Agora é oficial: Um “Sujeito Negro” candidato à Casa Branca

Agora é oficial: Um “Sujeito Negro” candidato à Casa Branca

 

 

© DE João Batista do Lago

 

 

Seguindo a mesma linha de raciocínio do artigo Hillary Clinton: um divisor de águas, hoje, 28, falarei sobre Barack Obama, que, ontem, 27, foi oficializado candidato à Presidência dos Estados Unidos da América. O tom desta abordagem (também) não se fixará propriamente na análise político-eleitoral, muito embora ela esteja o tempo todo presente no contexto do artigo. Fugindo, assim, dessa tipologia analítica, procurarei inferior valoração política partindo de um tipo de olhar fenomenológico-sociológico, numa tentativa de alcançar uma episteme, mesmo que empírica.

De pronto ocorre-me uma questão fundamentalmente particular: por quê essa (quase!) obsessão – que me invade – por essa temática? Ao longo do artigo tentarei, da maneira mais simples, respondê-la.

Inicio destacando que Barack Obama é, de fato e de direito, o primeiríssimo candidato negro à Presidente dos Estados Unidos da América. As tentativas anteriores não passaram “das primárias”. E em alguns casos nem mesmo às primárias chegaram. O senador de 47 anos, de Illinois, é o primeiro candidato negro na história americana a construir-se “sujeito negro” numa disputa eleitoral rumo à Casa Branca. E sua indicação, feita na convenção de ontem à noite, foi por aclamação, após a intervenção da senadora Hillary Clinton (NY), que pediu a suspensão da votação que se operava, para que se pudesse, definitivamente, aclamar Obama candidato oficial do dos Democratas. E foi o que aconteceu.

Mas será, caríssimos leitores, que tiveram a curiosidade de observar a composição ou constituição da platéia? Pois bem, tratemos disto logo à frente; nos parágrafos seguintes.

Esta é uma observação que parece irrelevante! Contudo, aos meus olhos, tem significado profundo, transformador e gerador de novos paradigmas e novos conceitos na Política – seja para os americanos; seja para o restante do mundo.

A maioria que se fazia presente naquela assembléia partidária era constituída por indivíduos de cor branca. Portanto, o “sujeito negro” foi, literalmente, aclamado pelo “sujeito branco”. Mas não só isto! Foi efusivamente saudado pelo “sujeito branco” ex-presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton, ícone do Partido dos Democratas e um dos principais líderes políticos do país. Ora, isto é de uma importância fenomenal! Assim como o “sujeito mulher” do qual falei no artigo de ontem, o “sujeito negro”, por definitivo, passa a ser “sujeito político” na historicidade norte-americana. Assim como o “sujeito mulher”, o “sujeito negro” desencadeará uma visibilidade sem dimensões mensuráveis a partir de agora – independentemente de ser eleito ou não.

A política norte-americana, a partir de anteontem, 26, com o discurso da senadora Hillary Clinton, assim como a partir de ontem, 27, com o discurso do ex-presidente Bill Clinton, jamais será a mesma. A mulher e o negro, definitivamente, construíram-se “sujeitos políticos” constitucionalmente falando, e por isso mesmo tornaram-se visíveis; e por isso mesmo abriram espaço no “templo” da política americana; e por isso mesmo são, agora, atores protagonistas – e não somente coadjuvantes – da história política do país.

Afora este fato há outra “coisa” que também se revela, aos meus olhos: é evidente a desconstrução do enunciado discursivo dos conservadores, ou seja, de que os Estados Unidos da América (ainda!) não estavam ou não estariam ou não estão preparados para ter presidente mulher ou negro. A resposta que o eleitor norte-americano sinaliza é em sentido contrário. E essa resposta foi enfocada concretamente pelo ex-presidente Bill Clinton quando disse que “Barack Obama está pronto para liderar os EUA. Barack Obama está pronto para jurar respeitar e defender a Constituição dos EUA. Barack Obama está pronto para ser presidente dos EUA”. Sinteticamente podemos inferir que, o ex-presidente, cunhou o epíteto da política conservadora, preconceituosa e racista dos EUA.

No plano internacional, o reflexo desses últimos acontecimentos se dará como uma avalancha de proporções inimagináveis. Ainda que demore, essa bola de neve se formará e descerá do pico da montanha e aniquilará todos aqueles ou aquelas que, porventura, teimem em não aceitar a natureza das mudanças. Noutras palavras, a dinâmica dos movimentos sociais e políticos, se não forem entendidos conscientemente pelas lideranças políticas, serão esmagadas pelas bolas de neves que se darão como consciência dada e apreendida pelo corpo social ou pela sociedade civil, que assumirá o fenômeno como imanência epistêmica. Não tenho dúvida qualquer que esses acontecimentos se darão para melhorar, cada vez mais, a relação entre povos e nações.

Muito mais se poderia dizer a partir da candidatura de Barack Obama. Mas, penso que correríamos o risco de cair numa cilada tautológica, ou mesmo, psicológica ou psicalista ou, quem sabe(!) de senso comum ou de puro simplismo de opinião política. Contudo, não gostaria de encerrar este artigo sem antes infeir que a construção do “sujeito negro”, como “sujeito político”, nos Estados Unidos da América, extirpa um tumor maligno que se plantara ali sob o signo da Ku Klux Klan, organização secreta de racismo sectário e dogmático, que matou milhares de negros e negras. Ao mesmo tempo, não gostaria de encerrar este artigo sem denunciar as milhares de ku klux klan que se acham espalhadas pelo mundo, sob matizes e nuanças várias, e que precisam ser, definitivamente, suturadas.

 

 

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