Portugal propõe instituição de formação policial no Brasil

Brasília, 10 jul (Lusa) – Portugal propôs nesta quinta-feira, durante a 3ª Reunião dos Chefes de Polícia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Brasília, a criação de uma instituição de ensino superior policial no Brasil, disse à Agência Lusa o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública.

“O Brasil pode aproveitar uma experiência de mais de dez anos em Portugal, onde os oficiais de polícia têm uma formação geral e completa sobre a problemática da polícia. Os alunos entram no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna como uma universidade qualquer e saem licenciados em Ciências Policiais”, afirmou Francisco Oliveira Pereira, que preside o encontro da CPLP.

Polícias de outros países de língua portuguesa poderiam também beneficiar-se do projeto, a exemplo do que ocorre no instituto português, onde já se formaram vários oficiais de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop).

O diretor nacional adjunto da Polícia Judiciária (ligada ao Ministério luso da Justiça), João Manuel Baptista Romão, que também participa no encontro, disse à Lusa que as maiores preocupações do Brasil e de Portugal na área policial são o tráfico de drogas e de pessoas.

“Em relação a Portugal e ao Brasil são sobretudo esses dois fenômenos que nos preocupam. Temos combatido essas redes criminosas e há colaboração no sentido de identificá-las”, disse, evitando fornecer mais dados.

Caminho da droga

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC), 450 toneladas de cocaína são traficadas por ano para os Estados Unidos, 200 toneladas para a Europa e 50 toneladas para a África, com destino ao continente europeu.

As autoridades já constataram que há uma forte tendência de crescimento da rota sul-sul. Segundo fontes da Polícia Federal, a cocaína sai da Colômbia, Peru e Bolívia, entra no Brasil por via fluvial, terrestre e aérea e segue para a Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique e África do Sul, sendo a Europa o destino final.

As redes de narcotráfico fazem muito uso dos chamados “mulas”, nome dado às pessoas que transportam a droga, os quais embarcam geralmente nos aeroportos do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador e Fortaleza.

Os traficantes utilizam também as rotas marítimas, mascaradas por cargas lícitas, como revelou uma operação policial que apreendeu em 2005 um grupo criminoso formado por portugueses e brasileiros que transportavam cocaína dentro de carne congelada.

As autoridades brasileiras estão preocupadas também com a entrada de ecstasy no país proveniente da Europa.

Enquanto em 2006 foram apreendidos 11 mil comprimidos de ecstasy no Brasil, no ano passado, as autoridades apreenderam 211 mil comprimidos.

Na avaliação do coordenador geral da Interpol do Brasil, Jorge Barbosa Pontes, a cooperação internacional é fundamental para o combate à criminalidade.

“Quanto mais porosa for a polícia em relação a contactos internacionais, melhor. Devemos incentivar e pavimentar este caminho”, ressaltou Pontes, defendendo a criação de uma rede de comunicações entre as polícias da CPLP.

==========

Agência LUSA (Portugal)

———————————————————————————–

outras notícias
Bélgica é o 22º membro da UE a ratificar Tratado de Lisboa
UE aponta que Portugal tem poucas escolas com internet
Portugal propõe instituição de formação policial no Brasil
Oposição do Zimbábue afirma que não vai ceder ante Mugabe
Lula faz visita oficial ao Timor Leste nesta sexta-feira
Portugal aprova acordo com Espanha sobre controle de rios
Contra guerra, bispos angolanos pedem presença em eleição
Parceria de UE com orla mediterrânea é lançada no domingo
mais notícias
Bolsa portuguesa fecha com maioria dos títulos em queda

Alta de preços cria oportunidades para o Brasil, diz ministro

BCE reafirma preocupação com inflação após alta dos juros

mais notícias

Comente

Required fields are marked *
*
*

%d blogueiros gostam disto: