Perspectivas para a inflação estão cercadas por maior incerteza, constata Banco Central

Brasília – As perspectivas para a inflação se deterioraram e estão cercadas por maior incerteza, segundo o Relatório de Inflação, divulgado hoje (25) pelo Banco Central. A constatação é resultado da comparação do cenário atual com o do primeiro trimestre do ano, quando a entidade publicou o relatório anterior.

De acordo com o BC, ainda há descompasso entre demanda e oferta, mesmo com os investimentos do setor privado para atender à procura por bens e serviços. “A despeito do comportamento robusto do investimento, restrições à expansão da oferta poderiam estar emergindo”, diz o documento. Segundo o BC aumentos adicionais na taxa de crescimento da oferta podem estar condicionados à elevação da taxa de investimento na economia, ” um processo reconhecidamente lento”.

O Banco Central reafirma o risco de que a alta dos preços no atacado seja repassada ao varejo. “Há evidências de que, no Brasil, o repasse dos preços no atacado para os preços ao consumidor ocorre em intensidade alta e em intervalo de tempo relativamente curto”.

Segundo o BC, o que vai sustentar o crescimento da demanda em descompasso com a oferta, nos próximos trimestres é a expansão da massa salarial e o crescimento do crédito. “Além desses fatores devem ser acrescidos os efeitos, ainda que mitigados, das transferências governamentais [como o Bolsa Família] sobre a expansão da demanda doméstica” .

Por isso, o BC avalia que “a persistência de uma atuação cautelosa e tempestiva da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de que a inflação siga evoluindo segundo a trajetória de metas”. A meta de inflação para este ano é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A projeção do Banco Central é de que a inflação encerre o ano em 6%, próxima do limite (6,5%).

Neste ano, para conter a alta dos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual em cada uma das reuniões realizadas. A Selic está em 12,25% ao ano.

Para o BC, que apresentou um estudo no relatório sobre a atuação de outros bancos centrais, “políticas monetárias preventivas têm sido bem sucedidas tanto em economias maduras quanto em economias emergentes”.

O BC também considera que há evidências de que em economias maduras uma alteração no instrumento de política monetária pode levar até dois anos para afetar significativamente a trajetória da inflação e do Produto Interno Bruto (PIB) real. “A evidência para o Brasil não difere muito da experiência internacional, embora os prazos sejam menores”.

No relatório, o BC também avalia o cenário externo, apesar de considerar que “o principal risco inflacionário advém de fatores internos”. O BC considera que as ações de política monetária tomadas pelos bancos centrais de países desenvolvidos, acompanhadas de estímulos fiscais, no caso dos Estados Unidos, “parecem ter tido êxito em limitar o risco de contração econômica, mas o período de desaceleração pode se prolongar até 2009”.

O Copom reafirma a avaliação de que uma desceleração mundial mais intensa e generalizada atuaria para conter a demanda, ao reduzir o saldo da balança comercial (exportações menos importações) e o arrefecimento dos preços de commodities contribuiria para uma menor inflação doméstica. Por outro lado, poderia haver redução da demanda por ativos, com redução de seus preços. Entretanto, a elevação do Brasil a grau de investimento “tende a reduzir a sensibilidade dos preços de ativos brasileiros frente ao cenário internacional”.
Outra avaliação é que há risco para a trajetória de inflação associado ao comportamento dos preços internacionais do petróleo. “A elevação das cotações do barril do petróleo é fator de risco que, de um lado, se associa aos preços domésticos dos combustíveis e, de outro, ao impacto potencial sobre o preço doméstico de outros derivados”.

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Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

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