Coluna do JBL

Providência

Dos males o menor. As desculpas pedidas ontem (17), pelo Ministro da Justiça, Nelson Jobim (foto), por determinação do Presidente Lula, às 3 mães do Morro da Providência, que tiveram seus filhos “vendidos” por 11 militares do Exército, para traficantes do Morro da Mineira, sem dúvida foi uma iniciativa plausível. Contudo, não arrefeceu totalmente a indignação dos moradores com os militares do Exército que ainda continua “ocupando” o local. Há uma indignação latente em todos os moradores do Morro da Providência e uma pergunta no ar: que razões teriam os militares para entregarem os 3 jovens, que foram compulsoriamente condenados à morte, aos traficantes de um outro morro. Esta pergunta não quer calar! Aliás, não deve mesmo calar. E se o Exército quer sair dessa enroscada “limpo” terá que vir a público e dizer,claramente, o que aconteceu. Caso contrário a instituição ficará “manchada de sangue” para sempre. E isso não é justo.

Banalização

O Exército brasileiro, assim como as Forças Armadas, vêm sofrendo um processo de banalização jamais vista na história. Tem-se a impressão de que existem camadas do corpo social que desejam exatamente isso: a liquidação total, geral e irrestrita das Forças Armadas. Seria isso uma forma de “castigo” devido ao arrogante golpe de 1964, que levou o país à mais brutal e violenta das ditaduras da Américas? Se a resposta for verdadeira está-se, então, cometendo um outro desatino contra o Estado de Direito

Papel e Função

Qual o papel e a função do Exército?
Porventura o Exército deve ser posto nas ruas para exercer o papel e a função de polícia de repressão ao crime?
O que diz a Constituição da República Federativa do Brasil a esse respeito?
A quem compete reprimir o crime, e toda tipologia de criminalidade, no interior do corpo social, ou seja, na sociedade?

Ação Isolada

Evidentemente que o bom senso nos remete a aceitar e a acreditar que os 11 militares do Exército cometeram uma ação isolada. E, pessoalmente, eu creio nessa hipótese. Mas não posso deixar de inferir, como cidadão, pensamento a respeito desse episódio triste, abominável e hediondo. Ao mesmo tempo destacar que essa “atitude isolada” reflete (ainda) resquícios de uma postura repressiva e ditatorial que existe condensada, e latente, no seio da instituição militar federal. Mas essa postura está mais que evidente (também) nas corporações policiais que têm, de fato e de direito, o papel e a função de exercerem a defesa da sociedade contra as investidas dos criminosos, dos bandidos, dos narcotraficantes… Entretanto, o que se vê são policiais corruptos que se aliam ao narcotráfico, essa doença do modernismo capitalista que todos têm medo de tocar com o dedo.

Culpabilidade

Evidentemente que, neste momento, não se deve sair por aí à caça de culpados. Mas se for necessário constituir um culpado não tenho, como não terei, dúvidas em dizer que o culpado é: “Todos”. Isso mesmo! Todos, esse “sujeito” abstrato que se pode também chamar de Sociedade ou, até mesmo, de Estado. Esse “sujeito” estruturalista nacional que tem sua formação sempre voltada para o externo, para o exterior; que não prioriza jamais o seu lado íntimo, interno; que menospreza a sua dignidade nacional em nome de um modernismo ou pós-modernismo, ou ainda, um modernismo tardio de um capitalismo violento, externo e excludente.

Na base da “nossa” criminalidade reside no imaginário coletivo esse “sujeito estruturalista”. Não é à-toa que na base da estrutura social se repetem os crimes que se praticam no topo e que, em geral, são acoimados pela própria sociedade civil brasileira. Recentemente, por exemplo, tivemos o espetáculo midiático do “caso Isabela”. Espremeu-se até a última gota de sangue, para tentar se sustentar que somos uma sociedade que privilegia a virtude. Quanta ignomínia! Quanta mentira! Quanta torpeza! Quanta mediocridade! Naqueles mesmos dias milhares e milhares de “Isabelas” estavam sendo assassinadas cruelmente… E pior: pelas mesmíssimas razões! Razões que a própria razão da dignidade nacional desconhece.

Porventura, os defensores do Exército nas ruas seriam menos assassinos que os assassinos da menina Isabela?

Porventura, os políticos que defendem a banalização do Exército dizendo que ele (Exército) deveria ocupar os morros são menos assassinos que os assassinos dos três rapazes que foram assassinados no Morro da Mineira?

Porventura, serão somente os moradores dos morros e das favelas que consomem drogas?
Porventura, serão somente os moradores de favelas e morros que sustentam o narcotráfico ou seriam os moradores do asfalto, a elite nacional que não tem qualquer compromisso com a nação?

Quem se atreve a responder a tais questionamentos…

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