Média de trabalhadores parados por greve no setor privado supera a do funcionalismo público

São Paulo (ABr) – O Balanço das Greves em 2007, publicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (Dieese), mostra que a média, em 2007, do número de trabalhadores parados por greve na esfera privada foi de 6.418 e superou a do funcionalismo público – média de 5.757.

Essa foi a primeira vez, desde 2004 – ano em que foi feito o primeiro balanço de greves pela entidade – que ocorreu a preponderância da média de trabalhadores privados parados por greve.  No ano, o número absoluto de trabalhadores do setor privado que fizeram greve foi de 641.766 ante 546.955 do funcionalismo público – número que sobe para 713.259 se forem considerados os trabalhadores grevistas empregados em estatais.

Já em relação à quantidade de horas paradas nas greves, o Dieese aponta que o funcionalismo ficou sem trabalhar por 20.172 horas no ano, enquanto os trabalhadores privados, 3.324 horas. O número de paralisações não apresentou grande diferença: foram 95 do funcionalismo público e 100 do setor privado. Outras 12 paralisações foram feitas por empregados de estatais.

Em 2007, no total – levando-se em conta o setor privado, o funcionalismo público e os trabalhadores de estatais –, foram registradas pelo Dieese 316 greves, que resultaram na paralisação de quase 29 mil horas de trabalho em todo o país. Desse total, 161 paralisações (51%) foram empreendidas pelos trabalhadores da esfera pública – o funcionalismo público nos âmbitos municipal, estadual e federal, somados aos empregados em empresas estatais.

Em relação ao número de horas paradas, a esfera pública foi responsável por cerca de 85% do tempo não trabalhado e, a privada, 15%.

O Dieese aponta ainda que cerca de 40% do total dos movimentos grevistas foram encerrados no mesmo dia em que foram deflagrados e 79% deles não ultrapassaram 10 dias. Esse percentual é devido, segundo a entidade, principalmente, às paralisações ocorridas na esfera privada. Nela, o percentual de paralisações de apenas um dia ultrapassou a metade do total (52%). Quanto às paralisações superiores a 30 dias, estas foram mais freqüentes no funcionalismo público: 91% das greves com essa duração ocorreram no setor.

A exigência de reajuste salarial é predominante no conjunto das greves analisadas e atinge quase a metade do total (49%). Embora em menor proporção, também apresentaram freqüência significativa reivindicações de implantação ou reformulação de Plano de Cargos e Salários (26%) e de auxílio alimentação (18%). Ainda houve ocorrência expressiva de paralisações por exigência de novas contratatações e piso salarial (14% cada), por Participação nos Lucros e/ou Resultados (13%); contra o descumprimento de acordo, descumprimento de lei e por questões relativas a condições de trabalho (12% cada); por atraso no pagamento de salários (11%); por isonomia salarial (10%); e por melhora nos serviços públicos (8%).

O Dieese obteve informações de reações patronais em apenas 35 greves – nas demais, não foi possível elaborar análise. Destas, o procedimento mais usual foi o recurso à repressão policial, observado em 16 paralisações. O desconto dos dias parados foi registrado em 14 casos e a ameaça de demissão, em nove. Além desses, punições e demissões de grevistas foram utilizadas durante a realização de seis paralisações.

Os dados do balanço, publicados nessa segunda-feira (30), foram extraídos do  Sistema de Acompanhamento de Greves, concebido e elaborado pelo Dieese, que reúne informações sobre as paralisações deflagradas no Brasil desde 1983. As fontes para o levantamento dos dados são os jornais impressos ou eletrônicos da grande mídia e da imprensa sindical.

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