Lula e premiê luso defendem nova ordem da economia global

Salvador, 28 out (Lusa) – O presidente brasileiro e o primeiro-ministro português defenderam nesta terça-feira, no final da 9ª cúpula Brasil-Portugal, uma nova ordem no sistema econômico global, com maior intervenção dos Estados e reforma das instituições políticas e financeiras internacionais.

“Chegou a hora da política”, afirmaram Lula e José Sócrates, exigindo uma nova regulação dos mercados face à crise global, principal tópico desta cúpula luso-brasileira.

Lula e Sócrates destacaram que têm a mesma visão estratégica em relação à crise e à necessidade de enfrentá-la, tema que dominou os discursos proferidos na Capela da Misericórdia, dentro do Museu da Misericórdia, no centro histórico de Salvador.

“A primeira prioridade é restabelecer a estabilidade no nosso sistema financeiro como resposta de curto prazo para mitigar os efeitos da crise. Mas não temos o direito, tanto político como moral, de deixar tudo na mesma. Há, portanto, uma agenda de mudança no mundo”, assinalou o primeiro-ministro português.

Na avaliação de José Sócrates, esta crise assinala a derrota daqueles que advogavam o pensamento único e condenavam a intervenção do Estado na economia, além de mostrar a necessidade de uma nova ordem econômica global mais justa e com instituições mais representativas, seja no âmbito político como financeiro.

O presidente brasileiro disse que “o Estado volta a ter um papel extraordinário”.

“Chegou a hora de os políticos entrarem em ação em defesa das populações. Não podemos admitir que o sistema financeiro internacional brinque com a sociedade, trocando apenas papéis que perpassam, às vezes, até dez instituições”, destacou Lula, acrescentando que a crise tem duração e conseqüências ainda imprevisíveis.

Os dois líderes defenderam igualmente a retoma das negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e das negociações comerciais entre a União Européia e o Mercosul neste momento de crise internacional.

“A resposta à crise não pode ser mais protecionista. O que deve haver é mais regulação”, frisou o chefe do Governo português

José Sócrates admitiu não imaginar o que seria de Portugal se não estivesse na zona do euro e destacou o papel de Lisboa no âmbito da União Européia e do Brasil no G-20, grupo dos países em desenvolvimento, para que haja uma “resposta à altura” para a crise.

Dentro de duas semanas, em Washington, realiza-se uma cúpula do G-20 para discutir medidas para enfrentar a crise e propostas de reformas no sistema financeiro internacional.

Sócrates voltou a apoiar a reivindicação brasileira de ter um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e também uma maior participação do Brasil nas instituições financeiras que vão agora contribuir para uma regulação mais eficaz.

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Fonte: LUSA

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