamente incompatível com o olerite. 
O segundo exemplo vem do meu maltratado Maranhão. Há poucos dias, o decano do TJ maranhense perdeu a calma e o comedimento e, em uma entrevista na Mirante AM, disse o que todos comentavam e ninguém tivera a coragem de denunciar, ou pelo menos se indignar. O resumo da entrevista é: a) a Justiça do Maranhão tem juízes corruptos; b) pelo menos dois membros da corte eleitoral negociavam sentenças de cassação de prefeitos; c) Em Itapecuru, cidade maranhense, uma das partes adentrou ao Fórum dizendo ao juiz – “devolve o meu dinheiro, ladrão, você recebeu dos dois lados”. Sobre essa cena insólita e irresponsável, contam que o procurador regional eleitoral concordou com o corrupto-enganado e instou ao corrupto-magistrado a devolver o dinheiro, que foi devolvido; d) Devido a esses fatos, o presidente da Associação Maranhense de Magistrados, em defesa de seus pupilos, em nota oficial, diz que os mesmos corruptos que existem no primeiro grau, também existem no segundo grau, como se esse empate corruptivo fizesse bem a quem quer que seja.
Somente esse relato a tudo explicaria. Não, infelizmente.
A primeira providência da Mirante AM, de propriedade do senador Sarney, foi tirar de todos os veículos a entrevista, que só não ficou perdida no éter, porque alguém teve ousadia e sensibilidade de gravar.
No dia seguinte, ouviu-se um silêncio comprometedor. Um ou outro, como o JP e o Walter Rodrigues (blogue do Colunão) ousaram romper o cerco. Do judiciário maranhense ouviu-se a voz solitária do íntegro juiz José Luis Almeida.
Como entender o porquê desse silêncio? Fácil! A urbe ignara o faz por desconhecimento, até. As elites, nunca! Nenhum comportamento é sem interesses. A corrupção da justiça existe porque beneficia as elites. Não há juiz corrupto por defender causas dos menos favorecidos! A corrupção foi e sempre será acordo de elites, em desfavor das classes trabalhadoras.
Nesse momento, o Maranhão vê a última fase desse filme maldito: afirmam que haverá uma correição e os culpados serão punidos. A vontade de rir, aliás, de chorar, é implacável. É como se nós, povo, fôssemos as galinhas e os togados as raposas. As galinhas jamais escreveriam a história!

 

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Origem desta publicação: http://www.mhariolincoln.jor.br/index.php?itemid=6534

HABEMOS OBAMA! – É Possível A Esperança

HABEMOS OBAMA! – É Possível A Esperança

 

© DE João Batista do Lago

 

Penso que nenhum analista, até o presente momento, tenha escrito algo a respeito do tema que me vou utilizar neste artigo. Mas se houve alguém que o fez, desde logo, ficam aqui minhas escusas, pois, não tive a oportunidade e o prazer de ler o texto. Refiro-me, especificamente, ao discurso da necessidade possível.

Se estudarmos toda a trajetória discursiva do Presidente Barack H. Obama, em todos e quaisquer eventos, desde o instante em que ele se lançou como candidato à Presidência dos Estados Unidos até o discurso da sua posse, ontem, 20, às 15:06h, verifica-se, no núcleo dos seus pronunciamentos, a elaboração, construção e formação, ou seja, a teorização de um novo sujeito – seja do ponto de vista político, seja do ponto de vista de uma sociologia das práticas sociais: a Possibilidade possível e necessária.

Entenda-se, para este caso, que o “Sujeito” não é pura e simplesmente o indivíduo, mas “o ator social coletivo pelo qual indivíduo atinge o significado holístico em sua experiência, (…) talvez com base em uma identidade oprimida, porém expandindo-se no sentido da transformação da sociedade (…) de uma perspectiva bastante distinta, a reconciliação de todos os seres humanos como fiéis, irmãos e irmãs, de acordo com as leis de Deus, seja Alá ou Jesus, como consequência da conversação das sociedades infiéis, materialistas e contrárias aos valores da família, antes incapazes de satisfazer as necessidades humanas e os desígnios de Deus” (Munuel Castells).

Possivelmente este sujeito – Possibilidade – seja, de fato e de direito, o principal responsável pela campanha vitoriosa do Presidente Barack H. Obama. Sem ele, acredito, o senador não obteria o sucesso. Foi por intermédio dele que o presidente eleito atingiu a massa dos eleitores norte-americanos, pois estes se viram construídos, como “carnes” no corpus daquele sujeito. Ou seja, o eleitorado assumiu por definitivo que a possibilidade, da qual se referiam o candidato e o agora o Presidente, era e é uma realidade possível, isto é, uma necessidade de se transformar em real.

Desde o princípio da campanha o Presidente Barack H. Obama, insistiu na sua máxima: “Sim, nós podemos!”. Esse aforismo, ao longo da campanha deixa de ser simples enunciado para se transformar num significado de possibilidades reais. Nele está implícito, por exemplo, a conotação da possibilidade (e da necessidade) de se pensar, ou mesmo sonhar, com um possível mundo real onde se pode “forjar a paz (…) nesta nova era de responsabilidade (…) de uma nova direção baseada em interesses mútuos e respeito mútuo”.

Este pensamento elaborado do Presidente Barack H. Obama, sobre a questão do possível, outra coisa não é que “senão a repetição do argumento vitorioso de Deodoro Cronos, que reaparece toda vez que se reduz o P. a uma potencialidade, na qual devam estar presentes todas as condições de realização, estando, pois, destinada infalivelmente a realizar-se. Este é o conceito de P. encontrado em Hegel, que distinguia possibilidade real e mera possibilidade; esta seria “a vã abstração da reflexão em si”, ou seja, uma simples representação subjetiva, ao passo que se tem a possibilidade real quando ocorrem todas as condições de uma coisa, de tal maneira que a coisa deve tornar-se real; e obvio que, neste caso, possibilidade real não se distingue de necessidade. A noção de possibilidade real neste sentido e frequentemente empregada pelos seguidores de Hegel, sejam eles idealistas ou marxistas. Muitas vezes esta noção foi empregada para designar a predeterminação dos eventos históricos em suas condições, portanto para fundamentar a possibilidade de previsão infalível da evolução futura da historia. Foi deste modo que G. LUKACS usou esse conceito (Geschichte und Klassenbewusstsein, 1923; trad. fr., 1960, p. 104 ss.). Com o mesmo significado de potencialidade, esse conceito esta pressuposto num livro de S. Buchanan, em que a possibilidade é definida como “a idéia reguladora da analise do todo em suas partes”, sendo as partes definidas como “a potencialidade do todo” (Possibility, 1927, pp. 81 ss.).” – in Nicola Abbagnano.

 

* * * * *

 

 

DO SUJEITO POSSÍVEL

 

(poema dedicado ao

Presidente Barack H. Obama)

 

© DE João Batista do Lago

 

No quadro negro da Esperança surges

Como a esperança possível e

Tão necessitada.

Não à-toa todos os olhares de todo o mundo te viram

E te admiraram e te sonharam e te saudaram

Como “eus” próprios construtores duma nova era.

A Paz é possível! – Disseste-o.

Pensamos todos, então:

– A Esperança recalcada pela ganância da guerra

Há-de reverter o mundo para o caminho da Paz;

A ganância do dinheiro construtor das misérias

Há-de contribuir para saciar a sede e a fome;

A ganância dos insensatos e ímpios de toda sorte

Há-de refluir para se construir um novo mundo.

 

Sim, nós podemos!

Sim, tudo é possível!

Sim, a Esperança pode vencer o medo!

Sim, a Paz é uma necessidade possível!

Sim, a miséria pode ser vencida!

Sim, o trabalho pode ser garantido!

Sim, o lucro pode ser dividido!

Sim, as guerras podem ser vencidas!

 

– Eis a mão estendida para todos vós

Ó povos de todo o mundo;

Ó povos de todas as raças;

Ó povos de todas as religiões.

Eis que vos convoco para a nova era:

A construção da Paz é possível.

 

A possibilidade do novo Homem

Não é a possibilidade do homem só.

 

Temos, enfim, a possibilidade de um mundo novo

Que nasce dum ano novo num novo janeiro;

Dum homem novo que pare no leito-carne do mundo

Sujeitos capazes de estabelecer a revolução da paz radical.

 

Temos, assim, a possibilidade de renascer!

Renascer do ventre de todas as esperanças

Antes recalcadas e inférteis e estéreis.

 

Temos, pois, o direito e o dever de um novo ente:

Ser da Esperança.

Somos a Possibilidade do Ser.

 

* * * * *

 

OF THE POSSIBLE CITIZEN

 

(dedicated poem to

President Barack H. Obama)

 

© OF João Batista do Lago

 

In the black picture of the Hope you appear

As possible hope and

So needed.

Admired all looks turn you to the whole world

They had admired you to, they had dreamed and you, they had greeted and you

As “I” proper constructors of a new age.

The Peace is possible! – You said it.

We think all, then:

– The Hope stressed for the greed of the war

Have-of reverting the world for the way of the Peace;

The greed of the construction money of the miseries

Have-of contributing to satisfy the headquarters and the hunger;

The greed of the foolish and bad of all luck

Have-of flowing back to construct a new world.

 

Yes, we can!

Yes, everything is possible!

Yes, the Hope can win the fear!

Yes, the Peace is a possible necessity!

Yes, the misery can be won!

Yes, the work can be guaranteed!

Yes, the profit can be divided!

Yes, the wars can be won!

 

– Here it is the hand extended for all you

Ó the whole world peoples;

Ó peoples of all the races;

Ó peoples of all the religions.

Here it is I convoke that you for the new age:

The construction of the Peace is possible.

 

The possibility of the new Man

It is not the possibility of the man alone.

 

We have, at last, the possibility of a new world

That it is born of one year new in a new January;

Of a new man who stops in the stream bed-meat of the world

Citizens capable to establish the revolution of the radical peace.

 

We have, thus, the possibility of to be born of new!

To be born of new of the womb of all the hopes

Before stressed and infertile and barren.

 

We have, therefore, the right and the duty of a new being:

To be of the Hope.

We are the Possibility of the Being.

BANCO DE NOTÍCIAS – 09 de janeiro de 2009

O Globo

Manchete: Israel ataca durante trégua e faz ONU suspender ajuda

A ONU suspendeu as operações de ajuda humanitária à população civil palestina após dois funcionários terem sido mortos por disparos de um tanque israelense contra um comboio que levava alimentos às vítimas, durante a trégua diária de três horas. Outro comboio, da Cruz Vermelha, também foi atingido durante o cessar-fogo, deflagrando uma forte onda de críticas contra o governo israelense. Israel negou as acusações e informou que investiga os episódios. Os EUA pediram ao país que a trégua diária seja ampliada, tendo em vista “a desesperada situação humanitária na região”. Segundo a ONU, já há 257 crianças mortas e 1.080 feridos. Pelo menos três foguetes foram disparados do Líbano no norte de Israel, aumentando os temores de uma segunda frente de guerra. O Hezbollah negou ter sido o autor do ataque. (págs. 1, 29 a 31, Merval Pereira e editorial “O voo dos falcões”)

Orçamento: na Saúde, só 7% executados

O governo executou apenas 22,5% dos investimentos previstos no Orçamento de 2008. De R$ 47,6 bilhões aprovados na lei, só R$ 10,7 bilhões saíram do papel. Na Saúde, 7% dos R$ 3,9 bilhões previstos foram de fato investidos. (págs. 1 e 3)

Câmara: carta marcada para plano de saúde

Na escolha do novo plano de saúde dos funcionários da Câmara, tudo foi montado para que o sindicato entregue o atendimento à Amil, sem licitação, informa Ilimar Franco, no Panorama Político. Serão R$ 43 milhões. (págs. 1 e 2)

BB fecha compra do Votorantim

O Banco do Brasil deve anunciar hoje a compra de 49% do capital do Banco Votorantim, da família Ermírio de Moraes. Em novembro, o BB já levara a Nossa Caixa do governo paulista. (págs. 1 e 27)

Produção nas montadoras caiu 54%

Em dezembro, apesar da redução do IPI que favoreceu o setor, a produção de veículos no país caiu 54% em relação ao mesmo mês de 2007. O aumento das vendas só esvaziou pátios estocados de indústrias e concessionárias. (págs. 1 e 25)

Obama faz apelo ao Congresso por socorro

Em discurso em que conclamou o Congresso a aprovar com urgência o pacote para recuperação da economia, o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, disse que, se a ajuda não sair logo, a nação corre o risco de afundar numa crise que pode não ter mais volta. Ele reafirmou que dará US$ 1 mil a 95% dos americanos. (págs. 1, 23 e Míriam Leitão)

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Folha de S. Paulo

Manchete: ONU para ajuda após ataque em Gaza

No 13º dia de ofensiva de Israel contra o Hamas na faixa de Gaza, as Nações Unidas decidiram sustar a entrega de ajuda humanitária após afirmarem que o motorista de um caminhão de suprimentos foi morto em um ataque israelense. A Cruz Vermelha também acusou Israel de impedir a ajuda aos feridos. O país negou e disse não haver prova de que o motorista da ONU foi morto por fogo israelense, mas prometeu investigar. Estima-se que os mortos no conflito já sejam quase 800. Ontem, três mísseis disparados do Líbano atingiram o norte de Israel, ferindo dois. O Hizbollah, que controla o sul libanês, negou envolvimento; para os israelenses, trata-se de evento isolado. Representantes de EUA, França. Reino Unido e países árabes chegaram ao consenso sobre uma resolução no Conselho de Segurança da ONU. Ainda sujeita a votação, ela deverá exigir o cessar-fogo em Gaza. (págs. 1 e Mundo)

Produção de veículos no país cai pela metade

A produção das montadoras no país caiu pela metade no mês passado. Houve recuo de 54% ante dezembro de 2007 e de 47% na comparação com novembro último, segundo a Anfavea (associação dos fabricantes). Foram 3.208 demissões em dezembro, ante 480 em novembro. Mas, apesar da forte queda no final do ano, o setor teve produção recorde em 2008: 3,21 milhões de unidades, aumento de 8% em relação a 2007. (págs. 1 e B3)

Saúde

Ações para obter novos remédios fazem governo gastar R$52 mi. (págs. 1 e C9)

Editoriais

Leia “Cortes e mordidas”, acerca de gastos da Câmara dos Deputados; e “Inflação em queda”, sobre índices de 2008. (págs. 1 e A2)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: Obama apela por ações dramáticas contra a crise

0 presidente eleito dos EUA, Barack Obama, fez ontem um apelo dramático para que o Con­gresso aprove o mais rápido possível o plano de estímulo eco­nômico, de US$ 800 bilhões, com que pretende iniciar seu mandato. Em discurso, Obama pediu que líderes democratas e republicanos colocassem “as necessidades urgentes” dos EUA acima dos “interesses es­treitos” da política partidária. Ele descreveu um horizonte crí­tico se o pacote demorar a pas­sar. Segundo ele, a recessão “po­de se estender por anos”, o desemprego “pode atingir dois dí­gitos” e a economia dos EUA” pode ficar US$ 1 trilhão abaixo de sua capacidade total”. Para o presidente eleito; a crise “não parece com nada que tenhamos visto ao longo das nossas vidas, e só se aprofundou nas últimas semanas”. Apenas a ação do Es­tado, disse Obama, pode reati­var a economia. Seu plano in­clui investimentos em infraes­trutura, gastos sociais e corte de impostos – Obama falou em reduzir US$ 1.000 em tributos para 95% das famílias de traba­lhadores americanos. (págs. 1 e B1)

Governo quer estabilidade se contrato for suspenso

O Ministério do Trabalho es­tuda meios de dar alguma es­tabilidade a trabalhadores que tiverem seu contrato de trabalho suspenso. A ideia é impedir a demissão por tempo igual ao do período de sus­pensão. Hoje, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, vai se reunir com sindicalistas pa­ra discutir formas de conter as demissões. A principal proposta de Skaf será a redu­ção da jornada de trabalho e dos salários .(págs. 1 e B4)

A cobrança aos banqueiros

É muito provável um corte da taxa Selic na próxima reu­nião do Copom. Mas a redução pouco ajudará a baratear o cré­dito se os bancos mantiverem o spread exagerado. (págs. 1 e A3)

Garibaldi anuncia candidatura

Em carta, presidente da casa confirmou que quer reeleição. (págs. 1 e A4)

Produção de veículos cai 47% em dezembro

A produção de veículos em de­zembro caiu 54,1% sobre o mes­mo mês do ano anterior e foi 47,1% menor na comparação com novembro, segundo a Anfa­vea. Trata-se do pior desempe­nho mensal em nove anos. No fim de dezembro, os estoques estavam em 211 mil veículos, o equivalente a 36 dias de venda, contra média entre 27 e 28 dias nos últimos meses. Mesmo as­sim, as montadoras fecharam 2008 com vendas 14,5% maio­res do que em 2007 .(págs. 1 e B3)

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Jornal do Brasil

Manchete: Nem a ONU resiste

Isolados na Faixa de Gaza, sob fogo israelense, civis palestinos viram sua situação piorar ontem, quando a ONU suspendeu a ajuda humanitária por causa da morte de dois motoristas do comboio de suprimentos. Uma escola das Nações Unidas já havia sido atacada. E a situação política na região pode se agravar. Foguetes vindos do Líbano caíram no Norte de Israel, que revidou. Extremistas não assumiram o ataque. (pág. 1 e Tema do dia, págs. A2 a A6)

Com pressão, juros podem ter redução tímida

A pressão generalizada contra a política de juros do Banco Central – que ganhou o apoio até da Federação Brasileira dos Bancos – ameaça gerar um efeito colateral inesperado: a redução mais tímida da Selic. (págs.1, A17 e A8)

Obama promete alívio de impostos

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, anunciou que oferecerá US$ 1 mil em redução de impostos para até 95% das famílias de classe média. Prometeu que seu pacote de recuperação da economia vai abranger assistência e cobertura de plano de saúde dos desempregados, além de proposta para, em três anos, dobrar a produção de energia alternativa. (págs. 1 e A17)

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Correio Braziliense

Manchete: Farra da Câmara alvoraça o Senado

A criação do privilégio pelos deputados fez renascer com toda a força o lobby para que ele seja adotado também na Casa Alta. Servidores vão pressionar Mesa Diretora para deliberar sobre o assunto ainda este mês. (pág. 1 e Tema do dia, pág. 2)

BC culpa bancos por juro alto

Um dia depois de ouvir do presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, uma queixa quanto à taxa de juros, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reage e diz que é dos bancos e de seus gordos lucros a culpa pelo alto preço dos empréstimos no Brasil. (págs. 1 e 12)

Graninha extravia Lei de Anistia

Pelo menos 13 mil ex-políticos com mandatos exercidos nas câmaras de vereadores durante a ditadura militar deram entrada, na Comissão de Anistia, a pedidos de indenização que somam R$ 2 bi. Alegam perseguição política, mesmo sem nunca terem sido cassados. (págs. 1 e 4)

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Valor Econômico

Manchete: Lula quer governadores na campanha anticrise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende chamar a Brasília os governadores dos Estados mais industrializados para pedir a manutenção de investimentos e informar que a União poderá conceder mais alívios tributários. O formato e a data do encontro ainda não estão definidos. A idéia do Plana1to é convidar os governadores dos Estados do Sudeste, além dos da Bahia e Rio Grande do Sul. Amazonas e Pará também podem ser chamados, pela importância da Zona Franca, no primeiro, e da mineração, no segundo.

As novidades no campo tributário estão em estudo. Além de uma redução ainda maior no prazo de devolução dos créditos do PIS/Cofins de investimentos, pretende-se retardar a cobrança do ICMS de setores específicos, medidas já adotadas por São Paulo e Minas para todos os setores. Estuda-se também a criação de novas alíquotas para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, a exemplo do que o governo já fez com o IR da pessoa física.

O governo pensa também em abrir uma linha ‘de crédito a Estados e municípios, provavelmente por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para estimular a troca das frotas oficiais de carros. A medida poderia dar uma injeção de ânimo no setor automobilístico.

A idéia é que a reunião ocorra antes do balanço de dois anos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), previsto para a primeira quinzena de fevereiro. O governo federal considera que as medidas adotadas no combate à crise terão efeitos melhores se houver a adesão de governadores e prefeitos.

Lula vai sugerir que os governadores reúnam os empresários de seus Estados para debater, em conjunto com a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB), alternativas para aumentar a liberação de crédito pelos bancos públicos.

O presidente já vem conversando com governadores e alguns prefeitos, mas não em conjunto. A crise também deve ser alvo da conversa de Lula com os governadores das regiões Norte e Nordeste e com todos os prefeitos que tomaram posse em 1º de janeiro. A primeira reunião está pré-agendada para a última semana de janeiro e o encontro com os prefeitos está confirmado para os dias 10 e 11 de fevereiro. (págs. 1 e A3)

Idéias

Alex Ribeiro: pressões do governo para BC baixar juros são desnecessárias e impõem custos à economia. (págs. 1 e A2)

Para Kelman, país correu risco

Em 2008, o Brasil corria um risco de racionamento muito maior do que o tolerável. O diretor-geral da Aneel,Jerson Kelman, que deixa o posto na próxima semana, diz que essa é a verdade: “Nisso coloco todos os meus diplomas”. Em entrevista ao Valor, ele revela que, em conversa bastante tensa, alertou o presidente Lula para o fato de que o risco era maior do que o de 2001, quando houve o apagão no governo Fernando Henrique. “Mas, infelizmente, aquilo tudo foi confundido, parecia que eu estava torcendo por um racionamento”, afirma Kelman, que considera o episódio uma causa “relevante” da sua não recondução à direção da agência.

O diretor da Aneel não tem dúvidas de que naquele momento deveria insistir na adoção de medidas preventivas, embora desagradáveis, como o direcionamento do gás natural para as usinas termelétricas e a interrupção do abastecimento para os veículos. “Isso não foi nem cogitado por causa do impacto político e teria saído mais barato do que acionar as térmicas a óleo”. Quanto custou isso? “R$ 1,7 bilhão”, responde Kelman. “É claro que o consumidor não viu, mas vai sentir no bolso.” (págs. 1 e A10)

Movimento de aquisições no varejo

O movimento de aquisições no varejo deve crescer em 2009, um ano de falta de crédito e desaceleração nas vendas. Grandes varejistas, como o grupo Pão de Açúcar, já estudam oportunidades. E as redes de médio porte, tradicionais alvos nesse tipo de negócio, preparam-se para fortalecer a operação. A rede paulista de supermercados Sonda, que já recebeu várias propostas de compra, pretende abrir oito lojas neste ano, com recursos do BNDES. A Leader, do Rio, que quase foi vendida à Renner em 2008, não pretende voltar ã mesa de negociações. “Não vai ser um ano para uma empresa ter seu valor reconhecido. Os ativos estão muito desvalorizados”, diz seu diretor-executivo, Rogério Macedo. As catarinenses Angeloni e Salfer também avisam que não estão à venda. (págs. 1 e B4)

Teles travam disputa com fornecedores

As operadoras de telefonia mantêm uma queda-de-braço com fornecedores de equipamentos para baixar custos diante da crise financeira. A expectativa é de que haverá redução nas compras das operadoras nos países onde a economia está em retração. “Como os fabricantes são globais, terão de repassar a baixa dos preços”, diz Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi, que depois de incorporar a BrT deve investir R$ 30 bilhões em cinco anos. O presidente da TIM, Mario Cezar Pereira de Araújo, colocou os fabricantes de celulares para brigar entre si: “Estipulamos o tipo de aparelho, a faixa de preço com câmbio fixado e não tem discussão. Fechamos com quem se enquadrar ao nosso patamar”. (págs. 1 e B3)

Pedidos de recuperação aumentam

Ainda que o número de pedidos de recuperação judicial tenha crescido apenas 15,9% em 2008, na comparação com 2007, os dois últimos meses do ano evidenciam o efeito da crise econômica sobre o setor produtivo. Novembro e dezembro registraram, segundo dados da Serasa, aumentos de 143% e 130% no total de pedidos, respectivamente, quando comparados a 2007. Tudo indica que os primeiros meses de 2009 seguirão a mesma tendência. Escritórios de advocacia que atuam na área, consultados pelo Valor, relatam grande procura por parte de empresas de diversos setores desde o fim do ano passado e têm vários pedidos a ser encaminhados à Justiça. (págs. 1 e E1)

Mercado espera corte maior na taxa de juros

Os juros caíram bastante ontem, no mercado futuro, passando a embutir a expectativa de uma redução maior da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O corte, antes projetado em 0,25 ponto percentual, aumentou para 0,50 a 0,75 ponto. As projeções foram revistas após notícias sobre a queda na produção de veículos em dezembro e as discussões sobre a antecipação da reunião do Copom. O ex-presidente do BC, Armínio Fraga, acredita que, com a instabilidade econômica, seria melhor voltar às reuniões mensais do Copom, abandonadas em 2006. (págs. 1, Cl e C2)

Seca traz riscos à safra no Centro-Sul

A forte seca na Região Sul do país e em Mato Grosso do Sul ainda causará mais estragos à safra agrícola. Só nos últimos 40 dias, o Banco Central recebeu 18 mil comunicados de perdas nas lavouras da Região Sul com pedidos de cobertura do seguro oficial de crédito (Proagro).

Somados, os quatro Estados produzem 48% da safra de grãos, fibras e cereais -ou 66,2 milhões de toneladas. O Instituto Nacional de Meteorologia calcula em 40% a probabilidade de chover abaixo da média histórica nessas regiões até março. (págs. 1 e B10)

Idéias

César Felício: há grande contraste entre a crise de agora e a de 1999. (págs. 1 e A5)

Montadoras desaceleram

As montadoras instaladas no país produziram no ano passado o volume recorde de 3,2 milhões de veículos. Foram vendidos no mercado interno 2,8 milhões, colocando o Brasil como o quinto maior mercado do mundo. Em dezembro, a produção caiu 54,1% frente ao mesmo mês de 2007. (pág. 1 e B6)

Menos caminhões

Pelo terceiro mês consecutivo, o fluxo de veículos pesados caiu nas rodovias privatizadas das regiões Sul e Sudeste. Segundo a associação das concessionárias (ABCR), a queda em dezembro foi de 3,7% em relação ao mês anterior.(págs.1 e B7)

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Gazeta Mercantil

Manchete: Auditorias de grande porte serão auditadas

As quatro maiores empresas de auditoria com atuação no Brasil terão muito trabalho pela frente no ano que começa. Além de auxiliarem o processo de convergência contábil das companhias locais, também terão de adequar-se à Lei 11.638. Como foram enquadradas pela nova legislação como empresas de grande porte, terão de passar a ter seus balanços auditados por uma empresa independente. A obrigatoriedade deve movimentar o mercado de auditorias do País. Empresas médias disputarão a prestação do serviço para as “gigantes”, que não devem contratar uma semelhante para fazer o trabalho.

Uma das que podem se beneficiar da nova necessidade é a BDO Trevisan. “Estamos no jogo. Temos estrutura e capacidade para dar conta do trabalho”, diz o presidente da BDO, Eduardo Pocetti. Entre os potenciais alvos está a Deloitte, cujo conselho de administração já iniciou o processo para selecionar quem prestará o serviço. “Será uma escolha difícil”, diz o presidente da empresa, Juarez Lopes de Araújo. (págs. 1 e B1)

Governo planeja distribuir habitações gratuitamente

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, planeja distribuir gratuitamente habitações e conceder subsídios para a população de menor poder aquisitivo para compra de imóveis. O governo federal estuda também o corte de tributos que incidem sobre material de construção, segundo dados da minuta do plano de estímulo à construção civil.

O projeto foi confirmado por José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC), que participou do processo de formulação do conjunto de medidas.

A indústria da construção civil respondeu pela criação de cerca de 20% de novos postos de trabalho no ano passado, afirmou Martins. “As medidas serão um instrumento para estimular o crescimento da economia e gerar empregos”, afirmou. (págs. 1 e A5)

Embrapa quer tirar etanol da mandioca-doce

O açúcar que dá nome a uma variedade de mandioca será o combustível que vai movimentar uma usina de etanol a partir de março em Brasília. A mandioca açucarada, encontrada em plantações domésticas no Norte do País,principalmente no Pará, e cultivada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em pleno Cerrado, possui a mesma quantidade de sacarose que a cana-de-açúcar e tem 25% de glicose adicional. Com uma tonelada da raiz se produzem 211 litros de etanol, ante os 85 litros que se extraem da mesma quantidade de cana. A glicose presente na mandioca acelera a conversão do açúcar em álcool e dispensa a adição de enzimas ao processo, reduzindo o custo energético em até 40%. (págs. 1 e B9)

Receita está mais atenta às grandes empresas

As grandes empresas estão na mira da fiscalização da Receita Federal durante este ano. O Fisco vem anunciando, desde 2007, que vai dispensar um tratamento especial às grandes empresas, mas só no fim do ano passado foi publicada uma portaria regulamentando essa fiscalização diferenciada. De acordo com as novas regras, haverá dois critérios para fiscalização. Empresas com receita bruta anual superior a R$ 65 milhões terão um tratamento diferenciado. Ou seja, haverá um monitoramento da arrecadação e das informações disponíveis nos sistemas da própria Receita. Já empresas com faturamento anual superior a R$ 350 milhões, além do monitoramento, terão tratamento prioritário na recuperação de créditos tributários.

“A redução da receita tributária por conta da crise econômica fez com que o governo buscasse alternativas e acabou por acelerar a decisão de destinar mais recursos à fiscalização das grandes empresas”, diz o advogado José Carlos Mota Vergueiro, do Velloza, Girotto e Lindenbojm Advogados. “Isso não significa que pequenos contribuintes serão esquecidos”, alerta. (págs. 1 e A7)

BB tenta voltar à liderança

O Banco do Brasil pretende retomar a liderança no mercado bancário no País com a estratégia de aquisições, que deve incluir em breve o Banco Votorantim, segundo fontes que acompanham o negócio. (págs. 1 e B3)

Recorde na exportação de café

As exportações de café foram recorde em 2008, com o embarque de 29,3 milhões de sacas, 4% mais que em 2007. A receita também foi a maior já registrada — US$ 4,7 bilhões, aumento de 23%. (págs. 1 e B9)

Investimentos

Valorização do dólar favorece fundos Fiex. (págs. 1 e B1)

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Estado de Minas

Manchete: Cruzada contra os estragos da chuva

Governo de Minas anuncia liberação de R$ 30 milhões para socorrer as cidades mais prejudicadas. Prefeitura de BH divulga hoje decreto de estado de emergência no perímetro atingido pela enchente de ano novo, para que as famílias possam sacar parcela do FGTS. Ontem, técnicos deram início ao cadastramento de moradores e comerciantes na Região Oeste (foto), que poderão receber ajuda financeira do município ou ter isenção do IPTU. (págs. 1 e 21)

Ex-reitores apóiam gestão sob suspeita

Oito ex-reitores da UFMG, que prestaram ontem solidariedade ao atual, Ronaldo Tadeu Pena, também tiveram irregularidades apontadas na gestão da universidade. (pág. 1)

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Jornal do Commercio

Manchete: Celpe vai reenviar contas de luz (pág. 1)


Preço do gás natural vai sofrer redução neste início de ano (pág. 1)


Comboio da ONU sofre ataque e ajuda é suspensa (pág. 1)

Lula e premiê luso defendem nova ordem da economia global

Salvador, 28 out (Lusa) – O presidente brasileiro e o primeiro-ministro português defenderam nesta terça-feira, no final da 9ª cúpula Brasil-Portugal, uma nova ordem no sistema econômico global, com maior intervenção dos Estados e reforma das instituições políticas e financeiras internacionais.

“Chegou a hora da política”, afirmaram Lula e José Sócrates, exigindo uma nova regulação dos mercados face à crise global, principal tópico desta cúpula luso-brasileira.

Lula e Sócrates destacaram que têm a mesma visão estratégica em relação à crise e à necessidade de enfrentá-la, tema que dominou os discursos proferidos na Capela da Misericórdia, dentro do Museu da Misericórdia, no centro histórico de Salvador.

“A primeira prioridade é restabelecer a estabilidade no nosso sistema financeiro como resposta de curto prazo para mitigar os efeitos da crise. Mas não temos o direito, tanto político como moral, de deixar tudo na mesma. Há, portanto, uma agenda de mudança no mundo”, assinalou o primeiro-ministro português.

Na avaliação de José Sócrates, esta crise assinala a derrota daqueles que advogavam o pensamento único e condenavam a intervenção do Estado na economia, além de mostrar a necessidade de uma nova ordem econômica global mais justa e com instituições mais representativas, seja no âmbito político como financeiro.

O presidente brasileiro disse que “o Estado volta a ter um papel extraordinário”.

“Chegou a hora de os políticos entrarem em ação em defesa das populações. Não podemos admitir que o sistema financeiro internacional brinque com a sociedade, trocando apenas papéis que perpassam, às vezes, até dez instituições”, destacou Lula, acrescentando que a crise tem duração e conseqüências ainda imprevisíveis.

Os dois líderes defenderam igualmente a retoma das negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e das negociações comerciais entre a União Européia e o Mercosul neste momento de crise internacional.

“A resposta à crise não pode ser mais protecionista. O que deve haver é mais regulação”, frisou o chefe do Governo português

José Sócrates admitiu não imaginar o que seria de Portugal se não estivesse na zona do euro e destacou o papel de Lisboa no âmbito da União Européia e do Brasil no G-20, grupo dos países em desenvolvimento, para que haja uma “resposta à altura” para a crise.

Dentro de duas semanas, em Washington, realiza-se uma cúpula do G-20 para discutir medidas para enfrentar a crise e propostas de reformas no sistema financeiro internacional.

Sócrates voltou a apoiar a reivindicação brasileira de ter um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e também uma maior participação do Brasil nas instituições financeiras que vão agora contribuir para uma regulação mais eficaz.

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Fonte: LUSA

Rei da Jordânia quer atuação do Brasil pela paz no Oriente Médio

Diógenis Santos
O rei Abdula 2º (D) foi recebido pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia.
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Em visita ao Congresso nesta quinta-feira, o rei Abdula 2º, da Jordânia, disse que acredita no início de um novo capítulo nas relações políticas e econômicas entre o Brasil e o seu país. Ele destacou que as nações do Oriente Médio gostariam de ver o Brasil desempenhar um papel mais importante no cenário mundial, principalmente no processo de paz entre Israel e Palestina.

Ao comentar os efeitos da crise financeira no mundo, o rei observou que no Oriente Médio alguns países têm mais dificuldades porque não contam com riquezas naturais. “Quando falamos em responsabilidade social e regional, precisamos ajudar quem sofre mais. A estabilidade mundial envolve todos”, acrescentou.

Ele também lembrou a importância do apoio à classe média: “A crise surge em um momento de fortalecimento da classe média em meu país. Nosso desafio é duplo: devemos proteger os mais pobres e apoiar a classe média, pois ela precisa estar forte para haver desenvolvimento”.

Laços fortalecidos
O rei veio ao Brasil junto com uma comitiva de empresários que buscam negócios com o País. De acordo com o governo da Jordânia, o comércio bilateral pode ser ampliado em setores como os de fertilizantes, farmacêuticos, têxteis e de tecnologia.

Durante o encontro, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, lembrou que esta é a primeira vez em que um rei da Jordânia vem ao Brasil, e mencionou o esforço de Abdula 2º pela paz na região.

Chinaglia destacou a relevância da visita e do apoio, dos países do Oriente Médio, à aproximação cultural e ao estreitamento das relações comerciais com a América Latina. “O comércio entre os nossos países aumentou quase dez vezes nos últimos anos. Espero que esta visita ajude a melhorar ainda mais esse intercâmbio”, salientou.

O deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), um dos coordenadores da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, pediu a participação de parlamentares da Jordânia no 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que acontecerá de 25 a 28 de novembro no Rio de Janeiro. O rei disse que vai se empenhar para que esse convite seja atendido.

O encontro com Abdula 2º teve também as presenças do embaixador do Brasil na Jordânia, Fernando de Abreu; do presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB); e dos deputados Osmar Serraglio (PMDB-PR), Átila Lins (PMDB-AM) e Darcísio Perondi (PMDB-RS).

Notícias anteriores:
Deputados se mobilizam por paz entre Israel e Palestina

Reportagem – Idhelene Macêdo/Rádio Câmara
Edição – João Pitella Junior

 

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Brasil tem reservas e equilíbrio financeiro para enfrentar crise mundial‏

 
Editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Nº83 – Brasília, 16 de Outubro de 2008
 
 

Brasil tem reservas e equilíbrio financeiro para enfrentar crise mundial

Os efeitos da crise econômica internacional no planejamento orçamentário do governo foram comentados pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, no programa Bom Dia Ministro, produzido pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República nesta quinta-feira (16). Na entrevista, transmitida via satélite a rádios de todo País, Bernardo também reafirmou a disposição do governo em garantir ao máximo a continuidade dos investimentos no Brasil, sejam eles públicos ou privados.

Crise internacional – Não podemos dizer, de forma alguma, que não estamos preocupados com essa crise. Estamos preocupados, tanto que temos praticamente todo o dia tratado deste assunto. O ministro da Fazenda,Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foram os Estados Unidos participar da reunião anual do FMI. Era uma reunião de rotina, mas, evidentemente, o assunto todo foi a crise. O presidente Lula foi nesta semana para Espanha, Índia e Moçambique. Em todos esses lugares, ele tem tratado da crise. Se dependêssemos de medidas a serem tomadas agora, provavelmente estaríamos no mesmo redemoinho que se encontram os Estados Unidos e a Europa. O que nos protege são as medidas que o governo adotou nos últimos seis anos, quando conseguimos sólidas reservas de dólar. Conseguimos colocar o país em crescimento com a inflação controlada, mantendo o Orçamento equilibrado e aumentando o crédito. Portanto, essas medidas trazem uma certa blindagem ao Brasil. Não estamos completamente imunes, mas a crise vai bater muito menos aqui do que em outros países. O trabalho que o governo está fazendo agora liberando recursos de compulsórios no Banco Central, prevendo recursos para o crédito dos exportadores, para a agricultura, tem o objetivo de diminuir o efeito da crise. Tudo indica que teremos um bom Natal. O Brasil deve gerar mais de dois milhões de empregos em 2008. Estamos tratando de minimizar os efeitos de uma crise como essa aqui no Brasil.

Crescimento  – Vamos crescer mais de 5% este ano. A previsão para o ano que vem é de 4,5% e de certa forma todos concordam que deve diminuir um pouco esse crescimento. O FMI fez uma previsão de que a economia brasileira vai crescer 3,7% – não estamos tão distantes em termos de projeção. Não vejo nenhum motivo para os servidores públicos ficarem preocupados e tão pouco os beneficiários dos nossos programas sociais, visto que o governo tem a orientação do presidente Lula de não mexer nos programas sociais. É evidente que quem trabalha no mercado tem motivo maior para ter preocupação, porque se diminuiu o ritmo de criação de empregos, se diminuírem as vendas, se a economia desacelerar, corremos o risco de ter um aumento de desemprego. O desemprego em julho foi o menor da história recente e queremos manter isso. Entretanto, acho que não dá para a gente ficar alarmado antes da hora. A verdade é que até o momento n ão tivemos qualquer efeito na economia real brasileira dessa crise externa. Acho que devemos ficar tranqüilos, porque não temos todos os elementos para dizer que vai ter um efeito grave da crise. É bem provável que diminua o ritmo de crescimento, mas não sabemos que medida.

Concurso e salário mínimo – Essa discussão é precipitada. O que os analistas têm dito é que a crise mundial pode provocar uma grande recessão. A crise vai ter conseqüências em praticamente todos os países do mundo e, com certeza, afetará também o Brasil. Teremos que rever nossas contas. Se houver, de fato, uma desaceleração da economia e diminuição de receita,  teremos que fazer uma deflação no Orçamento e diminuir as despesas. O Orçamento se mantém equilibrado desse jeito. Não temos ainda parâmetros para realizar essa conta. Quanto vai cair a receita? Não sei e nem se vai cair. Essa crise já vem de um ano e quatro meses praticamente nos Estados Unidos, mas no Brasil, efetivamente, não teve efeito nenhum. Crescemos 5,4% no ano passado e vamos crescer mais de 5% neste ano. Portanto, não temos ainda nenhuma razão objetiva para fazer essa revisão. A revisão do Orçamento deve ser feita no final de novembro, que será limitado pelo o que temos de receita. Poderíamos ter que lançar mãos de instrumentos como adiamentos de decisão de reajuste e concursos públicos e postergação de decisões, mas isso só seria realizado em situações extremas. Não temos essa perspectiva hoje.

Cortes – Temos que ressaltar novamente que estamos falando sobre hipóteses das quais não temos ainda todas as variáveis. Se tivermos uma desaceleração expressiva da atividade econômica no Brasil, a receita será afetada. A receita dos estados e municípios também diminuirá. Com menos receita, somos obrigados a diminuir despesas. Essa é a determinação da lei, que vem inclusive de um comando constitucional. Isso vale para estados e municípios. Não é o governo federal que vai mandar cort ar.. É a lei. Com relação aos nossos gastos, a orientação do presidente é para  preservar os programas sociais e o Plano Nacional de Desenvolvimento (PAC). Essas são prioridades que não sofrerão cortes. Em outros investimentos, é evidente que se tiver menos receita,  vamos ter que fazer cortes. Isso não afetará investimentos nos municípios incluídos no PAC. Os não-incluídos provavelmente sentirão os efeitos, porque temos a obrigação legal e constitucional de manter o Orçamento equilibrado.

Fundo Soberano – A proposta de Fundo Soberano que o governo enviou ao Congresso deveria ter prioridade e ser votado em regime de urgência. Não conseguimos ainda um bom entendimento acerca deste tema com o Congresso Nacional. Nesta semana, foi feito um acordo dentro do Congresso para retirarem a urgência do projeto do Fundo. O que é esse projeto? Com o aumento da receita neste ano, fizemos uma economia de R$ 14 bilhões e mandamos para o Congresso um projeto propondo que essa economia fosse depositada nesse Fundo. É como se fosse uma poupança realizada em um ano que as coisas andam bem para ser usado em período de vacas magras, lá na frente para manter os investimentos mesmo com a diminuição da nossa receita. Achamos que 2009 também será um ano positivo, embora esteja previsto um crescimento menor. Mas podemos precisar nos anos subseqüentes. Temos uma expectativa muito grande de que antes do final do ano o tema seja votado.

Pré-sal – A avaliação é de que temos condições de manter os planos de exploração do petróleo e  conseguir financiamento para isso. Com relação ao petróleo que não está incluído na camada pré-sal, a Petrobras tem condições de conseguir financiamento ou mesmo com receita própria fazer todos os investimentos que estão programados. Todos sabem que ainda estamos discutindo qual será o modelo de exploração do petróleo pré-sal. O governo também discute o que será feito com a receita arrecadada com a venda deste petróleo. Essa crise, com certeza, trará problemas de crédito e dificuldades de financiamento. Acredito que o setor de petróleo vai ser um dos menos afetados, até porque é uma commodity que tem grande aceitação e interesse de investimento. Então, não estamos com grandes preocupações sobre como conseguir recursos. Precisamos primeiro definir como que vamos fazer esse trabalho de exploração e extração.

Greves – A greve dos bancos não tem relação direta com o governo. É uma greve do setor privado. O governo tem acompanhado isso. Quando há necessidade,  conversamos com os dirigentes das empresas estatais envolvidas. A greve dos Correios é feita no âmbito da Justiça do Trabalho, portanto é tratada como uma greve das empresas privadas. Com relação ao DNIT, a greve é um equívoco. Fizemos uma negociação, o acordo Já informamos, tanto para direção como para os sindicalistas, que não vamos autorizar essa reabertura. Não vejo nenhuma perspectiva de os servidore s fazerem greve porque pode acontecer alguma coisa nos próximos meses.

Trem de alta velocidade – O projeto está praticamente pronto e o edital está na última fase de revisão e consulta pública. Vamos publicá-lo no final deste ano ou no começo do ano que vem. Nossa expectativa é de que teremos pelo menos quatro grandes grupos concorrendo. Não temos nenhum plano de implementar o projeto com recursos do Orçamento. Nossa avaliação é de que é um empreendimento viável, com condições de uma boa concorrência. Com certeza, o trem de alta velocidade vai dar certo.

Concorrência – O que provavelmente vai acontecer é que, dentro dos grupos que vão participar, nós vamos ter uma mescla de empresas estrangeiras e nacionais. Mas não acredito que não tenha nenhum grupo exclusivamente brasileiro que vá participar, até porque é um investimento que pode passar de 10 bilhões de dólares. É muito pesado para um grupo apenas fazer a oferta e se propor a construir sozi nho.

Imóveis – É importante destacar que aumentamos os prazos de financiamento para até 30 anos. Além disso, foram reduzidos os juros para os financiamentos imobiliários. É bem verdade que, com a crise, alguns bancos anunciaram um aumento nas taxas de juros. Mas a Caixa Econômica Federal, que é a principal órgão financiador de imóveis no Brasil, não aumentou suas taxas. Pelo contrário, nós temos trabalhado em desenvolver medidas que permitem diminuir mais ainda a prestação da casa própria, especialmente para famílias de renda baixa. No Brasil, nós ainda temos um gargalo. A intenção do governo é continuar fomentando as condições de financiamento. Essa crise vai se arrastar por mais algum tempo, mas ninguém aposta que durará mais de dois anos. Financiamentos de longo prazo não deverão ser prejudicados. Com certeza a situação vai melhorar. Aqui, no Brasil, nós não temos os chamados títulos podres. Essas coisas desbalanceadas que geraram a crise originalmente passa m longe do sistema financeiro brasileiro. Portanto, o financiamento de imóveis não será prejudicado.

Construção civil
– Estamos avaliando todas as condições de trabalho do setor. O Brasil este ano vai gerar dois milhões de empregos, os salários continuam aumentando, as vendas, então tudo indica que vamos continuar com um bom desempenho do setor imobiliário. Mas é preciso ter crédito, dinheiro para as construtoras poderem trabalhar e produzirem. O interesse do governo é que continue esse bom desempenho do setor habitacional, até porque isso tem sido uma forma de oferecer moradia para as pessoas que precisam, mas também aquece o mercado, a venda de material, a geração de emprego. Tudo isso melhora as condições da economia e é de interesse do governo que mesmo colocando as barbas de molho, o setor da construção civil continue tendo condições de operar e produzir habitação no País.

Automóveis – As taxas de financiamento, tanto imobiliário quanto de a utomóveis, são definidas no momento da venda, não sendo possível aumentá-las. Já houve um tempo em que se financiava automóveis no Brasil com base na variação do dólar, e isso gerou um problema enorme. Hoje não há mais isso. Porém, esta crise vai, com certeza, gerar aumento nas taxas e diminuição dos prazos no financiamento de automóveis. Para quem já comprou, isso não pode ser feito, o contrato não pode ser mudado em prejuízo do comprador. Provavelmente vai ficar mais difícil para quem for adquirir a partir de agora.

Chefe de polícia do caso Jean Charles renuncia

Chefe de polícia do caso Jean Charles renuncia   

 

  Ian Blair sofria pressão há três anos por morte do brasileiro

 

 


 

O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, mais de três anos após a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes por policiais em um trem do metrô da capital britânica.

Blair disse que não renunciou por “por causa de nenhuma falha” sua, mas pensando “no interesse do povo de Londres e da Polícia Metropolitana”.

Ele disse que deixou o cargo por não contar com o apoio do prefeito de Londres, Boris Johnson, que tomou posse em maio deste ano.

“O novo prefeito de Londres deixou claro que gostaria de uma mudança na liderança”, disse Blair. “Sem o apoio do prefeito, não considero que eu possa ficar no cargo.”

Blair, cujo mandato terminaria em fevereiro de 2010, vai deixar o cargo no dia 1º de dezembro.

Acusações

Desde o assassinato de Menezes, no dia 22 de julho de 2005, Blair vinha sofrendo pressão de diversos setores da sociedade para deixar o cargo.

Em seu pronunciamento, nesta quinta-feira, Ian Blair não mencionou o caso Jean Charles ou outras acusações.

Ele também sofria pressão por outros casos. Em agosto, um dos mais altos oficiais da Polícia Metropolitana, Tarique Ghaffur, britânico de origem asiática, entrou com um processo contra Blair, acusando-o de racismo.

Nesta quinta-feira, o jornal britânico Daily Mail publicou uma reportagem em que acusa Blair de beneficiar um amigo seu com contratos da polícia.

Caso Jean Charles

Mas o caso que mais desgastou Ian Blair foi o assassinato de Jean Charles de Menezes, no mesmo mês em que atentados deixaram mais de 50 mortos no sistema de transporte público de Londres.   

 


 

Jean Charles foi morto em julho de 2005 por policiais de Londres

 

O eletricista brasileiro de 27 anos foi morto a tiros pela polícia quando estava sentado no vagão de um trem do metrô na estação de Stockwell, no sul de Londres.

Um dia antes da morte, um ataque suicida frustrado havia ocorrido no sistema de transportes da capital britânica. Em poucas horas, a polícia obteve pistas sobre os suspeitos, que fugiram da cena dos atentados.

Jean Charles de Menezes vivia no mesmo conjunto habitacional de um dos potenciais responsáveis pelos ataques frustrados, Hussain Osman.

Quando saiu de casa na manhã seguinte, o brasileiro foi confundido com o militante. A polícia seguiu Jean Charles até o metrô, onde ele foi morto.

Após quatro inquéritos e um julgamento, a Polícia Metropolitana de Londres foi considerada culpada e multada pela morte do brasileiro, mas nenhum oficial foi punido.

Na semana passada, um novo inquérito começou a ser realizado na Grã-Bretanha para determinar como e por que Jean Charles de Menezes morreu.

 


 

Perfil: Ian Blair chefiou polícia de Londres na época de atentados

 

Ian Blair sofria pressão há três anos por morte de Jean Charles

“Você não chega aqui sem calças com forro de cobre.” Essas foram as palavras de Ian Blair ao assumir o comando da Polícia Metropolitana de Londres em fevereiro de 2005. “Este é um lugar muito difícil.”

Cinco meses depois, ele descobriu exatamente o quão difícil seu cargo era.

Atentados no sistema público de transporte de Londres e ataques frustrados na cidade, em julho de 2005, deram início a investigações criminais e diversas prisões.

Enquanto oficiais buscavam os suspeitos de tentar realizar um atentado frustrado no dia 21, policiais mataram por engano o brasileiro Jean Charles de Menezes.

Desde aquele dia, Blair vem sofrendo pressões para deixar o cargo, o que acabou acontecendo apenas nesta quinta-feira – mais de três anos depois do episódio.

Blair também sofreu acusações de racismo contra outros policiais da força e de corrupção, supostamente beneficiando um amigo com contratos da polícia.

A briga sobre a saída de Blair começou logo depois da morte de Jean Charles. O chefe de polícia foi considerado culpado de desrespeitar regras de segurança no caso.

Mas nenhum policial foi processado. O próprio Blair foi inocentado da acusação de mentir na investigação sobre o que a polícia sabia naquele dia.

Oxford

Ian Blair foi educado em Shropshire e Los Angeles e foi contemporâneo do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair na Universidade de Oxford.

Ele se formou como recruta da Polícia Metropolitana em 1974 e foi rapidamente promovido.

Em 1985, tornou-se inspetor-chefe no norte de Londres e foi responsável por identificar as vítimas de um grande incêndio na estação de trem e metrô de King’s Cross.

Blair tornou-se então diretor da Operação Galeria, uma das maiores investigações sobre corrupção policial da história de Londres.

Nos anos 80, ele publicou um livro que mudou a forma como a polícia britânica investiga casos de estupro. Ele também ocupou posições administrativas na polícia de Thames Valley e Surrey.

Policiamento comunitário

Em maio de 2000, Blair voltou à polícia como número dois da corporação, depois de perder a indicação para chefe da entidade para John Stevens.

Em quatro anos, ele trabalhou nos bastidores para reformar a polícia. Nessa época, foi condecorado pela rainha Elizabeth 2ª.

A promoção para o topo da estrutura policial de Londres foi anunciada em fevereiro de 2005.

Ele foi um dos arquitetos de um polêmico plano para criação de policiais comunitários auxiliares e se envolveu em uma reestruturação para modernizar a polícia.

Blair também foi importante na estratégia de “policiamento comunitário”, que dedica pequenos grupos de policiais para supervisionar áreas da cidade.  

Para o governo britânico e de Londres, ele foi a principal figura no plano nacional de combate a “ameaças terroristas”.

Político

Entre muitos de seus colegas, Blair é visto como um político, além de policial, com apoio de alguns ministros influentes.

Na medida em que foi subindo na carreira, alguns de seus inimigos montaram uma campanha, junto a jornalistas e políticos, para retirá-lo do cargo.

Simpatizantes de Blair dizem que ele trabalhou duro para acabar com os casos de discriminação racial e de sexo na corporação.

Mas desde que surgiram as acusações de racismo, em julho, seu futuro na corporação havia se tornado ainda mais incerto.

 

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Fonte: MINKA News

 

Gibran, essa voz do Líbano…

Jamil Salloum Jr.

 

            A “pérola do oriente”, como o Líbano era conhecido antes dos anos de guerra destruidora, reúne uma história que remonta há mais de 5000 anos, como o demonstrou o eminente historiador árabe Jawad Boulos. Já Henrique Paulo Bahiana, no livro “O Líbano Eterno”, nos informa que a palavra “Líbano” parece provir do hebraico “leben”, que significa “branco”. De qualquer forma, o fato é que esta terra maravilhosa, cujos cedros majestosos tornaram-se famosos no mundo todo, legou-nos uma série de personagens importantes, que conquistaram renome em todos os continentes. E entre eles veio Gibran Khalil Gibran, certamente a mais brilhante pérola do Líbano contemporâneo.

            Gibran nasceu em 6 de dezembro de 1883 em Bsharre, aldeia da região norte do Líbano, circundada por cumes nevados e pelos inexoráveis cedros. Aos 11 anos foi enviado aos Estados Unidos, retornando à pátria três anos depois, para completar seus estudos. Voltou em definitivo aos EUA poucos anos após, onde iria permanecer até seu falecimento. Desde cedo Gibran revelou-se uma criança extraordinária, o que fez sua mãe dizer: “Meu filho está fora da Psicologia”. Com raras qualidades artísticas inatas, destacou-se na pintura e na literatura, criando um estilo literário inteiramente novo e ousado em sua terra. Suas idéias filosóficas criaram polêmica, pois estavam carregadas de um brilhante misticismo, que as elevavam acima dos dogmas religiosos.

            Quando se instalou em definitivo nos EUA, Gibran iniciou uma carreira artística que é pouco conhecida no mundo. Seu trabalho em pintura é notável em estilo, comportando mesmo genialidade, o que lhe granjeou sucesso e veneração nos EUA. Na maioria das vezes em grafite, os desenhos monocromáticos ainda hoje  provocam curiosa catarse no público. Sensações de enlevo, mistério, temor e transcendência são experimentados, o que, com a justiça do tempo, colocará Gibran ao lado de outros grandes pintores da história. Muito erudito, esse libanês apaixonado desde os seis anos por Leonardo da Vinci começou a escrever livros. E um deles entraria para a história como um dos mais belos de todos os tempos.

            Gibran tinha como maior desejo expressar a Verdade e a Beleza, traçando, assim, um roteiro para a vida do homem. Seu livro “O Profeta”, quando publicado, mostrou ser isso mesmo. Como uma pequena brisa que se transforma em poderosa tempestade, o livro arrebatou, e ainda arrebata, almas no oriente e no ocidente, sendo um best-seller desde então, com milhões de cópias vendida em mais de 40 línguas. Tão belo como as melhores obras artísticas que conhecemos, tão simples como a natureza e tão sábio como a Bíblia, o Bhagavad Gitã, o Alcorão e outros, “O Profeta” conta a história do sábio Al Musthafa e suas últimas lições à cidade de Orphalese. No livro ainda estão vários desenhos no inimitável estilo místico de Gibran. Sobre essa obra, disse ele: “Se eu puder abrir o coração humano, não terei vivido em vão.”

Do Líbano veio uma voz que, segundo a biógrafa Barbara Young – biógrafa de Gibran – só surge uma vez a cada 1000 anos. Essa voz morreu em Nova York em 10 de abril de 1931. Uma caravana, primeiro em NY e depois no Líbano, a partir de Beirute, acompanhou seu corpo até a sua vila natal, a montanhosa Bsharre. Ali ele repousa hoje, num convento escavado nas rochas, sob a inscrição: “Aqui, entre nós, dorme Gibran”. 

O terceiro Sujeito: O Idoso – o mais complicado e controverso

 

O terceiro Sujeito: O Idoso – o mais complicado e controverso

 

© DE João Batista do Lago

 

Com este texto concluo esta trilogia de artigos, escritos com exclusividade para o Portal Mhario Lincoln do Brasil, nos quais envidei esforços no sentido de explicar e analisar, sob “uma” abordagem fenomênico-sociológica, as candidaturas postuladas pelos senadores Barack Obama, John McCain e Hillary Clinton. Para além deste conjunto intenciono escrever algo parecido a uma analítica conclusiva, mas sem ter a arrogância de tê-la como verdade única e absoluta – mesmo espírito que norteia as três dissertações.

Ao longo desta análise da política norte-americana, seja nos dois textos anteriores, assim como neste artigo, utilizo-me de um vocábulo – o Sujeito – de forma extensa, mas proposital; exatamente para provocar nos leitores uma compreendidade acima da opinião de senso comum (que nos “cria” reféns de analíticas preconceituosas ou preconcebidas) que, em geral, se nos é imposta pelo campo midiático, que, por sua vez, com tais enunciações comunicativas quer-si tornar “um sujeito” prevalecente sobre todos os demais, mediando sua verbalidade como se verdade óbvia ou verdade absoluta fora.

Apenas para explicar rapidamente como entendo esta “coisa” – o Sujeito – infiro superficialmente que ele, o “sujeito”, se destaca do indivíduo ou da pessoa física. Transcende à condição de corporeidade fisiológica e se manifesta semântico-fenomênicamente nos processos de atividades como “sujeito-tema”. Noutras palavras: não basta ser homem ou ser mulher para se tornar um “sujeito político” ou, simplesmente “sujeito”. Para que isto ocorra é indispensável que em-si opere o fenômeno do ser-função, isto é, o sujeito político exerce uma ou várias funções no processo de suas atividades de práxis. Funções estas que irão resultar em projetos de mundo futuro. Funções que levam esse determinado sujeito a fazer e dá sentido aos atos e fatos do objeto-objetivado.

Este é, portanto, o último artigo desta série que serve para analisar os três principais atores políticos, nesta eleição presidencial norte-americana, e que, aqui, resolvi denominá-los de “sujeitos políticos”. Segundo minha concepção são três os “sujeitos”: a) o sujeito mulher; b) o sujeito negro; c) o sujeito idoso. Os dois primeiros já foram analisados. Hoje falarei sobre o terceiro: o sujeito idoso.

O candidato John McCain é, por mim, aqui e agora, considerado o sujeito-idoso que carrega consigo o maior volume de complexidade nesta campanha eleitoral estadunidense. Contudo vale inserir, antes de tudo, breve explicação: o termo “idoso” não remete à conceitualidade pura e simplesmente de indivíduo ou pessoa velha, per se, mas a uma concepção temporal e espacial, onde “velho” ou “idoso” significa comportamento-prolixo entre sujeito-objeto, ou seja, onde não se pode definir com clareza atividade lógico-simétrica.

Entretanto, aos meus olhos, a participação de McCain tem importância fundamental e igual, tanto quanto às candidaturas de Obama e de Hillary. Assim como estes, McCain, introduz, com sua candidatura, o “sujeito idoso” como “sujeito político” no “templo” da política norte-americana. Você, caro leitor, pode até perguntar: – “Mas, porventura, já não existiram outros candidatos idosos?”. Evidentemente que sim! Mas, diferentemente do caso presente que, pela primeiríssima vez, chega numa condição de “sujeito político” de fato, e não meramente como herói ou mito.

A sua [McCain] participação neste processo eleitoral infere, entre outras coisas, que o cidadão septuagenário não está fora do mercado político simplesmente por ser septuagenário. Ora, isto significa dizer que direitos civis e políticos das pessoas com mais de 70 anos estão efetivamente assegurados, agora de fato, posto que era apenas uma condição de direito. Penso que esse novo arcabouço resgata a auto-estima do cidadão norte-americano com idade equivalente à do candidato republicano. No futuro imediato após as eleições nos Estados Unidos poder-se-á observar se isso se deu efetivamente ou não. Mas, mesmo que o eleitorado desta faixa de idade não aumente, penso que o “recado” está dado: – “É preciso respeito, de fato e de direito, a todos os cidadãos – o sujeito – em pé de igualdade absoluta – seja ele mulher, negro ou idoso”. E dentre estes cidadãos-sujeito deve-se, com certeza, incluir o idoso já que, manifestamente, no mundo inteiro, há sido sistematicamente vilipendiado. Há sido tratado como se fosse uma sociedade diferente, ou seja, como se não mais tivesse condições mínimas para o exercício de funções e papéis de alto relevo na estrutura dos Estados.

Essa subjetividade implícita nessa campanha, evidentemente, não recebeu, não recebe e não receberá atenção do “sujeito midiático”. E há razões fundamentalistas para essa postura da mídia! A primeira delas é por incompetência. A segunda, por omissão. A terceira é ideologica. Não me referirei às duas razões primeiras. Centrarei algumas palavras na terceira hipótese: a Ideologia. E assim mesmo muito superficialmente!

Tanto na linguagem política prática, como na linguagem filosófica, sociológica e político-científica, não existe talvez nenhuma outra palavra que possa ser comparada à Ideologia pela freqüência com a qual é empregada e, sobretudo, pela gama de significados diferentes que lhe são atribuídos. No intricado e múltiplo uso do termo, pode-se delinear, entretanto, duas tendências gerais ou dois tipos gerais de significados que Norberto Bobbio se propôs a chamar de “significado fraco” e de “significado forte” da Ideologia. No seu significado fraco, Ideologia designa o genus, ou a species diversamente definida, dos sistemas de crenças políticas: um conjunto de idéias e de valores respeitantes à ordem pública e tendo como função orientar os comportamentos políticos coletivos. O significado forte tem origem no conceito de Ideologia de Marx, entendido como falsa consciência das relações de domínio entre as classes, e se diferencia claramente do primeiro porque mantém, no próprio centro, diversamente modificada, corrigida ou alterada pelos vários autores, a noção da falsidade: a Ideologia é uma crença falsa. No significado fraco, Ideologia é um conceito neutro, que prescinde do caráter eventual e mistificante das crenças políticas. No significado forte, Ideologia é um conceito negativo que denota precisamente o caráter mistificante de falsa consciência de uma crença política [Mario Stoppino].

Mesmo tendo consciência plena que as duas tendências são indispensáveis para a formação de uma teoria do conhecimento – sociológico e politico – ouso inferir, neste artigo, análise mínima sobre a segunda tendência: o significado forte. É a partir deste que temos a noção exata do fenômeno marxista da falsa consciência.

Se por um lado [McCain] o sujeito-idoso ao qual me refiro introduz novos valores de resgate sócio-político no campo da cidadania, por outro revela-se existencialmente “proprietário-espectro” de falsa consciência dada. Noutras palavras: o sujeito idoso que surge em McCain, como político-partidário, num alargamento dum olhar fenomenológico, surge na vazão de uma falsa proposta de mudança gerada a partir dum discurso ou duma discursividade que não apresenta mudanças quaisquer. O simples fato de afastar-se do Presidente Bush (estratégia de marketing político inteligente) não o faz portador de mudanças efetivas, ou seja, ele [McCain] não consegue fazer sentido ou dá sentido ao conceito de mudanças que são cobradas pela maioria dos eleitores estadunidenses. Ora, isso pressupõe uma falsa consciência do objeto político. Ora, isso traduz, de fato, uma falsa representação da realidade dada. Ora, isso significa que, se eleito, a Verdade que ele apresenta agora se consolidará, no futuro, como uma “não-verdade”.

Nem mesmo a escolha de sua vice – um sujeito mulher – consegue dissimular a falsa consciência implícita na candidatura republicana. Digo isso porque se olharmos o retrospecto de Palin verifica-se que, também ela, traz consigo todos atributos essenciais dum conservadorismo iconoclasta (entenda-se como destruidora de imagens de mudanças) profundamente arraigado em concepções e conceitos de afirmação de uma tipologia de tradicionalismo de tez conservadora, preconceituosa e racista. Sua visão [de Palin] separatista, por exemplo, é extremamente duvidosa, e diria mesmo, perigosa para o futuro da humanidade. Enfim, aos meus olhos (e isso não quer dizer que eu esteja com a verdade absoluta), o candidato republicano é um “sujeito político”, mas um sujeito político que traduz em si um “sujeito idoso” carregado de dubiedades. Isto, porém, não quer dizer que ele possa “não” ser eleito. E esta é uma questão que deve permear as analíticas que se fizerem de agora por diante.

Alea jacta est [A sorte está lançada]! E o único juízo dessa sorte é o eleitor norte-americano.

Agora é oficial: Um “Sujeito Negro” candidato à Casa Branca

Agora é oficial: Um “Sujeito Negro” candidato à Casa Branca

 

 

© DE João Batista do Lago

 

 

Seguindo a mesma linha de raciocínio do artigo Hillary Clinton: um divisor de águas, hoje, 28, falarei sobre Barack Obama, que, ontem, 27, foi oficializado candidato à Presidência dos Estados Unidos da América. O tom desta abordagem (também) não se fixará propriamente na análise político-eleitoral, muito embora ela esteja o tempo todo presente no contexto do artigo. Fugindo, assim, dessa tipologia analítica, procurarei inferior valoração política partindo de um tipo de olhar fenomenológico-sociológico, numa tentativa de alcançar uma episteme, mesmo que empírica.

De pronto ocorre-me uma questão fundamentalmente particular: por quê essa (quase!) obsessão – que me invade – por essa temática? Ao longo do artigo tentarei, da maneira mais simples, respondê-la.

Inicio destacando que Barack Obama é, de fato e de direito, o primeiríssimo candidato negro à Presidente dos Estados Unidos da América. As tentativas anteriores não passaram “das primárias”. E em alguns casos nem mesmo às primárias chegaram. O senador de 47 anos, de Illinois, é o primeiro candidato negro na história americana a construir-se “sujeito negro” numa disputa eleitoral rumo à Casa Branca. E sua indicação, feita na convenção de ontem à noite, foi por aclamação, após a intervenção da senadora Hillary Clinton (NY), que pediu a suspensão da votação que se operava, para que se pudesse, definitivamente, aclamar Obama candidato oficial do dos Democratas. E foi o que aconteceu.

Mas será, caríssimos leitores, que tiveram a curiosidade de observar a composição ou constituição da platéia? Pois bem, tratemos disto logo à frente; nos parágrafos seguintes.

Esta é uma observação que parece irrelevante! Contudo, aos meus olhos, tem significado profundo, transformador e gerador de novos paradigmas e novos conceitos na Política – seja para os americanos; seja para o restante do mundo.

A maioria que se fazia presente naquela assembléia partidária era constituída por indivíduos de cor branca. Portanto, o “sujeito negro” foi, literalmente, aclamado pelo “sujeito branco”. Mas não só isto! Foi efusivamente saudado pelo “sujeito branco” ex-presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton, ícone do Partido dos Democratas e um dos principais líderes políticos do país. Ora, isto é de uma importância fenomenal! Assim como o “sujeito mulher” do qual falei no artigo de ontem, o “sujeito negro”, por definitivo, passa a ser “sujeito político” na historicidade norte-americana. Assim como o “sujeito mulher”, o “sujeito negro” desencadeará uma visibilidade sem dimensões mensuráveis a partir de agora – independentemente de ser eleito ou não.

A política norte-americana, a partir de anteontem, 26, com o discurso da senadora Hillary Clinton, assim como a partir de ontem, 27, com o discurso do ex-presidente Bill Clinton, jamais será a mesma. A mulher e o negro, definitivamente, construíram-se “sujeitos políticos” constitucionalmente falando, e por isso mesmo tornaram-se visíveis; e por isso mesmo abriram espaço no “templo” da política americana; e por isso mesmo são, agora, atores protagonistas – e não somente coadjuvantes – da história política do país.

Afora este fato há outra “coisa” que também se revela, aos meus olhos: é evidente a desconstrução do enunciado discursivo dos conservadores, ou seja, de que os Estados Unidos da América (ainda!) não estavam ou não estariam ou não estão preparados para ter presidente mulher ou negro. A resposta que o eleitor norte-americano sinaliza é em sentido contrário. E essa resposta foi enfocada concretamente pelo ex-presidente Bill Clinton quando disse que “Barack Obama está pronto para liderar os EUA. Barack Obama está pronto para jurar respeitar e defender a Constituição dos EUA. Barack Obama está pronto para ser presidente dos EUA”. Sinteticamente podemos inferir que, o ex-presidente, cunhou o epíteto da política conservadora, preconceituosa e racista dos EUA.

No plano internacional, o reflexo desses últimos acontecimentos se dará como uma avalancha de proporções inimagináveis. Ainda que demore, essa bola de neve se formará e descerá do pico da montanha e aniquilará todos aqueles ou aquelas que, porventura, teimem em não aceitar a natureza das mudanças. Noutras palavras, a dinâmica dos movimentos sociais e políticos, se não forem entendidos conscientemente pelas lideranças políticas, serão esmagadas pelas bolas de neves que se darão como consciência dada e apreendida pelo corpo social ou pela sociedade civil, que assumirá o fenômeno como imanência epistêmica. Não tenho dúvida qualquer que esses acontecimentos se darão para melhorar, cada vez mais, a relação entre povos e nações.

Muito mais se poderia dizer a partir da candidatura de Barack Obama. Mas, penso que correríamos o risco de cair numa cilada tautológica, ou mesmo, psicológica ou psicalista ou, quem sabe(!) de senso comum ou de puro simplismo de opinião política. Contudo, não gostaria de encerrar este artigo sem antes infeir que a construção do “sujeito negro”, como “sujeito político”, nos Estados Unidos da América, extirpa um tumor maligno que se plantara ali sob o signo da Ku Klux Klan, organização secreta de racismo sectário e dogmático, que matou milhares de negros e negras. Ao mesmo tempo, não gostaria de encerrar este artigo sem denunciar as milhares de ku klux klan que se acham espalhadas pelo mundo, sob matizes e nuanças várias, e que precisam ser, definitivamente, suturadas.

 

 

Hillary Clinton: um divisor de águas*

Hillary Clinton: um divisor de águas*

 

© DE João Batista do Lago1

 

Descontado o show business (mundo do espetáculo), uma característica norte-americana, sobretudo no que se refere às campanhas político-eleitorais, pode-se assegurar que, somente a partir de ontem, 26, com a efetiva entrada da senadora Hillary Clinton (PD), com o seu discurso de apoio ao senador Barack Obama (PD), o “caminho” deste está definitivamente consolidado como candidato à Presidência dos Estados Unidos. Pode-se inferir, após o discurso de Hillary, que Obama, agora, tem chances reais (e não somente potenciais) de chegar à Casa Branca.

Contudo, não é minha intenção ficar pura e tão-somente no campo da análise eleitoral que, de fato é importante – seja para o Estados Unidos; seja para o mundo –, mas subverter este campo analítico, isto é, fazer um sobrevôo focado a partir da abordagem discursiva de Hillary, que, aos meus olhos, ficou subsumida pela sociedade do espetáculo montada pelos novos sofistas, os marqueteiros, preocupados apenas com a construção da imagem positiva, ou seja, com a elaboração de uma “embalagem bonitinha” para, assim, bem vender a “mercadoria Barack Obama”, e que, infelizmente, o campo midiático prefere abordar.

Faz algum tempo, numa entrevista para este portal, e quando a campanha ainda estava na fase “das primárias”, disse que a eleição deste ano, nos EUA, revelava um “espírito político” novo: três “sujeitos” – o idoso (John McCan), a mulher (Hillary Clinton) e o negro (Barack Obama) – complexos disputavam o cargo mais alto da nação norte-americana. Anteriormente apenas os dois primeiros eram protagonistas, e mesmo assim, o “sujeito negro” é (também) ator político novérrimo na historicidade política do país. O “sujeito mulher” aparece, este ano, pela primeiríssima vez. E é sobre este “sujeito mulher” que desejo fazer uma brevíssima análise.

Desde que a campanha “das primárias” foi inciada, a mídia dos Estados Unidos, (mais conservadora, preconceituosa e racista do mundo) tentou “enquadrar” Hillary Clinton como uma candidata nascida da costela de Bill Clinton (marido e ex-presidente dos EUA). Esse enunciado foi aculturado2, de certa maneira, pela mídia mundial. E esse enunciado discursivo, não tenho medo de inferir, fez um “estrago” terrível na candidatura da senadora nova-iorquina.

Quando historiadores forem fazer suas pesquisas (daqui há algum tempo) a respeito desse evento, com certeza, vão encontrar fundamentação científica para este meu pensamento empírico. E isso se dará quando a seguinte questão for problematizada: – “Por que motivo, ou seja, quais argumentações dos mecenas político-eleitorais – tão solícitos às candidaturas de McCan e Obama – para se negarem ao financiamento da campanha da senadora Hillary Clinton?”. A resposta, parece-me, óbvia e até mereceria uma atenção maior, mas há outros tópicos que pretendo e preciso inserir no artigo para uma justificação mais elaborada. Contudo, penso que esta é uma questão central e que não pode ser descartada pela pesquisa política.

Mas, retornemos ao epicentro deste artigo: o discurso da senadora Hillary Clinton realizado ontem. Penso que nele está concentrado toda visibilidade-invisibilidade do “sujeito mulher” nesta presente campanha presidencial dos Estados Unidos. E apenas ela, e tão-somente ela, é a principal responsável pela efetivação e pela inclusão da mulher na disputa eleitoral deste ano. Fato que se seguirá com maior assiduidade na política norte-americana; política de políticos de tez conservadora e preconceituosa, além de machista e generista-sexista. (Ah! Como gostaria de entrevistá-la!).

No discurso de ontem, uma das frases que mais me chamaram a atenção foi esta: “Pensem em seus filhos e netos no dia da eleição”; acrescentando em seguida que “Esta é nossa missão, democratas, vamos eleger Barack Obama presidente dos Estados Unidos.” Mas, o “sujeito mídia” de todo o mundo – conservador e preconceituoso, além de machista e reacionário – passou ao largo. Nenhuma análise foi feita sobre tais enunciações. Talvez(!) se isso tivesse sido dito por candidato do sexo masculino obtivesse maior repercussividade.

A fala de Hillary Clinton não deve ser tomada pura e tão-somente como frase de efeito eleitoral. Ela vai mais além. Transcende ao senso comum ou à simples “opinião” política de quem perdeu a disputa e agora se vê na obrigação de dar apoio à candidatura oficial, como pretendem fazer crer.

Nas palavras de Hillary Clinton sobressaem enunciados políticos que se encontram um pouco abaixo da epiderme política, por certo!, mas que tem significado fenomenal. Nelas estão inseridas o pensamento do “sujeito mulher” que diz, alto e bom som, que a sua participação jamais foi (ou fora) decorativa. Que a sua responsabilidade não acabou com a “derrota”, mas começa, exatamente, a partir da “derrota”. Depois dessa campanha “das primárias”, as campanhas eleitorais nos EUA jamais serão as mesmas. A influência de Hillary Clinton, que competentemente soube afastar-se da costela do adão, ressoará3 interna e externamente cada vez mais… cada dia mais… a cada disputa eleitoral. Este é um ano que ficará como divisor de águas. Podem crer!

Com isso o “sujeito mulher” estaria dizendo, segundo minha observação, estamos aqui fazendo e dando sentido a essa candidatura, que tem que ser uma candidatura com olhos de futuro, onde a oportunidade para todos deve ser imanente e relevante, e não somente para uns poucos privilegiados. Se apenas estes, os privilegiados, forem os beneficiários, então, não há “democracia”. E, aos meus olhos, está implícita uma mensagem, não somente para Obama, mas também para McCan e para o mundo. Não foi à toa que ela inferiu indagativamente: Vocês entram nesta campanha só por mim?”. (…) Vocês entram nesta campanha em nome das pessoas deste país que se sentem invisíveis?’‘.

É como se ela quisesse declarar, deblaterar mesmo, aos quatro cantos do mundo que não vale a pena entrar numa campanha política pelos lindos olhos ou pela beleza física ou pela cor da pele de um determinado candidato. Uma candidatura da importância como é a candidatura à presidência dos Estados Unidos requer muito mais. Sugere, no mínimo, que é preciso resgatar a invisibilidade das pessoas menos privilegiadas ou jamais visibilizadas pelos governos: a mulher, o negro, o idoso, os deficientes físicos, os desempregados… E quem melhor que o “sujeito mulher” para perceber esses fenômenos de indignidade humana?

Por fim, uma palavrinha sobre “pensem em seus filhos e netos no dia da eleição”.

O que está implícito, de fato, nesta frase?

Ouso responder a esta questão que eu mesmo formulei. Aos meus olhos ela quer dizer que o futuro não depende de uma eleição… não depende de uma geração… não depende de uma nação… não depende de ser homem… não depende de ser mulher…

Depende sim, da consciência plural… da consciência diversa… da consciência do diferente… da consciência do não-igual… da consciência da alteridade… da consciência ecológica… da consciência da não-dominação… da consciência do não-colonialismo… da consciência de não fazer as guerras… da consciência ecológica… Enfim!

E quem melhor que o “sujeito mulher” para perceber esses fenômenos de consciência-inconsciência… de visibilidade-invisibilidade?

*Artigo exclusivo para o Portal Mhario Lincoln do Brasil – http://www.mhariolincoln.jor.br

1João Batista do Lago, 58, maranhense de Itapecurumirim, é Poeta, escritor, teatrólogo, jornalista e pesquisador – Site: http://joaopoetadobrasil.wordpress.com – E-mail: joaobatistalagoster@gmail.com

2O conceito de aculturação tem sido alvo de diferentes – às vezes divergentes – interpretações de antropólogos e sociólogos, não quanto a seu aspecto mais lato – o processo de transformações culturais que se desenvolve em um ou mais grupo, resultante de contato com a cultura de outro(s) – mas quanto a seus mecanismos, sua dinâmica, sua intencionalidade, seu contexto ideológico etc. Entre as modalidades-padrão do processo de aculturação, têm sido citadas: adaptação (introdução na própria cultura elementos percebidos na de outrem, nem sempre com o mesmo significado), corte (introdução de elementos culturais alheios que convivem paralelamente com os próprios, mesmo que conflitantes), oposição (resistência ideológica a elementos estranhos, perturbando a evolução natural e a autotransformação de uma cultura ao longo do tempo e de novas experiências), fuga (auto-isolamento, como defesa de valores culturais exatamente pelo temor da aculturação), destruição (extermínio de culturas estranhas [e mesmo de seus portadores]).

3Esse fenômeno poderá ocorrer ocorrer no Brasil. Não sei! Quem viver verá.

Funcionários da Infraero reivindicam aumento salarial e bônus de Natal

Da Agência Brasil
   

 

 
  Brasília – De hoje (22) até quinta-feira (24), os funcionários da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) realizam assembléias em todo o país para discutir o aumento salarial, o reajuste do vale alimentação e o bônus de Natal, entre outras exigências. A categoria está avaliando a possibilidade de decretar indicativo de paralisação para o próximo dia 30.

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