Ministro afirma que país está protegido da crise de alimentos, mas não está imune

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

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Brasília – O Brasil está bem protegido da crise mundial de alimentos, graças ao progresso da agricultura familiar, mas não está imune às ameaças.

A avaliação é do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. Para ele, o governo precisa agir com responsabilidade e “tomar todos os cuidados”.

“Quando há uma crise de preços de alimentos, a gente sabe que quem sofre primeiro e sofre mais são as camadas mais pobres da população”, disse.

“A gente tem que impedir que isso aconteça produzindo mais alimentos, alimentos que a gente consome no dia-a-dia”, acrescentou, ao participar de entrevista a emissoras de rádio no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília.

Por essa razão, segundo Cassel, a aposta do governo federal é ampliar a produção nacional, em um período de três anos, para 18 milhões de toneladas – o suficiente para abastecer o país durante dois meses e meio – por meio da “modernização acelerada” da agricultura familiar. “Estamos convencidos de que a crise é séria, mas que encontramos o caminho certo para enfrentá-la.”

Ele reforçou o posicionamento do governo em relação à monocultura e afirmou que a prática é ruim não apenas para o agricultor que só planta soja, cana ou eucalipto, mas para a toda a sociedade, que fica sem leite, frango, carne, frutas e outros alimentos consumidos no dia-a-dia.

“A dona-de-casa e o trabalhador, quando vão ao supermercado, compram feijão, arroz, pão, leite. É com isso que a gente tem que se preocupar. A gente tem que garantir a produção de tudo isso para que os preços baixem no supermercado.”

Segundo Cassel, atualmente quem investe na produção de alimentos está ganhando dinheiro e estabilidade. Ele acredita que os agricultores brasileiros, aos poucos, começam a perceber que “o papel fundamental” da agricultura familiar no país é garantir mercado interno.

“O financiamento de investimento de até R$ 100 mil por família, com 2% de juros ao ano e os três anos de carência [previstos no Plano Safra Mais Alimentos] são vinculados apenas para a produção de alimentos básicos. As pessoas que moram nas cidades vão enxergar melhor o papel econômico dos agricultores familiares, que vão ter mais estabilidade e mais renda.”

O ministro lembrou ainda que os investimentos na produção de grãos voltada aos biocombustíveis não devem atrapalhar o aumento da oferta de alimentos, já que apenas 18% do óleo extraído da soja, por exemplo, é utilizado para a produção do biodiesel.

“O restante se transforma em adubo, em alimento para ave, para suíno. Tem sentido do ponto de vista da cadeia alimentar. É diferente, por exemplo, do etanol de milho nos Estado Unidos. Mais de 90% do milho é utilizado [na produção de etanol].”

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