Número de empresas do setor sucroalcooleiro na lista suja deve aumentar, diz ministério

Brasília – Atualmente com 172 nomes, a Lista Suja do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho deverá ser ampliada. A principal razão é o crescimento do número de fiscalizações em empresas do setor sucroalcooleiro, que continuam submetendo trabalhadores a situação semelhante à escravidão e degradante.

Segundo o coordenador nacional do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho, Marcelo Campos, o órgão deve divulgar amanhã (9) a nova versão da lista das empresas que usam mão-de-obra escrava.

De acordo com ele, sempre que a lista foi atualizada houve aumento do número de empresas cadastradas. “Desde 2004, sempre que é atualizada, a lista possou a ter um número maior de infratores. Essa será a tendência da próxima atualização”, afirmou à Agência Brasil.

E o setor sucroalcooleiro deve ser o principal responsável pelo inchaço da “lista suja”. “Tem crescido nossa fiscalização no setor sucoralcooleiro. No ano passado, o número de trabalhadores libertados [no setor] foi 40% do total. E isso deve significar, no curto prazo, um maior número de empresas desse setor no cadastro”, disse Campos.

“Isso é facilmente explicável porque em uma usina de álcool trabalham centenas, milhares de pessoas no mesmo local, enquanto em outras atividades do meio rural o número é sempre muito menor. Então, basta flagrar uma usina para inflacionar esse número [de trabalhadores libertados da condição análoga à escravidão]”,  argumentou ele.

Campos explicou que outra razão para o crescimento da “lista suja” ocorre em virtude do tempo para desfecho dos processos de inclusão ou não das empresas. De acordo com o coordenador, tem havido um número maior de fiscalizações, o que tem resultado em mais trabalhadores libertados.

“Entre o momento da fiscalização e a inclusão na lista há um prazo de dois anos. Com o acúmulo de casos que estão sendo analisados [ao final dos processos] acaba aumentando o número de empresas no cadastro”, afirmou.

As empresas incluídas na “lista suja” são impedidas de obter novos contratos com os Fundos Constitucionais de Financiamento administrados pelo Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Banco do Brasil. Além disso, o BB impede os relacionados de obterem novos contratos de qualquer modalidade de crédito.

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Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

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