Reis Velloso diz que reeditar CPMF é desenterrar defunto

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
envie por e-mail
imprimir
comente/comunique erros
download gratuito
Rio de Janeiro – O superintendente-geral do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), João Paulo dos Reis Velloso, ex-ministro do Planejamento, disse hoje (20) que reeditar a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) é “desenterrar defunto”. A possível recriação da CPMF surgiu em discussão sobre a Emenda Constitucional 29, na Câmara dos Deputados, ontem (19).

“Isso é desenterrar um defunto e fazer como os portugueses fizeram  com Inês de Castro”, afirmou Reis Velloso, ao referir-se à proposta que, segundo o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), terá a “paternidade” assumida por seu partido. O PT vai propor um novo imposto para financiar a saúde, que incidirá sobre as movimentações financeiras segundo o parlamentar.

Na avaliação de Reis Velloso, apesar dos avanços experimentados na área econômica, ainda há muita coisa a ser feita na área fiscal. “Ter uma política fiscal que não seja de aumentar a carga tributária no Brasil, que já é maior do que a dos Estados Unidos”, disse.

Ao citar Inês de Castro, o ex-ministro se referiu à rainha portuguesa coroada depois de morta, em 1357. “Se você quer conter a carga tributária, como é que vai recriar a CPMF? Jamais”, enfatizou Reis Velloso.

O superintendente do Inae lembrou que, embora o Brasil seja o país que mais cresceu no mundo, no século 20, até 1980, também foi a nação que experimentou um “verdadeiro inferno astral” nos anos que se seguiram. Ele disse que o Brasil conseguiu muitos avanços nos últimos anos, com as políticas macro-econômicas implementadas a partir de 1999, como o regime de metas de inflação, o câmbio flutuante e o ajuste fiscal. “As coisas melhoraram, o país retomou o crescimento, que está na faixa de 5%  ao ano, mas ainda existe muita coisa a fazer”, sinalizou.

Reis Velloso destacou que o Programa de Desenvolvimento Produtivo, lançado na semana passada, tem pontos muito positivos. “Ele é voltado para as exportações, para evitar que a gente tenha novamente vulnerabilidade externa, o que não temos hoje. Mas as importações estão crescendo mais do que as exportações. Então, tem que ter cuidado. Por isso, é bom que haja um programa voltado especificamente para promover as exportações”, afirmou.

O ex-ministro destacou ainda o apoio à inovação como forma de estimular a competitividade em segmentos de altas tecnologias. Na avaliação de Reis Velloso, a internacionalização das empresas brasileiras é também um elemento que vai contribuir para a inserção do Brasil como importante ator no cenário internacional.

A questão será abordada no 20º Fórum Nacional, evento que o Inae promove na próxima semana, dos dias 26 a 30, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. Participarão representantes de empresas globais brasileiras, entre elas a mineradora Vale, a Embraer, Natura, Odebrecht e Petrobras.

“São empresas que já se internacionalizaram e isso é importante como um próximo passo que o Brasil pode dar. E já está dando, de fato”, avaliou.

Reis Velloso disse ainda que a obtenção do grau de investimento pelo Brasil também pode contribuir para que o crescimento sustentável deixe de ser uma utopia. “Ele facilita. Porque nós podemos usar o grau de investimento para conseguir mais investimentos diretos de empresas multinacionais, para manter o dinamismo do mercado de capitais numa hora em que as bolsas, como a de Nova Yorque, estão em situação complicada”, observou.

Comente

Required fields are marked *
*
*

%d blogueiros gostam disto: