Países emergentes levarão ao G8 preocupação com crise dos alimentos e alta do petróleo

Felipe Calderón, presidente do México e o presidente Lula, do Brasil

Hokkaido (Japão) – Embora as decisões do G8 já tenham sido tomadas, Brasil, China, Índia, México e África do Sul  levarão amanhã (9) ao grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia sua preocupação com a crise mundial de alimentos e a disparada nos preços do petróleo. O discurso das potências emergentes foi articulado em reunião na cidade de Sapporo, na Ilha de Hokkaido, no Japão.

“As causas do aumento dos preços dos alimentos são múltiplas e complexas, mas concordamos que não é justo e não se deve culpar as economias em desenvolvimento por esses problemas”, disse o presidente do México, Felipe Calderón (foto), ao final do encontro de cerca de uma hora e meia. O México coordena o grupo de países conhecido como G5, que representa cerca de 45% da população mundial.

Afinados na versão de que a especulação nos mercados que comercializam safras futuras é uma das principais causas da inflação tanto dos alimentos quanto do petróleo, os líderes do G5 defendem, em seu documento final, um sistema financeiro estável, ordenado e transparente. Também pedem um maior envolvimento da comunidade internacional e de organismos internacionais. “Buscamos acelerar inovações tecnológicas e incrementar a cooperação internacional para melhorar a produção agrícola no mundo”, resumiu Calderón.

Com relação às mudanças climáticas, inicialmente o tema central da cúpula do G8, o G5 frisa que a cabe aos países ricos – e maiores poluidores – liderar o processo global para redução de emissões. “Não se deve debitar dos países em desenvolvimento o que é uma clara responsabilidade dos países desenvolvidos, que devem assumir a liderança nesse tema”, afirmou o presidente, frisando a necessidade de investimentos em novas tecnologias e seu acesso a custo razoável. O México chegou a propor a criação de um Fundo Verde, sugestão que será analisada pelos demais países do G5.

Ainda que sutilmente, Brasil, México, China, índia e África do Sul reiterem a reivindicação de uma participação mais ativa no G8 – afirmam que é preciso melhorar a coordenação entre as economias avançadas e as economias emergentes. O G5 participa como convidado do G8 desde a cúpula de 2005, em Gleanegles, na Escócia, mas apenas em reuniões ampliadas, sem qualquer interferência nos processos decisórios do grupo de poderosos.

Embora tenha cogitado não comparecer ao G8 deste ano justamente pela falta de influência dos países em desenvolvimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou que está disposto a continuar dialogando mesma que pela atual fórmula: sugeriu que em 2009 o G5 se reúna meses antes da cúpula do G8 (que será realizada na Itália) para articular posições. Caso a proposta seja aceita pelos demais países, a reunião deve ocorrer no Brasil.

“A expectativa é que esse diálogo possa ter influência, cedo ou tarde, no que pensa o próprio G8”, afirmou à imprensa o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.”

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Mylena Fiori
Enviada especial

One Comment

  1. Raphael (leclandestin.wordpress.com)
    Posted terça-feira, 8, julho 2008 - at 15:35 pm | Permalink

    Se o G5 continuar se articulando dessa maneira, boto fé nele. Desde sempre esteve claro que o G8 pensa primeiro no dinheiro e depois nos outros problemas.


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