Departamento boliviano de Tarija decide por autonomia

Brasília – Os eleitores de Tarija, na Bolívia, votaram ontem (22) a favor da autonomia do departamento (estado) em relação ao governo do presidente Evo Morales. As informações são da BBC Brasil.

De acordo com a rede de televisão boliviana Unitel, 79% dos eleitores optaram pela autonomia e 21% ficaram contra a proposta. A rede ATB informou que o ‘sim’ alcançou 80,3% dos votos e o ‘não’, 19,7%.

Com a divulgação dos resultados do referendo, defensores da autonomia do departamento saíram às ruas para comemorar. Autoridades bolivianas consideraram “calma” a jornada de oito horas para a consulta popular. Cerca de 173 mil pessoas foram às urnas.

Partidários de Morales – que declarou o referendo “ilegal” – permaneceram em suas residências, sem que fossem registrados conflitos.

O prefeito de Tarija, Mario Cossío, afirmou diante da multidão que havia “chegado a hora de fazer da autonomia o caminho certo para a Bolívia”. Ele pediu ao líder boliviano que considere legítimo o referendo.

“Se o governo não reconhecer os estatutos [de autonomia] e esta vitória, não poderá ser considerado um governo democrático”, disse, entre aplausos.

A expectativa era que o pequeno e mais rico departamento colombiano seguisse o caminho de outros três – Santa Cruz, Beni e Pando – que já passaram pela consulta popular e votasse amplamente pela autonomia.

Hoje (23), os governadores dos quatro departamentos que reivindicam a autonomia devem se encontrar para definir sua posição em relação à situação política do país e sobre como deverão lidar com a resistência do governo.

Os quatro departamentos se localizam na parte oriental do país, a mais rica da Bolívia, e desejam a autonomia para aumentar o controle sobre a renda obtida com as reservas de gás e petróleo.

Os governos desses departamentos, controlados pela oposição, desafiam os planos do presidente Morales para redistribuição da renda.

O referendo de Tarija tem especial importância porque a região detém 85% do gás natural boliviano. Além disso,  os líderes autonomistas esperam consolidar o bloco de departamentos autônomos e suas novas ações contra o governo.

Evo Morales convocou para agosto um referendo que poderá revogar seu próprio mandato, apenas dois anos e meio após ter assumido o poder. Se sobreviver à consulta, deverá ter um mandato ainda mais forte para combater o movimento pela autonomia na região oriental do país.

———-

Agência Brasil

Anúncios

Comente

Required fields are marked *
*
*

%d blogueiros gostam disto: