Conferência GLBT é a primeira a receber apoio governamental

Brasília – A Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), que começou ontem (5) à noite em Brasília, é a primeira do Brasil e do mundo realizada com apoio governamental. Cerca de mil pessoas debatem o tema direitos humanos e cidadania. A conferência foi precedida de encontros regionais que discutiram políticas públicas para o setor.

O subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Perly Cipriano, disse que políticas públicas são necessárias para combater o preconceito e a discriminação tanto nas instituições quanto na sociedade. “O preconceito existe, é na família, na comunidade, no local de moradia. É preciso trabalhar em todas as áreas e também nas instituições. Os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – têm que estar juntos nessa mesma política discutindo com a sociedade de maneira articulada”.

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, Cipriano lembrou que quando um evento, como a conferência, tem o apoio do Estado, ele pode avançar e alcançar outros setores públicos ou da sociedade. “Na medida em que o Estado se propõe a discutir, debater e encaminhar políticas, há um aspecto positivo; naturalmente ainda tem preconceito. É preciso ter leis adequadas, o Judiciário todo ainda está acompanhando e ajudando nesse sentido.

O subsecretário disse ainda que já existe uma mobilização grande no Brasil em torno do tema. Ele citou como exemplo a parada gay de São Paulo, com a  participação de 3,5 milhões de pessoas, considerada a maior manifestação cívica no país. “Ali estão gays, lésbicas, travestis e transexuais, mas ali são pais e mães heterossexuais. A humanidade tem algumas questões a serem resolvidas para que a gente consiga uma democracia plena, a homofobia (aversão ou discriminação contra homossexuais.) é extremamente grave e precisa ser combatida”.

Sobre o caso do sargento preso depois de assumir a homossexualidade, Cipriano acredita que não existe nenhuma instituição homofóbica. “Não creio que exista uma instituição que seja homofóbica. Acho que é preciso conhecer de perto esses acontecimentos e trabalhar muito, é fundamental que se tenha o diálogo, não se combate intolerância com intolerância. No Brasil, há muito violência contra homossexuais, muitas vezes de pessoas com as quais eles convivem.”

O conjunto de sugestões aprovadas na conferência deve ser incluída no Plano Nacional de Cidadania da GLBT. “ Isso se dará se a sociedade estiver mobilizada. É isso que permite ter avanço e consolidar políticas. O Brasil já avançou muito, mas não podemos ter a visão de que está tudo resolvido.Essa conferência vai se refletir em todo o mundo. Muitos países estão aqui como observadores.”

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a Agência Brasil

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