Brasil vai vencer guerra dos biocombustíveis, diz Lula

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (9) que os principais “ataques” aos biocombustíveis vêm das empresas produtoras de petróleo e que o Brasil vai vencer essa guerra.

“Não existe nenhuma explicação, lá fora, para dizer que a cana-de-açúcar está invadindo a Amazônia. É um absurdo muito grande. Mostramos para eles [líderes de governo] que de toda a cana que temos, apenas 21 mil hectares estão plantados perto da Amazônia, que a distância do local que se planta cana no Brasil para a Amazônia são milhares de quilômetros e que o Brasil tem tecnologia.”

Em seu programa de rádio semanal Café com o presidente, Lula disse que nenhum governo deixaria de plantar alimento “para encher um tanque de carro” e caracterizou a ação como um comportamento “insano”.

Ele reconheceu que as condições de trabalho no corte da cana-de-açúcar no Brasil são “muito pesadas” e afirmou que o governo federal, por meio da Secretaria-Geral da Presidência da República, já negocia com empresários um contrato de trabalho que possibilite melhor situação para os cortadores.

Lula destacou que apenas no estado de São Paulo, 50% do corte de cana-de-açúcar já foi mecanizado e que cada máquina substitui, em média, de 80 a 90 trabalhadores.

“Não queremos substituir o homem pela máquina, queremos que a máquina corte cana, mas queremos que o ser humano que hoje corta a cana tenha a possibilidade de ter um trabalho melhor, um trabalho digno. Ou seja, criar as condições para que ele possa trabalhar com dignidade até que se forme em outra coisa e a gente possa então ter uma máquina substituindo o homem.”

O presidente acredita que a Conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) – da qual participou na semana passada em Roma (Itália) – ocorreu em um momento importante, já que grande parte dos países está preocupada com a inflação provocada pelo aumento dos preços dos alimentos. Ele garantiu que não foi a Roma apenas para defender os biocombustíveis e ressaltou que o mundo vive uma verdadeira guerra comercial.

“Sabemos os interesses dos países que não produzem etanol, ou que produzem etanol do trigo e do milho – que não é competitivo e é mais caro, diferentemente da cana. O Brasil tem o combustível, tem a matéria prima e fomos mostrar para eles: olha, não tenho medo, se vocês não querem plantar nos países de vocês, vamos fazer parceria com os governos africanos, com os países da América Central, do Caribe, da América do Sul e vamos plantar uma parte do combustível que precisamos para diminuir a emissão de gás efeito estufa.”

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Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

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