Crescimento econômico desafia governo de Cuba, diz presidente da Assembléia Nacional

Brasília (ABr/CJbb) – Desenvolver a economia do país e estimular a produção agrícola, apesar do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos desde a chegada de Fidel Castro ao poder, em 1959. Esses são os principais desafios do governo cubano, segundo o presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular de Cuba, Ricardo Alarcón de Quesada (foto).

“Logicamente, é no terreno econômico onde temos mais dificuldades”, disse, em entrevista à TV Brasil, apontando o bloqueio norte-americano como um dos princiapais entreves ao crescimento ao país. De acordo com ele, hoje o governo cubano está empenhado em buscar eficiência econômica.

“Temos que resolver alguns problemas da nossa economia e aperfeiçoar a sociedade. Isso significa não retornar a Cuba de 50 anos atrás, mas continuar aprofundando as mudanças que têm caracterizado esse meio século”, destacou.

A despeito dessas mudanças, Alarcón diz que a cada dia surgem “novos passos que tornam mais difícil a nossa vida econômica”.  “O que não mudou em meio século foi a política norte-americana em relação a Cuba.”

Apesar disso, ele destacou que a realidade de Cuba em outros setores é muito boa.Para o parlamentar, a sociedade cubana não é perfeita, mas conseguiu resultados impressionantes.

“A Cuba de hoje não se parece absolutamente em nada com a Cuba de 50 anos atrás, um país atrasado, que passou de um alto índice de analfabetismo para um país que hoje envia centenas de alfabetizadores para todo o mundo. Um país de índices de saúde deploráveis para um país que hoje envia milhares de médicos e ainda promove a educação da medicina”, assinalou Alarcón.

Ao falar sobre possíveis mudanças que podem ocorrer no aniversário de 50 anos da Revolução Cubana, o parlamentar afirmou que Fidel Castro ainda é a principal referência para o país. “Fidel Castro continua sendo o líder da Revolução Cubana e segue se expressando em artigos, comentários, em contatos com personalidades que visitam nosso país, ou seja, está muito presente, muito atento com o que acontece”, disse. Por motivos de doença, Fidel se afastou da presidência há quase dois anos e indicou o seu irmão, Raúl Castro, para substituí-lo.

No que diz respeito à relação com os Estados Unidos, especialmente num ano eleitoral, o parlamentar cubano destacou o lema de mudança usado pelo senador e candidato democrata Barack Obama. “Muitas pessoas usam a palavra mudança para Cuba, a palavra mudança deve ser aplicada nos Estados Unidos”, disse.

E completou: “Não quero prejudicá-lo [a Obama] fazendo propaganda por ele, mas creio que se pensamos nos interesses do mundo, nos interesses do povo norte-americano, o que está claro é que temos que terminar com a era Bush”.

Alarcón destacou ainda a possibilidade de cooperação entre Cuba e o Brasil, especialmente na área da saúde. “Há experiências, estamos desenvolvendo a produção de uma vacina que foi descoberta num laboratório cubano, com a capacidade de produção do Brasil, em laboratório brasileiro. Cuba e Brasil estão produzindo essa vacina, e a OMS (Organização Mundial da Saúde) está usando na África”, lembrou.

Além isso, na opinião dele, ainda há outras possibilidades. “O que Cuba pode contribuir é um pouco na área de inteligência, da ciência. Não em termos de recursos financeiros, [nesse aspecto] o Brasil tem um potencial econômico superior ao nosso.”

O presidente do Grupo Parlamentar Cuba-Brasil, José Luiz Fernandez Yero, que também esteve no Brasil, destacou que desde 1990 há uma parceria na área de biotecnologia e que há transferência de vários produtos, que podem ser utilizados para melhorar o sistema de saúde brasileiro. Ele disse que em outros setores a cooperação também é possível.

“Não é minha especialidade a agricultura, mas o Brasil tem experiência com terrenos com baixo nível de chuvas. Um outro setor muito importante para Cuba é o petrolífero, com a Petrobras, pois o Brasil tem a melhor tecnologia de perfuração em águas profundas e poderia colaborar com Cuba”, comentou Yero.

Alarcón e Yero vieram ao Brasil a convite do Congresso Nacional para uma série de homenagens aos 155 anos de José Martí, herói da Revolução Cubana. Eles participaram de uma sessão solene e da inauguração de uma exposição de fotos no Congresso, além de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o chanceler Celso Amorim.

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