Construir e manter escolas no campo sai mais barato que transporte escolar, diz MEC

Brasília – Desde 2005, o governo federal construiu apenas uma escola na zona rural brasileira. Além disso, algumas unidades foram fechadas pelas prefeituras municipais, aumentando o déficit de 500 escolas no campo. A afirmação é da integrante da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Marina dos Santos.

 

“Das 500 escolas que foram assumidas pelo governo federal, pelo Ministério da Educação [MEC], pelo Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária], nas parcerias, foi construída apenas uma, no estado do Piauí, de 2005 até agora. E ainda foram fechadas algumas.”

Segundo a coordenadora do MEC para Educação no Campo, Sara Lima, a partir de 2005 foram liberados recursos para a construção de 50 escolas, mas alguns problemas impossibilitaram que elas fossem finalizadas. Segundo Sara, este ano o governo federal vai liberar R$ 200 milhões para a construção e aparelhamento de 229 escolas.

Muitos prefeitos fecharam escolas na zona rural, nos últimos anos, alegando que é mais barato transportar os alunos das fazendas para a cidade do que manter salas de aula com professor no campo. Sara, no entanto, diz que um estudo do MEC que ainda não foi divulgado mostra o contrário. “A crise nos transportes tem comprovado que a escola no campo sai mais barato e o MEC está trabalhando com as prefeituras para mostrar isso.”

No ano passado, somente o governo federal gastou cerca de R$ 270 milhões com o Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (Pnate), que visa a atender alunos moradores da zona rural. Para cada estudante transportado, o governo gasta entre R$ 81 e R$ 116,32, conforme as necessidades do município.

A coordenadora do Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera), Clarisse dos Santos, que é do Incra, avalia que o raciocínio dos prefeitos que fecham escolas no campo é imediatista e apenas econômico, sem pensar no impacto social. “Ele não leva em conta o impacto que isso tem sobre o próprio aprendizado das crianças. As crianças saem de casa às 4h e voltam às 16h, às vezes sem almoço. É uma desumanidade.”

Para Marina dos Santos, além dos horários, “isso traz muitos problemas, porque as crianças não estudam a sua realidade do campo, que é diferente da realidade da cidade”. Ela considera que esse é um reflexo da lentidão do estado, que “enterra” toda a construção de escolas no meio rural.

“O processo de luta pela terra, da conquista da terra, da conquista dos direitos da pessoa, está diretamente ligado ao processo da educação”, ressalta Marina, mostrando a importância que essas escolas representam para o MST. Segundo Clarisse, coordenadora do Pronera, o último levantamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) constatou que 30% dos moradores da zona rural brasileira são analfabetos, índice que cai para 24% nos assentamentos.

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Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil

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