Preso pela PF no Rio na Operação Satiagraha, banqueiro Daniel Dantas chega a São Paulo

São Paulo – As nove pessoas que foram presas hoje (8) no Rio de Janeiro, durante a Operação Satiagraha, desencadeada pela Polícia Federal, chegaram por volta das 19h na sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Entre elas, está o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity.

Segundo balanço divulgado pela PF em São Paulo, 17 pessoas foram presas na operação, que desmontou duas organizações criminosas acusadas de cometerem crimes de lavagem de dinheiro, desvio de verbas públicas e corrupção. Em São Paulo, oito pessoas foram presas, entre elas o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o megainvestidor Naji Nahas.

A Operação Satiagraha, cujo nome significa resistência pacífica e silenciosa, teve início em 2004, como desdobramento do caso que ficou conhecido como mensalão – esquema que teria sido arquitetado pelo empresário Marcos Valério e que previa o pagamento de propina a deputados da base aliada do governo em troca de favores políticos.

Depois de ter recebido a informação, durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, de que as empresas Telemig e Amazônia Celular – controladas pelo Banco Opportunity –  fizeram depósitos nas contas de Marcos Valério, o Ministério Público Federal pediu que as investigações fossem ampliadas com escutas telefônicas, laudos periciais e ação controlada (um procedimento policial com autorização judicial para obtenção de provas).Em entrevista coletiva concedida na tarde de hoje, em São Paulo, o delegado Protógenes Queiróz, responsável pela operação, não explicou qual a ligação entre as duas organizações, alegando que a investigação corre sob sigilo. Mas afirmou que, apesar delas agirem separadamente, há grampos policiais que mostram ligações  telefônicas entre Dantas e Nahas.

“É uma situação que nos deixa um pouco assustados pelo nível estruturado dessas duas organizações e com o nível de intimidação e do poder de corromper que elas tinham”, disse Queiróz.

Dantas seria o líder de uma das organizações, especializada no desvio de verbas públicas e que teria criado o Opportunity Fund, uma offshore localizada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. De acordo com o procurador do Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, Rodrigo de Grandis, esse fundo movimentou quase US$ 2 bilhões entre os anos de 1992 e 2004.

Mas o delegado da PF acredita que a cifra pode ser maior. “A complexidade é tamanha que nem mesmo os operadores desse fundo e nem mesmo Dantas sabiam do volume que ele operava”.

Já o grupo de Naji Nahas seria o responsável pela criação e operação de uma instituição financeira sem autorização do Banco Central, lavagem de dinheiro e práticas de fraudes no mercado de capitais. O delegado Queiróz afirmou também ter indícios de que a organização liderada por Nahas obteve informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos. Segundo o delegado, o ex-prefeito Celso Pitta seria um dos “grandes clientes do doleiro Naji Nahas”.

Durante a operação foram cumpridos 56 mandados de busca e apreensão em Brasília, Salvador,  São Paulo e Rio de Janeiro, com apreensão de documentos, computadores, veículos de luxo e dinheiro em espécie, que ainda não foi contabilizado, segundo a PF.

O MPF decretou a prisão temporária de 22 pessoas e outras duas prisões preventivas. Do grupo de Dantas, também foram decretadas as prisões de  sua irmã Veronica Dantas, Carlos Rodemburg, Daniele Ninio, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Dorio Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin e Rodrigo Bhering de Andrade. Do grupo de Nahas, o MPF decretou as prisões de seu filho Fernando Nahas, Maria do Carmo Antunes Jannini, Antonio Moreira Dias Filho, Roberto Sande Caldeira Bastos, Carmine Henrique, Carmine Henrique Filho, Miguel Jurno Neto, Lúcio Bolonha Funaro, Marco Ernest Matalon e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Já Hugo Chicaroni foi preso preventivamente.

Os presos serão indiciados pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

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Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

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