Barack Obama vira ‘herói nacional’ no Quênia


A avó de Obama, Sarah
Sarah Obama não pára de receber pedidos para entrevistas

Dezoito meses atrás, poucos quenianos tinham sequer ouvido falar de Barack Obama. Ele era apenas um senador americano de Illinois pouco conhecido.

Os que sabiam de sua existência eram do oeste do Quênia, perto do vilarejo de Alego-Kogello, a 60 km da cidade de Kisumu, onde o lado queniano da família de Obama vive.

Agora, a sua meteórica escalada à fama política tem levado o nome Barack Obama aos lábios de milhares de quenianos.

Obama tem sangue queniano nas veias e foi adotado como um herói nacional no país. Ele, que pode se tornar o homem mais poderoso do mundo.

Uma escola perto de Alego e pelo menos um bar em Kisumu levam o nome dele. Quando ele entrou na corrida para se tornar o candidato do Partido Democrata, hospitais quenianos registraram vários bebês recebendo o nome de Barack.

O fenômeno está apenas começando.

Entrevista marcada

Barack Obama nunca viveu no Quênia e visitou o país apenas três vezes. O sangue queniano vem do pai – também chamado Barack Obama – que vivia em Alego e, quando criança, criava cabras.

O pai de Barack Obama seguiu para os Estados Unidos em busca de uma educação mais ampla. Era um economista brilhante e retornou ao Quênia para trabalhar como um funcionário público.

Obama e o pai
Pai de Obama ganhou uma bolsa para estuda nos EUA

Obama pai morreu em um acidente de carro em 1982. Por isso, as ligações do senador Barack Obama com o Quênia não são tão fortes – apesar de dizerem que ele fala sobre o país como seu “segundo lar”.

A avó dele, Sarah Obama, ainda vive no vilarejo onde ela recebe uma multidão de jornalistas e moradores querendo saber mais sobre a estrela do Partido Democrata americano.

Eu estava em uma fila com três outras equipes de TV quando fui visitar Sarah Obama. A família insiste que a entrevista seja marcada com antecedência.

Sarah Obama deve ter respondido às mesmas perguntas centenas de vezes, e o mesmo se repetirá nos próximos seis meses.

Quando ela não está respondendo às perguntas dos jornalistas, toma conta de algumas vacas e galinhas.

Mas Sarah Obama diz que tem acompanhado a carreira do neto e diz estar encantada e não surpresa com o sucesso dele.

“Ele é um bom menino e muito inteligente”, ela me diz. “Eu nunca pensei que ele se tornaria presidente um dia, mas a mãe de Obama ficou de olho nele prá que ele estudasse na escola”, diz ela.

‘Alívio’

Os quenianos com quem eu conversei em Nairóbi dizem esperar que as ligações de Obama com o Quênia e seu status como o primeiro afro-americano a ter chance de chegar à Presidência dos Estados Unidos ajudem a melhorar as relações entre os dois países.

Alguns, no entanto, se mostram céticos, temendo que, apesar de suas credenciais políticas, ela possa ser derrotado “porque os Estados Unidos não estão ainda prontos para eleger um negro.”

Outros se disseram orgulhosos que um queniano tenha lançado um programa político que ganhou respeito ao redor do mundo.

O sucesso de Barack Obama como político representa um contraste marcante para muitos na vida política queniana.

A indicação dele tem proporcionado alívio e distração da vida política queniana.

Mais de mil pessoas foram mortas na violência que se seguiu à disputada eleição geral em dezembro. Também há um desprezo generalizado pela elite política do país.

Alguns estão tão entusiasmados com Barack Obama que eles parecem ignorar o fato de que a verdadeira luta política, contra o candidato republicano John McCain, está apenas para começar.

Esses quenianos já o abençoaram como o próximo presidente dos Estados Unidos.

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Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/06/080605_queniaobama_mp.shtml

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